Família Drack
Melissa Drack, a vampira paulistana, desperta todos os dias se achando irresistível, comparando-se à diva da revista SexiVamp, a lendária Vampira Elvira. Mas sua vida amorosa nunca é simples: sempre aparece algum homem querendo “mais açúcar do que tem no pote”.
Esperta e exigente, Melissa não se contenta com qualquer mortal. Ela sonha em conhecer um verdadeiro homem alfa, inteligente, poliglota, fala (inglês, espanhol, japonês e mandarim) e, acima de tudo, cavalheiro. Enquanto isso, o peão Jorge Fonseca, que está nos contatos de seu WhatsApp, tenta ser galanteador… mas acaba dando bola fora e virando motivo de risada na mansão Drack.
Observação: Está história de Contos Curtos é uma história recomendada para maiores de 16 anos.
Contém linguagem sugestiva, humor irreverente e situações voltadas ao público juvenil-adulto.
História criada escrita por Edivaldo Lima.
Contos Curtos
A Vampira que não envia Nuds.
Gênero: comédia sobrenatural, comédia besteirol.
Personagens dessa história: Melissa, Tio Trigo, Raí irmão, Jana (múmia empregada), Jorge Fonseca (peão), Charlene (amiga).
[Mansão dos Drack 7h00 da manhã
Amanhecia em São Paulo. O tempo estava nublado e sombrio pela manhã, e a garoa fina convida os leitores para acompanhar mais um conto sitcom do episódio de sitcom Família Drack.
Melissa acorda e se olha no espelho:
— Nossa, como estou gostosa… estou parecendo a Diva Elvira Vampira da capa da revista SexiVamp.
(Celular toca: tlim!… tlim!…)
Melissa (atendendo):
— Alô! Quem fala dessa cidade de São Paulo, terra da garoa? Aqui é Melissa, a vampira que procura por um homem Alfa, cavalheiro, que fale inglês, japonês, espanhol e mandarim… e que saiba me fazer ruivar no edredom.
Jorge Fonseca (tentando ser galã, com sotaque caipira):
— Ô cara muié… um peão como eu pode fazê ocê ruivar, sim, uai! E se for preciso, aprendo tudim no Google Tradutô… inglês, japonês, espanhol, mandarin… o que ocê quiser, eu dou conta, sô!
Melissa (sorrindo):
— Nossa, Jorge Fonseca… você estava sumido! Ainda está usando aquela colônia Jequiti do Celso Portiolli? Esse seu traje de peão, junto com essa colônia, faz eu me derreter todinha…
Jorge Fonseca (coça o queixo, com sotaque caipira):
— Essa colônia, Melissa… faz esse peão ficá cheroso, uai! Conhecê muié como ocê faz o coração de peão acelerá… Já vez o nuds do dia?
Melissa (dando risada):
— Então, Jorginho… o nuds é só depois do casamento. Você já deu bola fora! Não sou oferecida igual as do job. Minha perseguida vampira é sinônimo de amor conjugal.
Jorge Fonseca sorri
Jorge Fonseca (coça o queixo):
— Ocê é uma muié diferente das outra que já conheci nas festa de rodeio lá em Barretos, uai…
Melissa (pensando, lixando a unha):
— Então, Jorge… pra fazer amor comigo tem que ser algo sério. Senão o homem fica na Mariquinha e na Maricota… você sabe: peão com a direita e com a canhota.
Jorge Fonseca (se despede, coçando o chapéu):
— Grato por proseá, mas agora vô cuidá das vaca lá na fazenda… espero um dia laçá ocê, uai!
(Tum!... Tum!... — som de passos se afastando)
Melissa (sorri, debochada):
— Não sou vaca pra ser laçada… esses peão vive confundindo vaca com muié morcego!
Enquanto isso, na sala…
Tio Trigo lia com atenção o livro intitulado “Sagradas Biatas”.
Tio Trigo (pensativo, em voz baixa):
— Mulher biata não sai da igreja… e ainda traz padre para dentro de casa. Isso é sinal de que eu, como vampiro, vou me deparar com banho de água benta todos os dias.
Raí aparece comendo pão de soja, acompanhado de vespa açucarada.
Raí (curioso, debochado):
— O que o senhor está lendo aí, tio Trigo? Algum livro de conselho amoroso… ou uma biografia da Elvira Vampira, quando ela ainda era virgem?
Tio Trigo se vira, lembrando da última revista da Elvira Vampira na “Sexivamp”.
Tio Trigo (sério, mas com um sorriso nostálgico):
— Não, meu sobrinho Raí. Estou lendo o livro intitulado Sagradas Biatas. Mas me lembro bem da Elvira Vampira dançando no pole dance lá na cidade de Castlevania, na boate Loucas Vampiras.
Raí imagina a cena, arregalando os olhos.
Raí (espantado):
— Caramba… o senhor tinha quantos anos?
Tio Trigo (sorri, com ar de confissão):
— Eu tinha 16 anos… era apenas um morceguinho virgem, sem pentelhos.
Raí querendo saber mais:
— É… meu pai Nélio ia junto com o senhor para essas aventuras da noite de Castlevania?
Tio Trigo (pensando):
— Seu pai Nélio já era comprometido com sua mãe, Cássia. Ele tinha 17 anos, ela 16. Era namoro de adolescente, onde os pais da família davam conselho: ensinavam o filho homem a se casar e só conhecer a “perseguida” depois do casamento… e a mulher, a só deixar o homem conhecer depois que casasse com ela.
Raí (pensando):
— Caramba, tinha regras assim… Vovô Leopoldo deu conselho bem, pois até hoje ele obedece minha mãe.
Tio Trigo (sorri):
— Na verdade, após casar, meu sobrinho, em milhar de casos é a mulher que manda… ou o homem fica sem transa.
Raí sorri, pensando:
— Ei, pai… você é um vampiro guerreiro. Ainda bem que não existe mais isso hoje. Moramos em São Paulo, onde a garoa fina se mistura com as, jobs e as patricinhas das festas paulistas.
Horas depois Dim!… Dom!..
A campainha toca. É Charlene, a gótica amiga de Melissa, que aparece tomando o vinho da noite anterior.
Jana, a empregada múmia, abre a porta.
Charlene (animada):
— Olá, Jana! Quanto tempo que não nos vemos… tudo bem? Cadê a Melissa?
Jana sorri, olhando para ela beber o vinho.
Jana (orgulhosa):
— Esse vinho é escocês, da década de 1930.
Charlene (sorri, debochada):
— Que nada! Creio eu que seja de Portugal, deixado por Dom Pedro II na casa de Domitila.
Jana sorri
— Acredita que eu perdi esse capítulo do livro sobre Dom Pedro II? A página estava rasgada.
Charlene se vira, debochada:
— Depois eu te empresto o livro sobre o caso. Só não apareceu no Casos de Família porque Portugal ainda não tinha chegado ao Brasil… nem descoberto o Brasil.
Melissa abraça a amiga e olha:
— Caraca, Charlene… você está só o caco, amiga. O que aconteceu com seu cabelo?
Charlene tenta pentear o cabelo:
— Caí dentro da catacumba, agora está empoeirado com cinzas. Estava numa louca transa com o Valdemar do Uber.
Melissa curiosa:
— Por quê? Você não tinha dinheiro para pagar a corrida?
Charlene, comendo tortita de soja com vaga-lumes açucarados:
— Que nada, Melissa! Esse vinho fez eu e o Valdemar ficarmos loucos… acabamos transando. Esse vinho deve ter algum tipo de aroma que faz o homem e a mulher esquecerem do mundo… e fazerem meninos.
Jana olhando a mensagem:
— Ofélio, o lobisomem… meu crush! Ele quer me conhecer, meninas!
Melissa e Charlene se viram.
Melissa observa Jana apaixonada:
— Cuidado, minha empregada múmia… talvez o lobisomem Ofélio só queira uma transa e te fazer ruivar.
Charlene sorri, debochada:
— Se solta e fala: “Me faz ser sua múmia loba, Ofélio!”
Jana tímida:
— Estou indecisa… como me desenfaixar toda e colocar uma lingerie?
Raí escutou a conversa:
— Que você seja feliz, jana… mas ter uma namorada múmia, tirar todas as faixas dela e ver de lingerie… seria um obstáculo meio pervertido.
Jana sorri
__ Obrigada Raí!…
Melissa, comendo tortita de soja com vaga-lumes açucarados:
— Raí, leva eu e a Charlene no clube hoje! Posso sair, não tem sol. Vou aproveitar e levar meu Ray-Ban de proteção.
Raí, olhando o clima no celular:
— Então vamos agora, porque ao meio-dia vai estar 30 graus… e eu não quero virar um vampiro torrado.
Melissa sorriu:
— De fogo já basta a lareira da mansão. Vamos nessa, e vê se coloca um bom som!

