Assombrado
Charles, um caçador de criaturas sobrenaturais com mais coragem do que juízo, decide investigar um casarão onde nem gato preto ousa entrar. Armado com estacas, dentes de alho e água benta digna de perfumaria chique, ele se depara com luzes piscando, quadros de palhaços sinistros e um piano que toca sozinho. No fim do corredor, encontra o excêntrico Dr. Zumbi — dentista de vampiros — e a sedutora vampira Tamires, que não tem como pagar a consulta. Entre sustos, piadas e estacas certeiras, Charles desvenda o mistério e sai ileso… com o sorriso intacto e a vampira Tamires vai embora sem dever um tostão.
Criado e escrito por Edivaldo Lima.
História de Contos
Gênero: comédia, sobrenatural
Personagens: Charles, Dr. Zumbi, Vampira Tamires
[Entrando com coragem
Era dez horas e vinte minutos. Charles observava do lado de fora do casarão, vendo as luzes apagarem e acenderem.
— Acredito eu que os fantasmas desse casarão não ligam se a luz queima, pois ficam acendendo e desligando.
Charles pegou suas estacas, pendurou no pescoço os dentes de alho e, ainda por cima, se benzeu com água benta — como se fosse uma colônia premiada, chique de perfumaria.
— Lá vou eu desvendar esse mistério... descobrir o que há nesse lugar que nem gato preto entra.
O corredor sombrio
Ao abrir a porta, Charles nem precisou fazer força. A porta abriu sozinha. Ele entrou.
— Minha nossa, esse casarão é mais velho que o tataravô do Freddy Krueger! Olá, tem alguém aí? Se tiver, apareça! Vamos tomar um bom suco de uva... tentando ser elegante, como se fosse vinho.
De repente, um quadro caiu. Charles olhou para um lado, para o outro... não viu nada, apenas luzes acesas piscando no final do corredor.
— O jeito é seguir em frente até o fim. Esses quadros estranhos de palhaços me dão arrepios. Tomara que eu não encontre nenhum palhaço com marreta querendo correr atrás de mim.
Charles seguiu adiante. Curioso, olhou algumas portas entreabertas e viu vultos rápidos. Jogava água benta, sal grosso... tudo para espantar almas penadas.
Numa sala do corredor, um piano começou a tocar. Ele observou com atenção.
— Toca um jazz clássico aí pra animar esse casarão! Ouço barulho de maquininha de dentista... só falta ter um dentista maluco aqui!
Charles colocou a mão na fechadura.
— Chegou a hora de descobrir o mistério... ao abrir...
— Quem!... Quem!... É você?
Zumbi se virou e deu uma risada:
— Haaaaa! Dr. Zumbi, dentista de vampiros!
Quando Zumbi ia abraçar Charles dando boas-vindas, a estaca de Charles atacou primeiro.
— Matei o Dr. Zumbi com apenas uma estaca... interessante.
— Olá — disse Tamires, uma vampira atraente.
Charles se virou.
— Foi mal, senhorita. Não queria acabar com o Dr. Zumbi...
Tamires sorriu.
— Também não ia ter dinheiro pra pagar o Dr. Zumbi...
— Menos mal, senhorita. Agora tenho que ir.
Tamires sorriu de novo.
— Não quer me conhecer melhor?
Charles se virou.
— Me desculpa, sou casado. Minha mulher tem ciúmes de mim... ainda mais se eu namorar uma vampira!
Charles saiu sorrindo. E Tamires ? Ela foi embora sem dever um tostão pelos dentes.

