História O Contrato de Coração

Contos de Histórias
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[Capítulo 1: A Vizinha do 300

Kasu acordou com um sorriso no rosto. Mais um dia começava, e seu projeto de mangá finalmente estava ganhando forma. Os personagens que ele desenhava pareciam ganhar vida, cada traço revelando personalidade e emoção. Sentado em sua escrivaninha, cercado por folhas rabiscadas e canecas de café, ele se sentia inspirado. O mundo que criava com “Guerreiros Giraia” estava se tornando mais real a cada página. Até que, de repente, a campainha do apartamento 301 tocou, interrompendo seu momento criativo.

Ao abrir a porta, Kasu se deparou com uma mulher ruiva, de sorriso encantador e postura confiante. Ela colocou a mão na cintura e o olhou com um ar divertido.

— Bom dia, senhorita — disse Kasu, surpreso com a visita inesperada.

— Senhorita? Olha bem pra mim. Sou jovem, viu? — respondeu ela com um tom brincalhão. — Qual o seu nome, senhor do moletom do Dragon Ball Z?

Kasu riu, um pouco sem graça.

— Me chamo Kasu. E você, moça?

— Prazer, Kasu. Sou Rosemeri. Vim te pedir um favor... você teria um pouco de açúcar?

— Esqueceu de comprar? — perguntou ele, curioso.

— Com a mudança, sabe como é... tudo uma correria — explicou Rosemeri, ajeitando uma mecha do cabelo.

— Você se mudou pra qual apartamento? — perguntou Kasu, ainda encostado na porta.

— No 300, bem em frente ao seu — respondeu ela.

— Ah, entendi. Lá morava um roqueiro... foi expulso depois de um abaixo-assinado. Fazia muito barulho.

Antes que Kasu pudesse continuar, Rosemeri entrou no apartamento sem cerimônia.

— Ei! Já está invadindo? — disse ele, surpreso.

— Fiquei curiosa com seus desenhos — respondeu ela, observando as folhas espalhadas.

— Então... pode entrar — disse Kasu, resignado.

— Já entrei — retrucou ela, sorrindo.

Rosemeri se aproximou da mesa e pegou uma folha.

— Você desenha mangá?

— Sim. Esse é meu projeto: “Guerreiros Giraia”.

— Interessante... e esses biscoitos? Que delícia!

— São bons mesmo. Sente-se, fique à vontade.

Rosemeri se acomodou no sofá, pegou um biscoito e olhou ao redor.

— Obrigada. E o açúcar... pode ser só um pouco. Não precisa exagerar.

Kasu foi até a cozinha e voltou com um pote pequeno.

— Aqui está.

— Valeu, Kasu. Tchauzinho!

Ela saiu com um sorriso travesso, deixando um leve perfume no ar.

Kasu fechou a porta, ainda surpreso com a visita inesperada.

— Danada... é bonita, mas é doidinha — murmurou, voltando à sua mesa.

Tentou retomar o foco nos desenhos, mas a imagem de Rosemeri sorrindo não saía da sua cabeça.

Aparentemente, o dia seria mais interessante do que ele imaginava.

E talvez, aquele “Contrato de Coração” estivesse prestes a começar.

Capítulo 2: Visita Inesperada e Conversa Fiada

Kasu estava concentrado em seus desenhos quando ouviu a campainha tocar. Imediatamente pensou: Será que é a Rosemeri de novo? Levantou-se com certa expectativa e abriu a porta. Para sua surpresa, não era a vizinha ruiva, mas sim Gilmar, seu amigo de longa data.

— Bom dia, Kasu! — disse Gilmar, entrando sem cerimônia.

— E aí, Gilmar. — respondeu Kasu, fechando a porta.

— Quais são as novidades?

— Meu projeto está de vento em popa. Os personagens estão ganhando vida, e a história está ficando cada vez mais envolvente.

Gilmar se jogou no sofá e pegou um biscoito da mesa.

— Que legal, mano. Mas nenhuma gatona te ligou esses dias?

— Não, Gilmar. Tô focado no projeto. A Rochele, minha ex, só queria saber de balada. Não dava pra conciliar.

— Ah, a Rochele... aquela era das bagunça mesmo — comentou Gilmar, rindo.

— Pois é. Agora tô tranquilo.

Gilmar olhou pela janela e arregalou os olhos.

— Mano... quem é aquela ruiva linda do 300? Tá andando de biquíni dentro do apê!

Kasu tropeçou na perna da cadeira e quase caiu.

Pensou consigo mesmo: Essa Rosemeri é danada mesmo.

— Deve ter se mudado hoje. Não sei se tem marido, então cuidado.

— Mulher casada é problema, Kasu. Vai que a gente perde o... biguilin cortado! — disse Gilmar, fazendo uma careta.

— Tá doido, homem? — respondeu Kasu, rindo.

— Só tô dizendo. Vai que você se empolga demais.

— Você vai na festinha do Ernesto hoje? — perguntou Kasu, mudando de assunto.

— Tô pensando em ir. Dizem que vai ter umas gatas por lá.

— Isso é verdade. Só espero que nenhuma esteja comprometida.

— Se tiver, confusão armada — disse Gilmar, dando risada.

— E você sempre atrai as comprometidas — provocou Kasu.

— Fazer o quê? Sou carismático demais.

Gilmar se levantou e foi até a mesa de desenhos.

— Esses aqui são os Guerreiros Giraia?

— São sim. Tô desenvolvendo os arcos de cada personagem.

— Tem um que parece comigo, hein.

— Só se for o vilão — brincou Kasu.

— Vilão charmoso, então.

Ambos riram, e o clima ficou leve, como sempre acontecia quando estavam juntos.

— Mas falando sério, essa Rosemeri parece ser fogo — disse Gilmar.

— Ela é espontânea, divertida... e meio doidinha.

— Do jeito que você gosta.

— Não tô procurando confusão agora.

— Confusão às vezes bate na porta, lembra?

— Literalmente — respondeu Kasu, lembrando da visita anterior.

Gilmar se despediu, prometendo voltar depois da festa.

Kasu voltou aos seus desenhos, mas a imagem de Rosemeri andando despreocupada pelo apartamento ainda rondava sua mente.

Ele sabia que aquela vizinha não era comum.

E talvez, sem perceber, o “Contrato de Coração” estivesse se desenhando aos poucos.

Com traços inesperados, como os de um bom mangá.

Capítulo 3: O Contrato de Coração

Era fim de tarde quando Kasu, concentrado em seus desenhos, ouviu uma voz exaltada vindo do apartamento 300.

— Armando, seu cretino! Mulherengo em série! — gritava Rosemeri, com uma fúria que atravessava as paredes.

Kasu parou o lápis no ar e murmurou:

— Eita... a Rosemeri tá brava com esse tal de Armando.

Curioso, ele se aproximou da janela, mas não conseguiu ver nada. Apenas ouviu o som de gavetas sendo abertas e papéis sendo rasgados.

Horas depois, Rosemeri apareceu na varanda com um olhar determinado.

— Vou fazer um contrato de coração! — disse em voz alta. — Quem assinar vai me ajudar a dar a volta por cima e deixar o Armando com ciúmes.

No dia seguinte, vários moradores do prédio receberam um envelope misterioso.

Claro que Kasu também recebeu o seu.

Gilmar, que havia acabado de chegar no apartamento 301, viu o envelope sobre a mesa.

— Kasu, já chegou a conta da água?

— Já paguei essa semana. Isso aí é outra coisa — respondeu Kasu.

— Vamos abrir? — sugeriu Gilmar, curioso.

— Pode abrir — disse Kasu, ainda distraído com seus desenhos.

Gilmar rasgou o envelope e começou a ler em voz alta:

— “Ei, você que abriu este envelope... Se gostou das fotos e se interessou, vamos fechar um Contrato de Coração. Estou querendo deixar um tal de Armando morrendo de ciúmes. Que tal você se passar por meu futuro namorado? Assinado: Rosemeri.”

Kasu arregalou os olhos.

— Eita... a Rosemeri quer fechar um contrato mesmo!

— Vai assinar? — perguntou Gilmar, com um sorriso malicioso.

— Não sei... será que devo?

— Um mulherão desses, Kasu... vale a pena.

— Tá bom. Vou assinar.

Kasu pegou uma caneta e assinou o papel, ainda sem saber onde aquilo ia dar.

Minutos depois, Rosemeri apareceu na porta, radiante.

— A partir de hoje, com o contrato assinado, Kasu é meu namorado!

Sem esperar resposta, ela se aproximou e tascou um beijo em Kasu.

Ele ficou paralisado por um segundo, depois murmurou:

— Eita, mulher... que beijo bom!

Gilmar, rindo, pegou o celular.

— Agora vocês dois, posem pra foto com o contrato assinado!

Kasu e Rosemeri sorriram, ainda surpresos com a rapidez dos acontecimentos.

O plano para deixar Armando com ciúmes estava oficialmente em andamento.

Mas o que começou como uma encenação podia virar algo mais.

Kasu sentia que aquele beijo tinha mexido com ele de verdade.

Rosemeri, por trás da pose confiante, parecia carregar mágoas profundas.

Gilmar, como sempre, estava ali para rir e comentar tudo.

E o prédio, antes tranquilo, agora era palco de um dorama da vida real.

Só os próximos capítulos diriam se o contrato de coração era só um plano... ou o início de algo verdadeiro.

Capítulo 4: Cinema no Apê,e Confusão

Depois da sessão de fotos com Rosemeri, sua “namorada contratual”, Kasu voltou à cozinha para preparar algo rápido. Enquanto mexia na panela, o celular tocou. Ele enxugou as mãos e atendeu.

— Alô, quem fala?

— É a Rochele, seu safado! — gritou a voz do outro lado. — Faz só um mês que a gente terminou e você já tá com outra? Achei que você gostasse de mim de verdade!

Kasu suspirou.

— Mulheres... Rochele, eu tô solteiro.

— Solteiro? No seu fotobook tem você sorrindo com uma ruiva! Até parece que tá apaixonado!

Antes que Kasu pudesse responder, Rosemeri apareceu na porta do apartamento.

— Kasu, já tá me traindo? — disse ela, cruzando os braços.

— É a vendedora da padaria, tá reclamando dos pães de queijo — improvisou Kasu, tentando disfarçar.

Do outro lado da linha, Rochele gritou:

— O quê? Não ouvi isso! Vou contar pro Marmota! Você tá me ignorando!

— Tchau, Rochele. Manda um abraço pro Marmota — disse Kasu, desligando.

Pensou: Tomara que ele não me esculache por estar fazendo isso com a irmã dele...

Rosemeri se aproximou com um olhar sério.

— Kasu, nosso contrato não inclui traição. Que tal um cineminha lá em casa pra reforçar o vínculo?

— Pode ser. Eu levo as pipocas, você escolhe o filme.

Ela sorriu e, sem aviso, deu um beijo em Kasu.

— Fazer o quê... esse japonês é irresistível — disse ele, meio sem jeito.

Mais tarde, Kasu se preparava para o encontro. Abriu o guarda-roupa e murmurou:

— Preciso comprar perfumes novos... esse aqui é de 2008. Vencido. Vai só desodorante mesmo.

No apartamento 300, Kasu apertou a campainha. Rosemeri abriu a porta com uma mini saia de tirar o fôlego.

— Entre, a sessão já vai começar — disse ela, piscando.

— Você tá linda... pra matar! — respondeu Kasu, puxando-a para um beijo.

— Kasu, que beijo é esse?

— Beijo de galã da novela das nove. Gostou?

— Acho que vamos perder o filme...

— Eu não durmo, não vamos perder nada.

Sentados no sofá, Kasu e Rosemeri estavam mais focados nos beijos e nos amassos do que no filme.

— Esse filme é hilário — disse Kasu, rindo.

— Essa parte da torta é interessante... os pais pegam ele de surpresa!

A mão de Kasu subia e descia pelas coxas de Rosemeri como uma montanha-russa.

— Tá esquentando — disse ela, ofegante.

— Tenho que ir... esqueci o preservativo. Se não, daqui nove meses sai um japonêsinho!

— Kasu, agora?

— No contrato não tá escrito que eu tenho que ser pai — respondeu ele, rindo nervoso.

Rosemeri caiu na gargalhada, jogando uma almofada nele.

— Você é um caso sério, Kasu.

— E você é um capítulo à parte.

O filme continuava, mas os dois já estavam em outra história.

O “Contrato de Coração” estava ficando cada vez mais real...

E o próximo capítulo prometia ainda mais confusão.

Capítulo 5: Invasão no Apê e Pitbull Virtual

Depois de sair do apê de Rosemeri, ainda com o rosto quente dos beijos e o coração acelerado, Kasu caminhava pelo corredor como quem escapou de uma arena em chamas.

— Filho japonêsinho não estava no contrato — murmurou, rindo sozinho.

Ele sabia que precisava ser esperto. Romance improvisado era uma coisa, colocar filho no mundo era outra.

Ao chegar na porta do seu apartamento, notou algo estranho.

— Ué... deixei a TV ligada? — pensou, franzindo a testa.

Girou a maçaneta devagar, já desconfiado.

Ao abrir a porta, levou um susto.

— Onde você estava, meu querido? Chegando essa hora da noite? — disse Rochele, sentada no sofá como se fosse dona do lugar.

— Hora, hora... moça invadindo minha casa! — respondeu Kasu, surpreso.

— Tenho sua chave, lembra? E pelo jeito tava na gandaia... olha esse zíper aberto! Fecha isso, senão o binguilin vai sair voando!

Kasu olhou pra baixo, sem graça.

— Uma agora, duas... o que eu faço, meu Deus?

— Senta aí, vamos conversar — disse Rochele, mascando um Babalu com gosto.

— Rochele, você é minha ex-namorada. Já passou.

— Ô homem, quero saber desse tal contrato com a ruiva.

— Isso é coisa minha e dela.

— Marmotaaaa! Vem cá! — gritou Rochele.

— Marmota tá aí também? — perguntou Kasu, já perdendo a paciência.

— Ele me trouxe. Quer saber por que você me largou.

Marmota apareceu na porta com seu jeito largado.

— E aí, Kasu. Mo daora aquele SNES japonês, hein?

— Verdade. Já joguei Indiana Jones nele.

— Então, pra eu não te dar uns cascudos, me empresta ele.

— Pode levar. Leva a Rochele junto antes que eu solte o pitbull que tá trancado.

Kasu pegou o celular e apertou um botão.

Uma voz de inteligência artificial ecoou:

— Liberando o pitbull...

— Vamos dar o fora, Rochele! Esse pitbull é bravo! — gritou Marmota, puxando a irmã.

— Mas me dá essa chave! — exigiu Kasu.

— Não tem mais volta — respondeu Rochele, jogando a chave no chão.

— Não me esqueça... mas nunca mais invade apê dos outros!

Ela saiu, e Kasu finalmente respirou aliviado.

— Agora, paz... por enquanto. Porque amanhã é outro dia, e outra história nesse dorama.

Capítulo 6: Gilmar no paraiso e o Primo do Japão

Aquela noite, depois de enfrentar Rochele — a ex-namorada ciumenta e chiclete Ping Pong — e seu irmão Marmota, que parecia vilão de novela das nove mas saiu correndo ao ouvir os latidos do pitbull virtual, Kasu finalmente teve um momento de paz.

— Que sossego nesse apê... — disse, jogando-se no sofá.

— Se eu soubesse que esse aplicativo de pitbull ia me ajudar tanto, já tinha instalado o sensor na porta faz tempo.

O silêncio era raro, e ele queria aproveitar.

Mas, como sempre, a tranquilidade durou pouco.

De repente, o celular tocou.

— Gilmar... meia-noite? — atendeu Kasu, já desconfiado.

— Tô aqui no morro da Tijuca, pensa num samba bom! Tem mulher, quatro pra cada um, meu irmão!

— Kasu...O negócio tá bom, hein... se fosse mais cedo, eu ia sambar igual gringo!

—Gilmar... Amanhã te conto tudo. Tá parecendo o paraíso!

— Cuidado, Gilmar. No paraíso também tem armadilha — respondeu Kasu, rindo.

—Kasu... Esse Gilmar é uma figura... — murmurou, desligando.

Kasu voltou para sua mesa de desenho.

— Meus personagens estão ficando cada vez mais interessantes...

Pegou o lápis e começou o esboço do último guerreiro da saga.

Mas antes que pudesse terminar, o celular tocou novamente.

— Olá, primo! Quanto tempo! — disse Kasu, atendendo.

Era Lee-San, seu primo japonês.

— Desde a última vez em Tóquio, hein? — respondeu Lee-San.

—Kasu... Verdade. Bons tempos.

— E as gatas brasileiras? — perguntou Lee-San, direto.

— Tem uma que quero te apresentar: Rochele. Morena, corpo curvilíneo... mas tem o mala do Marmota, irmão dela.

— Marmota?

— Se você conquistar ele com um SNES, já ganha pontos como futuro cunhado.

— Rapaz... essa da foto é bonita mesmo! Quero conhecer sim.

— Estarei te esperando aqui no Brasil.

— Falou, primo. Tudo de bom.

— Forte abraço!

Ao desligar, Kasu olhou para o teto e suspirou.

— Rochele... agora você vai largar do meu pé.

Vou arranjar outro namorado pra ela, nem que seja importado do Japão.

Ele riu sozinho, guardou os desenhos e se jogou na cama.

— Negócio agora é dormir... e sonhar com a Rosemeri.

Porque nesse dorama, cada dia é uma nova confusão.

Capítulo 7: Confusão e Amor na Porta

Aquela noite foi tranquila como poucas. Kasu dormiu tão profundamente que nem os sons de gatos se acasalando no telhado do apê conseguiram incomodá-lo.

O descanso foi merecido, depois de tanta confusão nos dias anteriores.

As horas passaram, o sol começou a nascer, e o silêncio foi quebrado por uma voz vinda do corredor.

— Quem deixou esse bêbado dormir na porta do 301? — reclamava o vizinho do 209.

Kasu deu um pulo da cama, pegou um balde de água e resmungou:

— Só acorda com banho gelado mesmo...

Ao abrir a porta, Kasu se deparou com Gilmar, encolhido no chão.

— Ô loco, meu! Nem pode dormir na porta do apê de um amigo? — disse Gilmar, espreguiçando.

— Gilmar, o que você tá fazendo aqui?

— Ontem fui naquela festa que te falei. Esqueci a chave em casa. Sorte que o zelador, seu Jorge, deixou eu subir.

— E você achou que dormir na minha porta era a solução?

— Eu ia dormir dentro, mas já tava trancado.

— Gilmar, isso não pode acontecer. Me avisa da próxima vez!

Rosemeri apareceu no corredor, com aquele jeito provocador.

— E aí, Gilmar... já tá na porta do Kasu essa hora? Vai trabalhar não?

— Trabalho vendendo bala no trem. Faço meu horário, saca?

— Você tá linda de bebidol, Rosemeri — disse Kasu, sorrindo.

Quanto ao Gilmar... ontem ele estava no paraíso, mas esqueceu a chave por lá — brincou Kasu.

Todos riram.

— Entra, Gilmar. Vamos tomar um café forte pra tirar essa ressaca — disse Kasu.

— Kasu... (com expressão galante) Você entre também Rosemeri, meu amor do contrato, musa do café coado. Venha tomar café conosco!

— Ainda bem que você me chamou — disse Rosemeri. — O pó do café já tinha acabado!

— Mas não vai se acostumando... pó de café não tá no contrato! — brincou Kasu.

Eles riram juntos. Rosemeri preparou o café, Kasu fez pão com ovos, e Gilmar se jogou no sofá assistindo TV.

— Só de pensar que tenho que pegar metrô lotado agora cedo... — reclamou Gilmar.

— E bolo de pote, será que vende bem? — perguntou Rosemeri.

— Já comi uns, são ótimos — disse Kasu.

— Você manja dessas paradas de bolo, Rosemeri?

— Manjo! Já até me inscrevi no Bake Off Brasil, mas ainda não fui chamada.

— Melhora sua foto do Instagram, vai que te chamam — sugeriu Gilmar, com espírito empreendedor.

— Rosemeri não é feia, ela é atraente — disse Kasu.

— Eu falo do jeito de tirar foto dos produtos — explicou Gilmar.

— Rosemeri...Tô pensando em virar influencer no YouTube.

__Gilmar...Como chamaria o canal?

— Rosemeri...Ainda não sei... vou pensar.

—Rosemeri... E se eu fizer uns bolos de pote e você vender pra mim? — propôs Rosemeri.

—Gilmar... Vou pensar. Eu tava vendendo bem as balas da Chica, mas um vendedor conquistou minha clientela vendendo o morango do amor,e quebrou meu negócio.

— Como são essas balas da Chica? — perguntou Kasu.

— Chocolate com coco. Parece mais um bombom — explicou Gilmar.

— Interessante... — disse Rosemeri, terminando o café.

— Obrigado pelo café, meu amor. Vou pro meu apê — disse ela, se levantando.

— Volte sempre — respondeu Kasu.

Eles se beijarçam.

— Seus beijos estão cada vez melhores — disse Rosemeri.

— Tenho assistido tutoriais de como beijar melhor — brincou Kasu.

Ao sair, Rosemeri deu de cara com Armando na porta.

— Rosemeri, minha doçura de mulher... volta pra mim! — implorou ele.

— Esse aí tá carente — murmurou Kasu. — Será que ela vai rasgar o contrato?

Rosemeri pegou o balde com água e disse:

— Não, Kasu. Vou jogar água nesse cachorro vira-lata mulherengo!

— Some antes que eu chame a polícia! — gritou ela.

Armando saiu correndo.

— Voltarei! — gritou.

Kasu cantou:

— Isso chama amor... ooooo!

— Esse dorama, pelo jeito, tá sendo igual caixa de surpresa... cada dia uma novidade!

Capítulo 8: Chuveiro Queimado e Bitcoin da Vovó

Kasu estava concentrado na line art dos seus personagens Guerreiros Giraias, rabiscando no notebook com a língua de fora, como quem desenha com o coração.

De repente, a tela piscou com uma notificação:

“Kasusinho, vem arrumar o chuveiro, meu amor ”

Kasu coçou a cabeça e resmungou:

— Rosemeri pensa que sou eletricista... mas fazer o quê, né? Contrato é contrato.

Levantou, pegou a chave de fenda e foi até o apê dela.

Ao apertar a campainha, o clássico “din-don” ecoou.

Rosemeri abriu a porta com um sorriso e um biquíni que parecia ter saído direto de uma novela de verão.

— Meu amor, você é minha salvação! O chuveiro queimou justo na hora que eu ia tomar banho!

— Mas você vai tomar banho ou vai pra piscina? Tá de biquíni!

— Esse banho é pra ficar ainda mais cheirosa, meu amor. Eu tomo de biquíni mesmo, estilo tropical!

— Entendi, Rosemeri... esse chuveiro é do arco da velha!

Nesse momento, Dona Natália, a avó de Rosemeri, surgiu do nada com um chinelo na mão.

— Arco da velha é sua avó, rapaz! Esse chuveiro foi instalado pelo Benedito, meu finado, antes de subir pro plano de cima!

— Vó, calma! Esse é o Kasu, aquele que te falei!

— Ah, me desculpa, Kasu. Você que fechou o contrato com minha neta de coração? Achei lindo!

— Fechei porque senti algo a mais por ela... além do café coado.

— E quando vamos pro Japão conhecer sua família?

— Vó, que modos são esses?

— Modos de quem namora minha neta. Tem que casar!

— Casamento não tá no contrato, dona Natália. Isso aí é outro contrato, com cláusula de aliança e tudo!

— Então me faz um pão com queijo e um café, minha neta!

Rosemeri foi pra cozinha, enquanto Natália se acomodava no sofá como quem ia ficar até o capítulo 100.

— Kasu, meu filho... você pretende entrar pra família? Qual sua conta bancária? Tem biticons guardados?

— A senhora conhece bitcoin?

— Claro! Tô guardando umas reservas. Se fechar minha aposentadoria, viro milionária virtual!

— Vó Natália, a senhora é mais esperta que muito corretor de cripto!

— Tem que ser, meu filho. A vida é um mercado volátil!

Rosemeri gritou da cozinha:

— Kasu, já terminou?

— Já sim! Pode tomar seu banho, minha musa do chuveiro queimado!

Rosemeri apareceu com uma toalha no ombro e um olhar de novela mexicana.

— Então vamos tomar banho juntos! — disse, puxando Kasu pelo braço e trancando a porta.

— Aproveita, meu amor... me pega com pegada!

— Rosemeri, você me faz perder o juízo!

Do outro lado da porta, Natália gritou:

— Aproveita, Kasu! Se amar no chuveiro é bom, viu? Me lembro como Benedito me amava assim...

Kasu olhou pra Rosemeri e disse:

—Esse dorama tá começando a esquentar igual novela mexicana... mas com tempero de dorama brasileiro! Aguarde o próximo capítulo. 

Capítulo 9: Chegada do primo Galã

Depois de consertar o chuveiro de Rosemeri, tomar banho com ela e sobreviver ao interrogatório da vó Natália, Kasu voltou para casa se sentindo um misto de eletricista, namorado e galã de dorama.

— Essa Rosemeri é fogo mesmo... até banho juntos nós tomamos. Isso não tava no contrato, mas quando ela disse que eu beijo igual o Din San, aí eu derreti! — falou, rindo sozinho.

Enquanto colocava uma camiseta limpa, Rosemeri comentava com a vó:

— Vó, tô me sentindo nas nuvens depois desse banho!

— Eu percebi, minha danada. O Kasu te pegou com pegada, né? Mas quando beijou, pensou nele ou no galã do dorama?

— Pensei nele, vó. O Kasu é meu Din San da vida real!

Enquanto isso, Kasu preparava seu leite quente assistindo Dragon Ball Z e pensava:

— Quando será que o primo Lee San vai chegar? Preciso apresentar a Rochele pra ele...

O celular vibrou com uma mensagem no WhatsApp:

“Primo, já estou no Rio de Janeiro! Em breve estarei no apê. Me arruma um colchonete.”

Kasu deu risada:

— Esse Lee San é esperto. Vai querer minha cama e me deixar no sofá. Fazer o quê... visita é visita.

No aeroporto, o blogueiro Aurélio estava com sua câmera quando viu Lee San desembarcando.

— Não pode ser... é o Din San no Brasil! Vou tirar uma foto e fazer um post bombástico!

Postou no blog:

“Olá, meus queridos e queridas do Blog Aurélio Fofoca! Din San está no Brasil! Olhem esse post, comentem e compartilhem!”

Enquanto isso, Lee San andava pelo saguão sendo cumprimentado por todo mundo.

— Eita, essas mulheres cariocas são calorosas! Nem famoso eu sou...

O motorista do Uber riu:

— Talvez você pareça alguém famoso.

— Sou nada... sou vendedor de pastel na feira de Tóquio!

Horas depois, Lee San chegou ao condomínio e mandou mensagem:

“Kasu, acabei de chegar. Já vou subir no apê 301.”

Kasu, tranquilo, respondeu:

— Que bom! Hoje tá tudo em paz... por enquanto.

Quando Lee San ia apertar a campainha, Rosemeri saiu e gritou:

— Din San!

— Não sou Din San! — respondeu ele, confuso.

— Vamos tirar uma foto! Sorri!

— Kasu! Kasu! Abre a porta!

Kasu abriu e riu:

— Ficou famoso, hein, primo?

— Esse é meu primo, Rosemeri.

— Você é primo do Din San?

— Você tá assistindo muito dorama, Rosemeri...

— Ele é vendedor de pastel em Tóquio! — explicou Kasu.

— Isso mesmo! — confirmou Lee San.

— Mas que você parece o Din San... parece! — disse Rosemeri.

— Quem dera! — riu Lee San.

— Vamos entrar, primo. Tem café e broa.

— Posso chamar a vó? — perguntou Rosemeri.

— Chama a vó dos Bitcoins também!

— Vooooó! Hoje tem café da tarde na casa do Kasu!

— Já tô indo! Kasu, comprou pão fresco? Sou visita!

— Já comprei! Esse é meu primo Lee San.

— Parece o Din San... se eu fosse mais nova, te beijava!

— Sem assédio, vó! — gritou Kasu, rindo.

Na cozinha, todos tomavam café.

— Muito bonito o Rio de Janeiro, primo — disse Lee San.

— Sim, mas também perigoso. Tem que tomar cuidado.

— Eu quase fui assaltada saindo do mercado — contou vó Natália.

— Mas quando viram que eu só tinha Pix, disseram: “Ô vó, vê se anda com dinheiro pra nos ajudar!”

— Então você faz muito bem o pastel? — perguntou Rosemeri.

— O melhor pastel! — respondeu Kasu.

— Sim, vendo muito bem! — disse Lee San.

Din Don! A campainha tocou.

Kasu foi atender. Era Rochele.

— Oi, Kasu! Tudo bem? Vim trazer algo.

— O que você veio trazer, Rochele?

— Sua sunga do Dragon Ball Z. Era a última coisa que faltava entregar.

Ela olhou para Lee San e gritou:

— Din San! É vocêeeee! Quero uma selfie antes de ir embora!

— É meu primo, Lee San — explicou Kasu.

— Com licença... oi pra senhora, oi pra você que roubou meu namorado!

— Prazer, me chamo Lee San. Qual seu nome?

— Pode me chamar de Bombom Roche... com intimidade.

— Prazer em conhecê-la, Bombom Roche.

— Agora vou indo. Kasu, passa o contato do seu primo!

— Pode deixar. Vai pela sombra, Rochele!

— Kasu, que sunga linda! Vai ter que usar! — disse Rosemeri.

— Quando formos à praia!

— Vamos!

— Vó Natália, vamos?

— Tchau, Kasu! Melhora o café da próxima vez!

— Foi a Rosemeri que fez da outra vez. Vou servir chá pra senhora.

Vó Natália mostrou a língua e disse:

— Beijo, Lee San!

— Tchau! — acenou ele.

— Primo, ter contrato de coração com uma mulher sempre vem com surpresas de família...

— Isso é verdade — respondeu Lee San.

Kasu, sozinho na cozinha, olhou para a xícara e suspirou:

— Esse dorama surpreende a cada capítulo...

Fique ligado no próximo!

Capítulo 10: Invasão no Apê

Kasu, preparando seu portfólio do seu desenho com seus personagens, pensa e fala:

— Está na hora de fazer uma página de quadrinhos dos Guerreiros Girais. Se ficar legal, faço todas as páginas e publico na livraria Sebo do Eraldo.

Com a língua de fora e o café já frio, ele rabisca como se estivesse desenhando o destino.

— Primo Lee San, não esqueci de você não! Venha até aqui! — grita Kasu.

— Já estou indo! — responde Lee San, surgindo com uma coxinha na mão e chinelo de dedo.

— O que foi, meu primo?

— Caramba, está linda essa arte! Parece até feita por um bêbado filósofo com talento!

— Está sim! Que bom que gostou. Aqui está o contato da Rochele.

— Da Bombom Roche? Caramba, aquela mulher é um pecado no meu caminho! Tremendo avião! Gostei das curvas... do corpo curvilíneo dela.

— Conheço bem aquelas curvas, mas agora tenho outras curvas para poder conhecer melhor — diz Kasu, piscando como quem já viu novela demais.

— Você é danado, hein, Kasu! Ela gosta de que tipo de local?

— Desde motel, shopping center, parque de diversão, balada, restaurante com comida japonesa e frutos do mar.

— Ela gosta de gastar bem, hein?

— Mas para o primeiro encontro, ela aceita um dogão na lanchonete do Duda.

— Entendi... tomara que eu não pegue sapinho!

— Ela escova bem os dentes, fica tranquilo, primo. Marca e seja feliz!

Rosemeri chega entrando com pose de diva de comercial de shampoo:

— Olá, Lee San, o famoso Din San!

Kasu fala com cara de ciumes carente:

— Cadê meu beijo?

— Olá, meu amor. Aqui seu beijo! — diz Rosemeri, entregando um beijo com gosto de bala.

— Gostei da sua bala sabor tutifrute!

— Única que eu tinha no baleiro.

—Rosemeri... Que vamos fazer hoje, hein, já que seu primo está no Rio de Janeiro?

—Kasu... Lee San tem o compromisso com Rochele daqui a pouco.

—Rosemeri... Ai sim, hein! Lee San, assim você afasta ela longe do Kasu!

—Lee San ... Tudo vai depender da Bombom Roche... — responde Lee San, ajeitando o cabelo como se fosse galã de novela.

De repente, uma gritaria fora do condomínio:

— Din San! Cadê você? Viemos aqui só pra te ver!

Uma multidão de mulheres com cartazes, gritando como se fosse show do BTS, achando que o galã ia sumir no ar antes do clique da selfie!

—Ih, começou o surto coletivo! — diz Kasu, já trancando a porta.

Lee San, pela janela, fala com cara de susto:

— Está cheio de mulheres lá embaixo chamando por Din San!

— Agora o apê vai ser invadido! — grita Kasu.

— Vai lá, tira foto com elas! — incentiva Rosemeri, já pegando o celular.

— Ninguém mandou você ser parecido com esse Din San!

— Olha o Aurélio Fofoca que fez o post do primo Lee San saindo do aeroporto, falando que Din San está no Brasil!

— Mas ele não está! — responde Lee San, quase chorando.

Gilmar aparece com um pacote de balas e fala:

— Girmar...Ô loco! Tanta mulher lá embaixo!

— Gilmar... E eu sem uma! — reclama para Kasu.

— Kasu... Um dia você encontra a tampa da sua panela, mesmo que seja furada. E se não encaixar, a gente dá um jeito com fita isolante emocional!

—Girmar... Esse aí é o seu primo, Lee San?

— Kasu...Sim, Gilmar, esse é meu primo.

—Gilmar... Cara, você nem precisa passar mel... as mulheres caem em cima de você! É a cara do Din San!

— Fazer o quê, se sou bonitão! — diz Lee San, jogando charme.

— Genética da família! — completa Kasu, dando risada.

— Vou sair pelos fundos até... — diz Lee San, já se escondendo atrás da cortina.

— Se cuida! Bom encontro! — responde Kasu.

— Rosemeri, faz um cafezinho aí! — pede Gilmar, folgado como sempre.

— Ô rapaz folgado... não, mas eu faço porque estou na casa do Kasu!

—Kasu...Gilmar, você faz os sandubas!

—Gilmar... Pode deixar, brother!

Gilmar começa a montar os sanduíches com pão amanhecido e mortadela gourmet.

Rosemeri traz o café e diz:

— Tá fraco, mas é de coração.

Kasu observa a bagunça e fala:

— Esse apê virou cenário de dorama com trilha sonora de feira!

Gilmar levanta a xícara e brinda:

— Ao contrato de coração!

Kasu pisca e diz:

E assim foi mais um capítulo do dorama... com beijo de Rosemeri com gosto de tutifrute e gritaria no condomínio do apê !

Capítulo 11: Noite Inesquecível

Depois do fuzuê da invasão no condomínio do apartamento, Kasu está na sala assistindo um filme com Rosemeri: o clássico nostálgico Esqueceram de Mim.

— Será que o primo Lee San está vivo? — pergunta Kasu, com a pipoca na mão. — Ele pode estar dizendo: “Elas esqueceram de mim!”

— Acho que sim, meu amor. Ele sobreviveu aos ataques das fãs enlouquecidas por Din San — responde Rosemeri, com cara de quem já viu esse filme três vezes.

— Aurélio Fofoca fez mais um post! — diz ela, com o celular na mão.

— Qual foi o post dessa vez? — pergunta Kasu, já esperando mais confusão.

— Din San, para não ser visto, fugiu de helicóptero pelos fundos!

— Tá mais pra aviãozinho de papel na cidade — responde Kasu, rindo.

Enquanto isso, Lee San está escondido atrás da caçamba de lixo.

— Credo, tô fedendo a peixe cru! — reclama, tampando o nariz.

O celular dele toca.

— Alô? Bombom Roche? Já estou a caminho da sua casa!

— Vou te esperar daquele jeito — responde Rochele, com voz de novela mexicana.

— Que jeito, Bombom Roche?

— Ora, usa sua imaginação... como você gostaria de me ver no primeiro encontro?

— Toda bonita e cheirosa! — responde Lee San, tentando parecer galante.

— Estou mais que isso, meu amor. Estou bonita e fogosa, pronta pra subir pelas paredes!

— Entendi... tipo mulher-aranha!

— Não demora, Lee San... meu Din San!

— Não vou demorar. Essa Bombom Roche é doida que só! — diz ele, ajeitando o cabelo e saindo da caçamba como quem sai de um bunker.

Enquanto isso, Kasu continua comendo pipoca.

— Kasu, vem até meu quarto um pouco. Quero te fazer uma surpresa — diz Rosemeri, com voz misteriosa.

Kasu entra no quarto e vê Rosemeri com uma linda lingerie.

— Quer tirar? — pergunta ela, com olhar provocante.

— Eu deixo... — responde Kasu, já suando.

— Assim eu perco o juízo!

— Então vamos perder esse juízo juntos, meu amor — diz Rosemeri, fechando a porta com estilo de novela das nove.

— Fazer o quê... hoje não tem pra onde correr. Ainda bem que tenho camisinha! — responde Kasu, já se preparando pra virar protagonista.

Lee San chega na casa da Rochele.

— Deve ser aqui... — diz ele, batendo na porta. — Ô de casa!

— Pode entrar! — responde Rochele.

Lee San entra e pergunta:

— Cadê você, mulher?

Ela aparece com um look de Rainha de escola de samba.

— Gostou?

— Está linda! Brilhando mais que carro encerado em desfile!

— Quis fazer essa surpresa pra você. Vamos sambar juntos! Pode chegar mais perto. Eu não mordo... eu devoro!

— Que brilhantina é essa no seu corpo? Não escorrega não?

Rochele encosta e fala:

— Coloca a mão no meu pandeiro, homem! Hoje sou sua mulher furacão!

De repente, Marmota abre a porta:

— Eita! O Din San é namorado da minha irmã? Eu não sabia! Me dá um abraço, chapa! Vamos tirar uma selfie!

— Com licença, Bombom Roche... beijos, tchau! — diz Lee San, já fugindo pela porta.

— Você estragou meu encontro, Marmota! Estava tudo dando certo!

— Foi mal... da próxima vez você me avisa que vai ter encontro caliente!

— Eu quase ia conhecer as curvas da Bombom Roche... mas o irmão aparece, aí complica! Agora é voltar pro apê — lamenta Lee San, com cara de quem perdeu o último pastel da feira.

Horas depois, no condomínio do apê...

— Rosemeri, que energia, hein! — diz Kasu, jogado no sofá.

— Meu amor, esse foi só o primeiro tempo. Vamos dar um intervalo!

— Até o final do dorama, vou ter noites incríveis por ter assinado esse contrato... então aguardem os próximos capítulos! — diz Kasu, piscando pra câmera imaginária.

Capítulo 12: O Sequestro do Primo Galã

Era meia-noite. Kasu, depois de estrear sua camisinha num romance caliente com Rosemeri no quarto, estava concentrado na sua página da HQ Guerreiros Girais.

Ele suspira e fala:

— Pra aguentar a Rosemeri tem que ter energia de um guerreiro... senão não dá conta do recado!

Enquanto isso, na avenida de Copacabana, o primo Lee San ainda recordava bons momentos com Rochele, mesmo sabendo que Marmota atrapalhou o encontro com a irmã dele, a Bombom Roche.

Lee olha pro relógio e reclama:

— Cadê esse Uber que não vem? Será que enguiçou?

No Rio de Janeiro, a noite é meio estranha: bêbado mijando na parede, mulher correndo atrás do marido com facão, e o garçom filosofando sobre política.

Mas fora isso, tem gente trabalhadora — alguns não tão exaltados assim.

De repente, Jonas dirigindo o carro fala:

— Mermão, tiramos a sorte grande!

Tustão responde:

— Rapa, é aquele ator de dorama... o Gin San!

— É Din San, não Gin San! — corrige Jonas.

— Vamos dar carona pro astro. Ele deve estar esperando o Uber. Isso vale uma nota!

— Vai pro banco de trás e finge ser passageiro.

— Pode deixar! — diz Tustão, já se ajeitando como figurante de novela.

Horas depois, Lee San vê o carro e fala:

— Agora é o Uber!

— Aqui quem pediu o Uber? — pergunta Jonas, com sorriso de quem já viu três temporadas de dorama.

— Sim, obrigado! Estou perdido nesse fim de mundo — responde Lee, entrando no carro sem olhar a placa.

Tustão fala:

— Tem mais gente pra entrar nesse Uber!

Jonas, o motorista, responde:

— Vamos ver na corrida!

O carro parte. Lee começa a desconfiar do sorriso do motorista e manda mensagem pra Kasu:

— Socorrooo! Kasu, chama a polícia! Estão me sequestrando!

Ele envia o GPS.

Kasu, com biscoito na mão, fala:

— Caramba! Sequestraram meu primo achando que ele é o Din San!

Ele envia o GPS pra delegacia pelo grupo do condomínio.

Delegado Alves grita:

— Sigam esse GPS! Não percam de vista! Tem um rapaz em perigo!

A viatura sai em disparada.

Tustão fala:

— Acelera, Jonas!

Jonas olha pelo retrovisor e vê as viatura policial atrás.

Lee San, com reflexo de filme de ação, dá um golpe de karatê em Tustão, que desmaia com cara de quem viu o Bruce Lee.

— Para esse carro velho, senão eu mesmo te prendo! — grita Lee.

— Seu polícia, eu quero ir preso não! — responde Jonas, em pânico.

Ele vira o carro dando cavalinho de pau, o pneu fura, ele abre a porta e sai correndo.

Lee pega um guarda-chuva que achou no carro da vó do Tustão e dá uma guarda-chuvada em Jonas.

Depois, aplica um kata samurai e imobiliza o sujeito como se fosse final de campeonato.

Kasu, pela TV, acompanha o jornalista Ribeiro entrando ao vivo:

— Minha gente do Jornal Carioca, Din San está dando um cascudo no malandro que queria sequestrar ele!

Nesse momento, a polícia chega e as fãs gritam com cartazes:

— Bate nele, Din San! Bate nele, Din San!

Kasu, comendo biscoito recheado, fala:

— Meu primo é o verdadeiro Bruce Lee! Karatê tarja preta!

Rosemeri chega correndo:

— Kasu, olha! Seu primo tá ao vivo!

— Eu sei, meu amor. Ele é um astro!

Marmota, olhando pra TV, comenta:

— Caramba! É o tal Din San! Ih, deu ruim pros malandro!

Na casa da Rochele, Gilmar fala:

— O cara é fera no karatê!

Rochele responde:

— Além de bonito, é bom no karatê. Pode ser meu namorado e segurança!

A repórter Camila, ao vivo, pergunta:

— O que você tem a dizer, Din San?

Lee pega o microfone e fala:

— Meu nome é Lee... Lee San, não Din San! Ficou claro agora?

— Agora deixa eu ir, o táxi chegou!

Kasu comenta:

— Esses malandro vão pensar duas vezes antes de sequestrar um japonês!

Rosemeri pergunta:

— É verdade... você sabe karatê?

— Eu só sei desenhar e te namorar. Tá bom pra você?

— Claro, meu amor. Qualquer coisa, a gente contrata o primo Lee como segurança!

— Sim, mas agora é o momento do beijo!

Eles se beijam com trilha sonora imaginária de dorama.

Kasu olha pra câmera invisível e diz:

— Até o próximo capítulo desse dorama... poís nesse Capítulo teve ação sequestro, guarda-chuvada e beijo de contrato de coração!

Capítulo 13: O Contratodo de Coração de Armando

Depois de tanta confusão, o primo Lee San abre devagar a porta do apê e vê Kasu e Rosemeri dormindo no chão da sala, abraçados como dois bonecos largados depois de festa.

Lee San coça a cabeça e comenta:

— Eita, o Kasu fez festinha quente com a Rosemeri essa noite... vou cair na cama antes que o galo do apê cante de novo.

A noite passa, o dia amanhece.

Kasu acorda com cara de quem lutou contra três travesseiros e perdeu:

— Rosemeri, bom dia! Faz um café pra nós... tô fraco, preciso de energia igual os Guerreiros Giraia!

Rosemeri, ainda enrolada no cobertor, responde:

— Ainda tá cedo, Kasu... vamos dormir mais um pouco.

Kasu se levanta:

— Jeito é eu ir comprar pão e fazer café. O galo já cantou três vezes! Primeira vez que vejo um galo de apê... o da vizinha Lurdes canta com eco de liquidificador!

Depois de escovar os dentes, Kasu olha pra Rosemeri e suspira:

— Parece uma princesa dormindo... já acordada, uma mulher furacão. Aja vitamina de caju pra aguentar!

Lee San aparece com cara de ressaca moral:

— Bom dia, Kasu. Pelo jeito sua noite foi boa, hein?

Kasu responde:

— Fervendo a água do café e o romance também. Amor caliente em dorama, sabe como é!

Lee San se joga no sofá:

— Já eu quase fui sequestrado, confundido com o Din San. Teve até jornalista e repórter!

Kasu, passando o café, comenta:

— Sim, primo Lee. Você parecia astro de Kungfusão! Tinha plateia gritando: “Bate nele, Din San!”

Lee San revira os olhos:

— Nem me lembra... nem dormi direito essa noite.

Kasu pergunta:

— E o encontro com a Rochele?

Lee San suspira:

— Tava indo bem... até o irmão dela chegar. Eu tava com a mão no pandeiro dela, ela linda de Rainha de Bateria...

Kasu ri:

— Caramba! Pena que o Marmota estragou tudo. O encontro não deu samba!

—Lee: Nem me fala...

—Kasu: Vai buscar pão pra nós, então!

—Lee: Já tô indo. Capricha no café!

—Kasu: Caprichei! Tá forte pra acabar com a ressaca da Rosemeri. Ô mulher que dorme!

Rosemeri,no chão da sala , grita:

— Tô ouvindo, amor!

Kasu dá risada:

— Sinal que o cheiro do café tá bom, hein, sua dorminhoca!

De repente, Gilmar chega com o rádio ligado no último volume:

“Só as cachorras, rururu... as preparadas, rururu... as poposudas,rururu Apê todo!”

O apê inteiro vibra como matinê de domingo.

Gilmar desliga e diz:

— Um, dois, três... bom dia, Kasu! Gostou do funk das antigas? Dei uma repaginada com inteligência artificial!

Kasu pergunta:

— É o Bonde dos Boladões?

— Não, Kasu! É o Bonde do Tigrão, mano! Mó sucesso dos anos 2000!

— Kasu: Essa nova versão tá boa pra baile no apê!

—Gilmar: Pode crer! Com cervejinha, lindas minas dançando até o chão, chão, chão!

—Kasu: Gilmar, agora deu pra ser MC?

—Gilmar: Não tinha pensado nesse talento... acho que vou deixar de ser vendedor de bala no metrô.

—Kasu: A clientela anda fraca?

—Gilmar: Acho que enjoaram da bala da Chica...

Rosemeri aparece com escova de dente:

—Rosemeri: Gostei do som, Gilmar! Se virar cantor, quero ser uma das dançarinas. Mas sem plágio, viu? Faz sua própria letra!

—Gilmar: Sim, Rosemeri! Essa é versão caseira, só pros amigos!

De repente, Armando aparece na porta do apê com cara de novela das nove:

—Armando: Rosemeri, quebra esse contrato com o Kasu e fica comigo! Assina esse contrato de coração!

Rosemeri, escovando os dentes, responde:

— Rala daqui, Armando, seu galinha! Meu contrato de coração é com o Kasu e não tem volta!

Gilmar entra na cena:

— Rala, mano!

Rosemeri grita:

— Kasu, solta o pit bull!

Kasu aperta o botão sensor do celular e ativa o sensor:

— Pega, Rexxx! Raaaaarrr! Au! Au!

Gilmar cai na risada.

Armando, em pânico:

— Tá bom, não solta o cachorro não! Rasga o contrato!

Sai correndo como se tivesse visto o cachorro mostro da sessão de suspense da meia-noite.

Rosemeri suspira:

— Só assim pra ter paz!

Kasu comenta:

— Esse sensor de cachorro com inteligência artificial é incrível!

Lee San entra com cara de quem perdeu o episódio:

— Perdi alguma coisa?

Rosemeri responde:

— O louco do Armando querendo que eu volte com ele, assinando um contrato de coração!

Kasu diz:

— Deu fome...

Gilmar entra, dessa vez sem som:

— Os vizinhos tão dormindo...

— Tudo bem, mano. Vamos pra mesa do café.

Kasu olha pra câmera imaginária e diz:

— Assim foi mais um capítulo desse dorama! Teve funk do Gilmar, Armando querendo que Rosemeri assinava o contrato de coração, e claro... nosso amor falando mais alto!

Até o próximo capítulo! 

Capítulo 14 penúltimo Capítulo: Contrato Rasgado, Pedido de Noivado

À noite, Kasu fica pensativo no sofá, olhando pro teto como quem conversa com as estrelas.

— Vou rasgar o contrato do coração... mas por uma boa causa. Vou pedir a Rosemeri em noivado. Parece cedo, mas o tempo que fiquei com ela já dá pra juntar as escovas de dentes.

Lee San entra e escuta:

— Isso aí, primo Kasu! E quando vai ser? Quero ser padrinho do casório!

— Hoje mesmo! Fica tranquilo, você e a Rochele vão ser os padrinhos.

Lee San sorri:

— Que legal! Tô pensando em levar a Bombom Roche pro Japão.

Kasu alerta:

— Será que ela vai aceitar? Só não esquece que o Marmota, irmão dela, vai junto.

— Tinha me esquecido! Ela não larga o irmão... quem sabe ele arruma uma namorada lá no Japão.

Kasu ri:

— É mais fácil o Marmota querer entrar pra Yakusa do que casar. Ele é o solteirão inviqueto... mas tudo pode acontecer.

— Verdade, hein!

Gilmar chega com sacolas na mão:

— Kasu, as carnes de primeira que eu comprei! Então é hoje que você vai noivar com a Rosemeri?

— Sim! Olha ela aí!

Rosemeri entra:

— Hoje o quê, Kasu?

— Que vamos comer picanha! Tava em promoção.

Gilmar comenta:

— Picanha com gosto de fraldinha ou acém...

Rosemeri ri:

— O importante é o churras da despedida do Lee San.

— Isso mesmo! Capricha no tempero, Gilmar, daquele jeito que só você sabe.

— Pode deixar!

Lee San, no telefone, fala com Rochele:

— Hoje é a despedida! Vai ter churrasquinho no apê do Kasu. Sua presença é importante!

Rochele responde:

— Já vai, Lee? Pensei que ia ficar mais...

— Tenho que voltar pro Japão. Quer ir embora comigo?

— Sim, mas tenho que levar o Marmota.

— Tudo bem. Qualquer coisa a gente esquece ele no avião.

— Isso não! Ele é seu cunhado!

— Brincadeirinha!

Marmota, na casa da Rochele, grita:

— Manda um abraço pro Lee! Aceitamos ir no churrasco! Já vou arrumar minhas malas!

— Escutou, Lee?

— Com certeza! Arruma a sua também!

— Vou arrumar ainda hoje!

No apê, Kasu comenta:

— Virou paixão! Meu primo e a Rochele... e ainda vão levar o Marmota de encomenda!

Kasu canta:

— Que sejam felizes... enquanto dura esse amor, que dure pra sempre!

Rosemeri, abraçada com ele no sofá, diz:

— Primeiro churrasco juntos em amor!

—Kasu: Já tava na hora de comer um churras a dois!

Eles se beijam.

Gilmar entra:

— Falta eu arrumar uma gata!

Vó Natália chega:

— E ai do churrasco... aceita uma coroa do dinheiro?

Kasu alerta:

— Cuidado com o que vai falar, vovó! O Gilmar depois de bêbado não é o mesmo... costuma ficar até com a vovó e depois nem lembra!

—Gilmar: Me desculpa, Vó Natália! A senhora não faz meu tipo, mas te considero como minha vó.

—Vó Natália: Ainda bem! Me livrei de um novinho!

Horas passam, a noite chega.

— Kasu, tá da hora o tempero da carne! — diz Gilmar.

— Que bom! Hoje tem que dar tudo certo.

— Vai dar certo sim, meu irmão!

Rosemeri comenta:

— Olha o primo Lee, todo arrumado! Parece galã saindo do intervalo da novela pra encontrar fã no restaurante!

— Verdade! Sou bonitão!

Vó Natália alerta:

— Bombom Roche que não cuide dele, sempre vai ter umas de olho grande!

Rochele chega:

— Eu cuido sim, Vó Natália! Vou cuidar tão bem que tô indo pro Japão com ele. Oi pra todos!

— Eu vou junto! — grita Marmota. — Já tô com as malas!

Rosemeri diz:

— Felicidades pra vocês!

—Rochele: Obrigado, Rosemeri! Cuida bem do Kasu!

—Rosemeri: Vou sim!

Gilmar comenta:

— Olha só o Marmota, do Brasil pro Japão!

— Mas tô preocupado... — diz Marmota.

—Gilmar: Com o quê, mano?

—Marmota: Como vou conquistar freguesia japonesa com as balas da Chica no metrô sem falar japonês?

—Gilmar: Leva um som cantando música japonesa! Tipo: “Falando, conquistando os clientes em japonês!”

— Pô, meu irmão! Verdade! Vou fazer com IA!

—Gilmar: É isso aí! Depois grava um vídeo e manda pra mim no Brasil!

—Marmota: Pode crer!

Kasu pergunta:

— Como vão, Rochele e Marmota?

— Vamos bem!

— Já estão até com as malas?

— Sim! Embarcamos amanhã cedinho.

Kasu pega o copo, bate com a colher e chama atenção:

— Atenção, minha gente!

Ele chama Rosemeri, ela levanta.

Kasu se ajoelha.

—Rosemei: O que tá fazendo, Kasu? Tem outra?

—Kasu: Tô rasgando o contrato... mas por uma boa causa. Rosemeri, aceita se casar comigo?

— Rosemeri:Claro que aceito!

Kasu pega a caixinha com as alianças, abre com cuidado e diz:

— Rosemeri, agora é oficial.

Ele coloca a aliança no dedo dela com mãos trêmulas de emoção.

Rosemeri, sorrindo, pega a outra aliança e diz:

— Agora é minha vez, Kasu.

Ela coloca a aliança no dedo dele e completa:

— Pronto, estamos selados no contrato mais importante: o do coração!

Gilmar, emocionado, comenta:

— Isso aí, casal! Aliança no dedo e churrasco na mesa!

Vó Natália sorri:

— Que seja eterno enquanto dure... e que dure pra sempre!

Eles se beijam.

Lee San grita:

— Rochele, vem assinar o contrato de coração!

—Rochele: Vou sim!

Marmota se mete:

— Deixa eu conferir o contrato... pode assinar! Eu tô no contrato como cunhado. Não vão me deixar pra trás!

Lee San beija Rochele.

—Kasu: Pose pra foto!

Lee e Rochele sorriem.

Kasu:Gilmar liga o som no bom pagode.

Kasu olha pra Rosemeri:

—Kasu: Já tá na hora de juntar as escovas!

__Rosemeri: Sem Kasu meu amor!

Vó Natália diz:

— Seja bem-vindo à família, Kasu! Respeita minha neta!

—Kasu: Pode deixar, Vó Natália!

Ele olha pra câmera imaginária e diz:

—Kasu: Esse foi mais um capítulo do dorama Contrato de Coração. Aguarde o último capítulo!

Capítulo 15 – Final: Do Contrato ao Casamento

Kasu acorda animado, estica os braços e fala:

— É hoje o grande dia! Dia de afogar o ganço na lua de mel e de Rosemeri puxar minha gravata pelo colarinho dizendo: “Casado não pode trair, meu bem. Se casou, tem que estar casado!”

Gilmar entra com sacolas:

— Kasu, já tô levando os refrigerantes pra festa. Você não quer ver ninguém bêbado, né? O pessoal da comilança já tá lá!

— Kasu:Beleza, meu irmão!

—Gilmar: E a lua de mel, vai ser onde?

—Kasu: No apê mesmo. Sai mais barato!

Gilmar dá risada:

— Esse Kasu não quer gastar!

—Kasu: Casamento custa caro, mas um dia a gente viaja... quando completar dois anos de casado!

Rosemeri, por telefone, fala com Vó Natália:

— Vó, nem acredito que vou casar com o Kasu! Quem diria... a vizinha que emprestou açúcar no apê 303 tá casando hoje!

—Vó Natália: Casa logo e faz um meninão pra deixar o Kasu feliz!

—Rosemeri: Ou uma meninona, quem sabe!

—Vó Natália: Quando casei com seu avô, dois meses depois já tava com barrigão. Parecia gêmeos!

Rosemeri dá risada:

— Deixa eu ir pro salão, vó. É o dia da noiva! Tchau!

—Vó Natália: Tchau, sua danada!

Lee San, Rochele e Marmota chegam no Rio de Janeiro.

— Enfim chegamos! — diz Rochele.

— É aqui que tudo começou, meu amor! — responde Lee San.

— Comendo biscoito da Chica... e continuou ainda melhor no Japão! — comenta Marmota.

—Marmota: Hoje Rochele vai ser mãe, e eu tio!

—Rochele: Quem diria que eu e o Kasu iríamos ser primos!

__Rochele:Lee San pega as malas:

—Lee: Afonso, leva aí!

—Afonso:Levo sim, senhor Lee. Senhorita Rochele.

—Marmota: Olha as minas, Afonso! Me acena com a mão, tô com dente de ouro. Tem que tomar cuidado com os trombadinha!

—Afonso: Tem muito, senhor Marmota...

Gabriela sai do carro:

— Mi amore, es muy bello y rico el Rio de Janeiro!

—Marmota: Traduz aí, Afonso!

—Afonso: Sua namorada tá dizendo que o Rio é lindo. Mas tem que praticar espanhol, hein!

—Marmota: Vou me comunicar com ela pelo tradutor de IA!

—Marmota: Antes, eu e o Gilmar vendíamos bala da Chica aqui.

—Afonso: Você foi esperto de mudar pra biscoito japonês!

—Marmota: Tive que manter o nome “Chica”, senão Dona Chica me processava. Mas em breve vai se chamar “Biscoito Roche”!

— Creo que esto va ser mucho bueno, mi amore! — diz Gabriela.

—Marmota: Desliga, Gabriela, ou muda o idioma!

Afonso ri:

—Marmota: Tá difícil entender a Gabriela... namorando já é confuso, imagina casando!

—Marmota: Tá cedo pra isso...

—Gabriela: No! No! En breve quiero ser tu noiva como Rochele su hermana estas de Lee !

—Marmota: Peraí, deixa eu digitar... entendi!

—Marmota: Entiendo un poquito!

No apê, Kasu sai da banheira:

—Kasu: Que banho delicioso! Tirei o dia do noivo. Banho de banheira é bom demais!

Ramon, o estilista, entra:

— Kasu, aqui está sua roupa. Escolhi um look que vai cair bem!

—Kasu: Tudo bem, seu Ramon, mas tô na hora do noivo. Não entra no banheiro não!

Ramon, com a mão na cintura:

— Fique tranquilo, Kasu. Quem tem que ver o que o senhor tem é a Rosemeri!

Kasu sai do banho:

— Bora colocar o look!

—Ramon: Tá linda a igreja. Boa sorte no casório!

—Kasu: Valeu pelas dicas!

Na casa da noiva, Ramon chega:

— Vamos arrumar esse cabelo pra combinar com o look!

Vó Natália acende um charuto:

— Hoje é festa!

—Ramon: Não fumo, senhora...

—Vó Natália: Mas gosta de caviar? Nunca vi nem comi, só ouço falar!

—Ramon: A senhora é divertida!

—Nó Natália: Você entende mesmo dos looks. Fiquei dez anos mais jovem!

—Ramon: Agora vem comigo. Hoje é o dia mais feliz da sua neta!

—Vó Natália: Meu também!

Na igreja Perpétua Socorro, Kasu observa os convidados: primos, primas, tios, conhecidos...

As horas passam. Todos se levantam. A marcha nupcial toca.

— É hoje, Kasu! — diz Lee San.

Rochele se emociona ao ver Rosemeri.

Gabriela também.

Gilmar sorri de felicidade.

Marmota distribui biscoito.

Padre Bento, cochilando, comenta:

— Ela tá andando muito devagar...

Tio Sebastião entrega a mão de Rosemeri a Kasu, sorrindo e pensando no Japão.

Padre Bento começa:

— Estamos reunidos por um contrato de coração entre Rosemeri Alves e Kasu Sochymu.

— Kasu, você aceita Rosemeri como sua legítima esposa, amando e respeitando até o último dia de suas vidas?

— Aceito!

— Rosemeri, você aceita o Kasu, amando e respeitando até o último dia de suas vidas?

— Aceito!

— Se alguém for contra esse casamento, fale agora ou cale-se para sempre!

Silêncio total.

De repente, Armando aparece:

— Eu tenho algo a dizer... Viva os noivos!

Sai correndo da igreja.

— Então viva o nosso amor! — diz Kasu.

— Que dure para sempre! — responde Rosemeri.

Na saída da igreja, Kasu olha para a câmera imaginária e diz:

— É assim, com a nossa felicidade, que termina esse dorama.

Vamos festar, pessoal!

Todos saem da igreja dançando ao som do pancadão.

Agradeço a todos que acompanharam essa história.]

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