Herdeiros do Cajueiro
Na terra onde o cajueiro guarda segredos e sangue de gerações, três irmãos terão que escolher entre o passado que os moldou e o futuro que pode destruí-los. Herdeiros do Cajueiro, uma história de Novela onde cada raiz tem uma história, e cada escolha tem um preço.
Na fazenda Silva, o velho Raimundo guarda um segredo enterrado sob o cajueiro centenário. Após sua morte, os filhos Luís, Augusto e Serena descobrem que a terra que pisam vale mais do que ouro — ela carrega honra, legado e perigos.
Entre amores proibidos, dívidas antigas e a ameaça do coronel wanderson, os herdeiros terão que se unir para proteger o que é deles por direito. Herdeiros do Cajueiro é uma saga de drama familiar, vingança e redenção, escrita por Edivaldo Lima, que misturam emoção, mistério e raízes profundas.
História criada escrita por Edivaldo Lima.
Histórias de Novelas
história em 20 Capítulos
Gênero: drama familiar, romance proibido.
Personagens principais: Luís, Augusto, Serena, personagens secundários: Raimundo pai, Tereza mãe, coronel Wanderson, Iolanda, capangas Florentino, Almir, Carlos, Dr.Gaspar, Margarida, Alzira, Advogado Gustavo, Advogado Osório, vô Jorge, bisavô barão Alexandre,Zé Bento amigo,avó Isabel, padre Renato,Dr. Henrique, Joaquim agiota,índia Tuane,pajé Baraté
[Capítulo 1 – A Terra de segredos
O sol mal tinha se espreguiçado por trás dos morros quando Raimundo já tava de pé, com o chapéu de palha na cabeça e o olhar perdido no cajueiro velho que ficava bem no centro da propriedade. Aquele pé de caju não era só árvore, era testemunha de gerações, de promessas e de desgraças. Raimundo, homem de mãos calejadas e coração endurecido pela vida, sabia que aquele dia ia ser diferente. Tereza, sua esposa, preparava o café com cheiro forte e pão de queijo fumegante, enquanto os filhos ainda dormiam, cada um com seus sonhos e tormentos.
— Raimundo, ocê num acha que já tá na hora de contar pra eles? — perguntou Tereza, com voz baixa, quase como se temesse que o cajueiro escutasse.
— Num é tempo ainda, muié... Tem coisa que precisa amadurecer, igual fruta no pé — respondeu ele, coçando o queixo e olhando pro horizonte.
Luis, o mais velho, era ambicioso e vivia dizendo que ia vender tudo e ir pra cidade grande. Augusto, o do meio, era mais calado, vivia com os livros e os bichos. Serena, a caçula, tinha o coração do tamanho do mundo e um jeito de ver beleza até nas rachaduras da parede. Mas nenhum deles sabia do testamento escondido, da dívida com o coronel Wanderson, nem da história que envolvia sangue e traição.
Na cidade, o coronel Wanderson, homem de fala mansa e olhar de malandragem ganancia, tramava com seus capangas Florentino e Almir Carlos. Ele queria a terra dos Cajueiros, e não ia medir esforço pra conseguir. Iolanda, sua filha, tinha um passado com Luis, um amor proibido que ainda ardia feito brasa escondida. Gustavo, o advogado, já tinha sido procurado por Raimundo, mas o velho desconfiava de tudo e de todos.
— Pai, eu tava pensando… e se a gente vendesse só um pedaço da terra? — disse Luís, durante o café.
— Ocê tá doido, minino? Essa terra é nossa raiz! — respondeu Raimundo, batendo a mão na mesa.
— Mas e se a raiz tiver podre, pai? — retrucou Luís, com os olhos faiscando.
A discussão foi interrompida por Serena, que entrou correndo com um papel amassado na mão.
— Achei isso debaixo do colchão do vô! Tem nome do Barão Alexandre e umas coisa escrita em letra de advogado Osório bem antiga…
Raimundo empalideceu. Tereza largou a xícara no chão. Augusto se levantou devagar, como quem pressente tempestade. O silêncio que se seguiu foi mais pesado que chumbo.
— Pai… o que é isso? — perguntou Serena, com a voz trêmula.
Raimundo olhou pros filhos, depois pro cajueiro pela janela. E então disse:
— É hora de vocês sabê... mas antes, preciso mostrar uma coisa que tá enterrada lá no pé do cajueiro.
O que Raimundo guarda sob as raízes do cajueiro?
Qual verdade está prestes a emergir da terra vermelha da fazenda Silva?
Acompanhe agora o segundo capítulo dessa saga familiar, onde o passado começa a se revelar…
Capítulo 2 – O Baú de Esmeralda
Naquela manhã, Raimundo saiu pro terreiro com Tereza, sua esposa, e os três filhos: Luís, Augusto e Serena. O céu tava limpo, mas o clima era de tensão. Raimundo caminhou até o pé do maior do cajueiro da fazenda, aquele que parecia guarda segredo de gerações.
— Ocês quer sabê por que eu num quero vendê essas terra? — disse Raimundo, com voz firme. — Pois hoje vão entendê.
Com a enxada na mão, começou a cavar bem rente à raiz do cajueiro. A terra tava dura, como se protegesse algo precioso. Os filhos se entreolhavam, curiosos e inquietos. Tereza observava em silêncio, sentindo que algo importante tava prestes a acontecer.
— Luís, Augusto, Serena... se ocês têm orgulho de carregá o sobrenome Silva, jamais vão vendê essas terra — disse Raimundo, suando enquanto cavava.
A enxada bateu em madeira. Raimundo se abaixou e puxou um baú velho, coberto de terra e tempo. Luís arregalou os olhos.
— Luís: Pai... isso é um baú! — disse ele, surpreso.
— Que seguinifica isso enterrado aqui? — perguntou Serena, com a voz trêmula.
— É riqueza, pai? — disse Augusto, se aproximando.
Tereza cruzou os braços e falou com firmeza:
— Fala, Raimundo. Fala logo o que isso significa pros seus filho pensá bem antes de vendê o que é nosso.
Raimundo abriu o baú. Dentro, envoltas em pano velho, brilhavam esmeraldas verdes como o mato depois da chuva.
— Isso aqui são as esmeralda do bisavô de ocês... o Barão Alexandre de da Silva. Ele enterrou aqui pra proteger a honra da família. E eu guardei esse segredo até hoje.
— Agora ocês vão vendê ou vão dividí? — disse Raimundo, olhando nos olhos dos filhos.
De repente, ele olhou pro horizonte e viu poeira subindo. Um jipe se aproximava rápido pela estrada de terra.
— Olha lá... tem gente chegando. Me ajuda a enterrar de novo, Luís, Augusto! Rápido!
Aquela surpresa do baú fez com que Luís, Augusto e Serena pensassem duas vezes antes de vender as terras da família Silva. Pela primeira vez, entenderam que ali havia mais que chão — havia raiz, honra e história.
Mas será que essa união vai resistir à chegada do coronel Wanderson?
Acompanhe no próximo capítulo: De Olho no Que É Nosso.
Capítulo 3 – De Olho no Que É Nosso
O jipe vermelho parou levantando poeira no terreiro da fazenda Silva. Coronel Wanderson desceu com pose de dono do mundo, chapéu de aba larga e olhar de quem compra tudo com uma canetada. Florentino, Almir Carlos e o quieto Carlos vinham atrás, com cara de quem não veio pra prosear.
Raimundo cruzou os braços, firme, enquanto Tereza saiu da cozinha com o avental sujo de farinha. Luís, Augusto e Serena se aproximaram devagar, cada um com seu jeito de encarar o coronel.
— Boas tarde, Raimundo... e família. Vim pra conversá sobre negócio. Que me diz de vendê essa fazenda por um bom preço? — disse o coronel, com voz melosa.
— Riqueza nenhuma compra as terra de nossa humilde família, coronel — respondeu Luís, com o peito estufado.
Raimundo sorriu de canto, orgulhoso do filho. Augusto, com o olhar sereno, completou:
— Essa terra é de gerações, seu coronel. Num sentimos bem em vendê ela. Como dizia nosso avô Jorge, aqui tem fartura sagrada por vivermos felizes.
Serena, com os olhos faiscando, encarou o coronel.
— Num tem dinheiro que compre, coronel Wanderson, a felicidade que a gente tem aqui.
Florentino tentou quebrar o clima com um sorriso torto.
— Moça é bonita e inteligente...
— Mais num sou para o seu bico, não. Num me envolvo com homem que é capacho de coronel — retrucou Serena, sem pestanejar.
Almir Carlos levantou as mãos, tentando apaziguar.
— Calma, moça... sem braveza. A gente só veio pra conversá.
Raimundo se adiantou, firme como tronco de jatobá.
— É isso aí, filha. Coronel, nós temos mais o que fazer. Com licença.
O coronel olhou em volta, percebendo algo diferente. A família tava unida, com brilho nos olhos e firmeza nas palavras. Ele voltou para o jipe, mas, no fundo, sabia: tinha coisa ali que valia mais que ouro.
Enquanto o jipe se afastava, Raimundo murmurou pra Tereza:
— Ele sentiu… sentiu que tem segredo aqui. E vai voltar.
Naquele dia, a família Silva conseguiu afastar o coronel Wanderson e seus capangas. Mas como todo coronel tem suas artimanhas, é certo que ele vai rondar de novo… e dessa vez, pode não vir só pra conversar.
Acompanhe no próximo capítulo: O Testamento de Raimundo.
Capítulo 4 – O Testamento de Raimundo
Naquela noite, o casarão tava mais quieto que costume. A visita do coronel Wanderson tinha deixado todo mundo com a pulga atrás da orelha. Raimundo, sentado na cadeira de balanço, olhava pro cajueiro como quem conversa com o passado. Tereza veio com um cobertor e se sentou ao lado dele.
— Ocê vai contá pra eles, Raimundo? — perguntou Tereza, com voz baixa.
— Tá na hora, Tereza. O testamento tá guardado faz tempo. E agora que o coronel tá rondando, os menino precisam sabê o que é deles por direito.
Na manhã seguinte, Raimundo chamou Luís, Augusto e Serena na sala. Com o baú de esmeraldas ainda fechado, ele abriu uma gaveta do armário e tirou um envelope amarelado.
— Isso aqui é o testamento que fiz com o doutor Gustavo. Tá tudo escrito: quem herda o quê, e o que cada um tem que protegê.
Luís pegou o papel com cuidado, lendo em voz alta. Os olhos dele foram se arregalando a cada linha.
— Pai... ocê deixou a terra dividida entre nós três. Mas tem uma cláusula aqui... “Nenhum herdeiro pode vendê ou repassá a terra sem o consentimento dos outros dois.”
— Isso mesmo. Pra ninguém se vendê por ambição. Essa terra é nossa raiz. E se um fraquejá, os outro segura.
Serena chorava baixinho. Augusto olhava pro pai com respeito.
— E as esmeraldas, pai? — perguntou Augusto.
— São pra emergência. Se um dia a família tiver em perigo, elas salvam. Mas só se todos concordá.
Tereza entrou com um caderno velho nas mãos.
— E aqui tem a história da família. Desde o bisavô Barão Alexandre até ocês. Pra nunca esquecê de onde vieram.
Os três filhos se abraçaram. Raimundo sorriu, com o coração leve. Mas lá fora, o coronel Wanderson observava de longe, pela porteira com olhos de quem não desiste fácil.
Continua no Capítulo 5: O Homem Que Sabia Demais
Capítulo 5 – O Homem Que Sabia Demais
O sol mal tinha esquentado a terra quando um carro preto parou rangendo na porteira da fazenda Silva. Raimundo, de pé no alpendre, reconheceu de longe: era Gustavo, o advogado que ele procurava meses atrás, mas que até então só prometia e não aparecia. Dessa vez, vinha com uma pasta de couro e um olhar sério, como quem carrega peso de verdade.
— Bom dia, seu Raimundo. Vim pra tratá daquele assunto que o senhor me pediu... — disse Gustavo, apertando a mão do velho com respeito.
— Entra, Gustavo. A hora chegou. Os menino já sabem de tudo. Agora é só botá no papel.
Na sala, Tereza servia café fresco enquanto Luís, Augusto e Serena se sentavam em silêncio, atentos. Gustavo abriu a pasta e tirou o testamento, já redigido com todas as cláusulas que Raimundo exigiu.
— Aqui tá tudo como combinamo. A terra dividida entre os três filhos. E tem a cláusula de proteção: nenhum pode vendê sem o consentimento dos outros dois — explicou Gustavo, com firmeza.
— E as esmeraldas? — perguntou Serena, com os olhos fixos no advogado.
— Estão registradas como patrimônio de emergência. Só podem ser usadas se a família ou a fazenda estiverem em risco — respondeu ele, folheando os papéis.
Raimundo pegou a caneta com mãos trêmulas. Olhou pros filhos, depois pra Tereza, que assentiu com um leve gesto. Respirou fundo e assinou.
— Pronto. Agora tá garantido. Essa terra vai ficá com quem respeita ela.
Gustavo recolheu os documentos e se levantou devagar.
— Mas fiquem atentos. O coronel Wanderson tá se mexendo. Ouvi dizer que ele quer contestá a posse com uns papel velho que achou por aí.
Raimundo franziu a testa, firme como tronco de jatobá.
— Se ele vier, vai encontrá mais que papel. Vai encontrá família unida.
Continua no Capítulo 6: A Sombra do Coronel
Capítulo 6 – A Sombra do Coronel
O dia amanheceu com o céu encoberto, como se até o tempo soubesse que coisa ruim tava pra acontecer. Luís saiu cedo pra ver o gado, mas voltou com o rosto fechado.
— Pai... tem gente rondando os fundos da fazenda. Vi dois homem estranho perto do córrego.
Raimundo apertou os olhos, desconfiado.
— É o coronel. Tá sondando. Ele nunca aceita um “não” sem tentá vir por trás.
Na cozinha, Tereza mexia o angu com força, como se quisesse espantar a tensão. Serena olhava pela janela, inquieta. Augusto, sempre mais calmo, pegou o testamento e releu cada linha.
— Ele pode tentá contestá, mas aqui tá tudo certo. Gustavo garantiu que é firme perante a lei.
Mas Raimundo sabia que Wanderson não jogava limpo. O coronel tinha amigos em cartório, gente que mexia com papel velho e fazia parecer verdade o que era mentira.
Na cidade, Wanderson conversava com um tal de doutor Silvério, um homem de fala mansa e alma torta.
— Preciso de um documento que diga que essa terra nunca foi registrada direito. Se eu tiver isso, boto os Silva pra fora — disse o coronel, com voz fria.
Silvério sorriu.
— Deixa comigo. Tenho uns arquivos antigos que podem servir. Só precisa de um empurrão.
Enquanto isso, na fazenda, Raimundo chamou os filhos.
— Ocês vão ter que ficá firme. Se ele vier com papel, nós mostramos união. Terra sem alma é só chão. Mas terra com família vira fortaleza.
Serena apertou a mão do pai.
— Se ele vier, vai encontrá a gente de pé. E com coragem.
Continua no Capítulo 7: Vozes do Passado
Capítulo 7 – Vozes do Passado
A noite caiu pesada sobre a fazenda Silva. O vento soprava entre os galhos do cajueiro como se sussurrasse segredos antigos, guardados há gerações. Serena, inquieta, folheava o caderno velho que Tereza havia encontrado a dias atrás — o tal que guardava a história da família desde os tempos do Barão Alexandre.
— Mãe... aqui diz que o bisavô Alexandre fez acordo com um coronel chamado Luís, mas depois rasgou o papel e enterrou a cópia perto do cajueiro. Isso é verdade? — perguntou Serena, com os olhos arregalados.
Tereza suspirou fundo, como quem carrega lembrança pesada.
— É sim, minha filha. Seu bisavô num confiava em ninguém. Dizia que papel só vale se tiver alma. Enterrou o documento pra ninguém usá contra nós.
Luís e Augusto se juntaram à irmã, lendo cada linha com atenção. O caderno falava de dívidas, promessas quebradas e uma disputa antiga que envolvia o coronel Luís — avô de Wanderson.
— Então essa briga vem de longe... — murmurou Augusto, com o cenho franzido.
Raimundo entrou na sala, ouvindo tudo em silêncio. Sentou-se devagar e falou com voz firme:
— O coronel num quer só a terra. Ele quer vingança. Quer apagá nossa história. Mas o que ele num sabe é que o passado tá do nosso lado.
Enquanto isso, na cidade, Wanderson recebia um envelope de Silvério. Dentro, um papel amarelado com carimbo antigo e letras quase apagadas.
— Isso aqui pode derrubá o testamento. Diz que a terra nunca foi registrada direito — disse Silvério, com um sorriso torto.
Wanderson sorriu, satisfeito.
— Agora sim. Vou botá os Silva pra fora das terra... e quem sabe até dessa cidade. E vou arrancá aquele cajueiro com raiz e tudo.
De volta à fazenda, Serena olhou pro pai com determinação.
— A gente precisa achá esse papel enterrado. Se ele aparecer com documento falso, nós mostramos o verdadeiro.
Raimundo assentiu, com os olhos firmes.
— Amanhã cedo, vamos cavá perto do cajueiro, onde tá o baú. Se o passado quer falá, nós vamos escutá... e provar a verdade dos Silva.
Continua no Capítulo 8: O Que Está Debaixo da Terra
Capítulo 8 – O Que Está Debaixo da Terra
O sol nem tinha esquentado direito quando Raimundo já tava de pé, chapéu na cabeça e enxada na mão. Luís e Augusto vinham logo atrás, com Serena carregando o caderno velho apertado no peito. O cajueiro, firme e silencioso, parecia esperá eles.
— É aqui mesmo, pai? — perguntou Luís, apontando pro lado onde a raiz se abria feito braço de gigante.
— É. Foi aqui que o vô Alexandre enterrou o segredo. Diz que o papel tá dentro dum garrafão de vidro, escondido perto do baú — respondeu Raimundo, com voz cansada, mas firme.
Tereza veio com uma garrafa d’água e um pano pra enxugar o suor. O clima tava pesado, como se o chão soubesse que coisa grande ia saí dali.
— Vamo cavá com cuidado. Se achá o garrafão, num é só vidro. É nossa história — disse Augusto, começando a bater a enxada.
Depois de uns vinte minutos de escavação, a ponta do baú apareceu. Serena ajoelhou, limpando a terra com as mãos. Mas foi Luís quem bateu a enxada num objeto duro e arredondado.
— Peraí... isso aqui num é madeira. É vidro! — disse ele, cavando com mais cuidado.
Era o garrafão. Enrolado em pano velho, com a boca lacrada por cera. Dentro, dava pra vê um papel amarelado, dobrado com capricho.
— Achei! Tá aqui, pai! O papel do bisavô! — gritou Serena, com os olhos brilhando.
Raimundo se aproximou devagar, mas antes de tocá no garrafão, parou. Botou a mão no peito e cambaleou.
— Pai?! — gritou Luís, correndo pra segurá ele.
—Mãeee!... Corre aqui! — berrou Augusto.
Raimundo caiu de joelhos, ofegante. O rosto dele tava pálido, suando frio.
— Num tô bem... o coração tá apertado... — murmurou Raimundo, antes de desmaiar nos braços do filho.
Tereza ajoelhou ao lado, chorando.
— Meu Deus, Raimundo! Aguenta firme, homem!
Serena segurava a mão do pai, tremendo.
— A gente precisa levá ele pro hospital. Agora!
Luís correu pra pegar o carro. O garrafão ficou ali, meio enterrado, como se esperasse o momento certo pra revelá a verdade dos Silva.
Continua no Capítulo 9: Entre a Vida e o Legado
Raimundo luta pela vida, enquanto o papel escondido no garrafão pode ser a chave pra salvar a fazenda e a honra da família.
Capítulo 9 – Entre a Vida e o Legado
O carro cortava a estrada de terra com pressa, levantando poeira como se quisesse fugir do destino. Raimundo tava deitado no banco de trás, com Tereza segurando sua mão e rezando baixinho. Serena olhava pela janela, tentando conter o choro, enquanto Luís dirigia com o pé fundo no acelerador. Augusto, no banco da frente, mantinha os olhos fixos na estrada, mas o coração tava lá atrás, junto do pai.
— Aguenta firme, pai... — murmurava Augusto, com voz embargada.
Chegando no hospital da cidade, os enfermeiros correram pra atender Raimundo. Tereza ficou do lado de fora, abraçada com Serena, que tremia feito vara verde. O silêncio era pesado, só quebrado pelo som do vento e das lembranças. Luís estacionou o carro e correu pra dentro, enquanto Augusto tentava manter a calma da mãe.
— Vai dá tudo certo, mãe... o pai é forte — disse ele, mais pra si mesmo do que pra ela.
Na sala de emergência, quem apareceu foi o Dr. Gaspar, médico conhecido na cidade, homem sério, mas com um olhar que sempre se demorava um pouco mais quando via Serena. Ele examinou Raimundo com rapidez, mas com cuidado, e logo mandou levá-lo pra observação.
— Ele teve um ataque forte, mas tá estável. Vai precisá de repouso e cuidado. O coração dele tá cansado — disse Gaspar, tirando as luvas e olhando discretamente pra Serena.
Serena agradeceu com um sorriso tímido, mas Gaspar parecia querer dizer mais. Ficou ali parado, olhando pra ela como quem quer oferecer mais que tratamento. Tereza percebeu, mas não disse nada. Raimundo tava vivo, e isso era o que importava.
Enquanto isso, na fazenda, o garrafão com o papel do bisavô Alexandre tava guardado com cuidado. Luís tinha deixado trancado no armário da sala, junto com o caderno velho. A casa tava quieta, mas o cajueiro lá fora parecia vigiar tudo, firme como sempre.
— Esse papel vai salvá nossa história... mas primeiro, que Deus salve nosso pai — disse Serena, olhando pro cajueiro pela janela do hospital, com os olhos marejados.
Augusto caminhava pelo corredor, pensativo. Sabia que Wanderson não ia parar. A briga pela terra tava só começando, e agora, com o pai debilitado, eles iam ter que se unir mais do que nunca.
Dr. Gaspar voltou com os exames. Falou com Tereza, mas olhou pra Serena.
— Ele vai precisá de repouso absoluto. E de gente por perto que cuide dele com carinho. Vocês têm isso, né?
Serena assentiu, mas sentiu o peso da responsabilidade. A luta pela fazenda, o papel no garrafão, o pai no hospital... tudo parecia misturado. Mas uma coisa ela sabia: os Silva não iam abaixá a cabeça.
Continua no Capítulo 10: Confusão e Boa Cachaça
Raimundo agora acamado tenta se recupera, mas a tensão na cidade explode. No bar da Dona Alzira, a honra dos Silva é posta à prova — e nem Zé Bento escapa da confusão.
Capítulo 10 – Confusão e Boa Cachaça
Era final de tarde em Almirante, e o céu já se tingia de vermelho, como se pressentisse o que vinha pela frente. Sousa e Augusto estavam no Bar da Dona Alzira, ainda com o coração apertado pela saúde do pai e pela descoberta do papel escondido na fazenda. Tudo tinha acontecido no mesmo dia, e a cabeça dos dois fervia. Zé Bento, como sempre, tentava aliviar o clima com uma boa dose de cachaça e conversa fiada.
— Espero que nosso pai tenha melhoras, Augusto... aquelas terras valem mais que fortuna de família — disse Sousa, olhando pro copo.
— Vai sim, meu irmão. Só nós ter fé e acreditar em Deus — respondeu Augusto, firme.
— Num desanima, meus amigos. Seu Raimundo é forte que só — completou Zé Bento, ajeitando o taco de sinuca.
Dona Alzira, mãe de Margarida, observava os três com olhos de quem já viu muita dor e muita esperança. Sousa pensava nela, mesmo tendo se envolvido às escondidas com Iolanda, filha do coronel Wanderson — mulher morena, bonita, cabelos lisos, faceira e perigosa. Bastava um olhar dela pra Sousa perder o juízo.
— Dona Alzira... e Margarida? Num recebi mais carta dela — perguntou Sousa, com saudade nos olhos.
— Depois que ocês se largaram, ela num voltou mais de São Paulo. A última carta que recebi, ela perguntou de você. Disse que tava bem, trabalhando de secretária.
— Primeira namorada a gente num esquece, né Dona Alzira? Quem sabe um dia eles volta — disse Augusto.
— E se num volta, vamo continuar jogando sinuca aqui — brincou Zé Bento, arrancando risada dos três. Mas Sousa, por dentro, lembrava do cheiro do cafezal e do calor dos encontros com Margarida.
Dona Alzira olhou pra porta e franziu a testa.
— Olha lá... vem encrenca, rapazes.
Um carro preto parou com estalo seco. Desceram Florentino, Valmir e Carlos, os capangas do coronel Wanderson. Homens que se achavam valente por demais, mas naquele dia, a valentia ia se esfarelá.
— Sousa, viemos te levá até o casarão. A pedido do coronel. Na verdade... viemos te alertá — disse Florentino, com tom de ameaça.
— Alertá sobre o quê? Ocês acham que tenho medo daquele coronel? — retrucou Sousa, firme.
— O coronel quer que ocê decida de uma vez. Quer namoro sério com Iolanda — disse Almir.
— Num fica se escondendo, iludindo a moça — completou Carlos.
— Eu num procuro ela, é ela que vive atrás de mim, dizendo que tá carente — rebateu Sousa, já se levantando.
— Ocê vai com nós agora mesmo — disse Florentino, tentando puxá-lo pelo braço.
Sousa se esquivou e, num relance, acertou um soco seco no rosto de Florentino. Carlos avançou, mas Augusto deu uma joelhada certeira que fez o sujeito dobrá. Almir tentou pegar Sousa, mas Zé Bento empurrou com força e mandou uma armada que fez o capanga tropeçá.
Florentino, furioso, tentou acertar Sousa com outro soco, mas Zé Bento deu uma banda tão rápida que o homem caiu com estrondo.
— Zé Bento! Ocê matou o homem! — gritou Sousa, assustado.
— Que nada... logo ele levanta. Só caiu de orgulho — respondeu Zé Bento, ajeitando o chapéu.
— Acho que agora eles vão embora — disse Augusto, limpando o suor da testa.
Florentino se levantou, cambaleando.
— Vamo embora, Valmir, Carlos... mas ocês num perde por esperá.
Naquela tarde, Sousa entendeu de vez: o coronel Wanderson tava disposto a tudo — até casamento forçado — pra se aproximá das terras da família Silva. E a guerra só tava começando.
Continua no Capítulo 11 – O Encontro no Rio
Iolanda vai atrás de Sousa, sentindo que ele já não a procura como antes. No fundo, ela sabe que o amor que sente por ele é maior do que qualquer ordem do pai, mesmo sabendo que o coronel odeia os Silva com todas as forças.
Capítulo 11 – O Encontro no Rio
O sol já tava se escondendo atrás das árvores, e o rio corria calmo, como se soubesse que ia ouvir coisa séria. Sousa tava sentado numa pedra, com a vara de pesca firme, mas o pensamento longe. O anzol nem se mexia, mas ele fingia esperar peixe. Na verdade, esperava coragem. Desde a confusão no bar, ele não procurava mais Iolanda. E ela, desconfiada, resolveu ir atrás.
Iolanda chegou de mansinho, com vestido leve e os cabelos soltos. O barulho dos galhos denunciou sua presença, mas Sousa nem virou. Ela parou atrás dele, abraçou por trás e falou com voz firme, meio magoada:
— Ô Sousa... por que ocê tá me evintando, homem?
Sousa deu um sorriso de canto, mas sem alegria.
— Tenho meus motivo, mulher... pra ficá longe dos Alcantras. Isso significa ficá longe de ocê e da tua família.
— Como assim, Sousa? Que que aconteceu, homem?
Ela se afastou e ficou de frente pra ele, com os olhos arregalado e o coração batendo forte.
Sousa se levantou devagar, olhou bem pra ela.
— Teu pai queria me levá à força hoje, pra uma conversa séria. Disse que eu num açumo compromisso sério com ocê.
— E num é verdade, homem? Por que num pede minha mão em namoro? Ocê é um froxo, é isso?
Sousa deu um passo pra trás, com o orgulho ferido.
— Acho melhor ocê saí de perto de mim, Iolanda.
Ela arregalou os olhos, virou as costas e saiu caminhando com raiva.
— A cidade toda vai sabê que o filho de Raimundo Sousa é um froxo!
Chegando em casa, Iolanda pegou o telefone com pressa.
— Alô, Florentino? Faz uns planfeto com o nome do Sousa Froxo. Espalha tudo nos poste da cidade. Quero vê se ele tem coragem de aparecê depois disso.
Florentino riu do outro lado.
— Pode deixá, patroa. Hoje mesmo eu, Almir e Carlos vamos fazê isso.
Iolanda desligou e falou alto, como quem manda no mundo:
— Obrigada, Florentino. A pinga é por minha conta lá no bar da Dona Alzira!
Horas depois, já de tarde, os capanga tavam na rua, colando papel em tudo quanto é poste.
“Sousa Silva é um froxo!” dizia o papel, em letra grande.
A cidade começou a cochichar. Uns riam, outros se perguntavam o que tinha acontecido.
Sousa, ao saber da história, ficou parado na porta de casa, com o papel na mão e o sangue fervendo.
Ele sabia que aquilo era provocação. Mas também sabia que Iolanda tava testando o homem que ele era.
E naquele momento, Sousa decidiu que ia mostrá pra ela — e pra cidade inteira — que de froxo ele num tinha nada.
Mas o que Iolanda num esperava... era escutá umas verdade na cara que podia mudá tudo.
Continua no Capítulo 12 – Encontro a Dois e Verdade na Cara
Sousa, ao descobri que Iolanda mandou espalhá papel chamando ele de froxo, resolve tomá atitude. Convida ela pra um encontro a dois, bem debaixo da árvore enorme do cajueiro, onde tudo começou. Iolanda aceita, achando que vai botá moral. Mas ali, ela descobre que de froxo, Sousa num tem nada.
Depois desse encontro, Iolanda escuta umas verdade na cara — e pode tê consequência que nem ela esperava.
Capítulo 12 – Encontro a Dois e Verdade na Cara
Já era noite em Almirante, e Sousa tava com tudo arrumado: lampião aceso, frutas frescas, bom vinho e a viola afinada. O pé do cajueiro ia ser palco de um encontro diferente. Ele olhou pro céu e falou pra si mesmo:
— Hoje essa mulher vai descobri que filho de Raimundo Silva num é frouxo. Vai descobri o que é ser desejada por um homem de verdade.
Horas se passaram, e Sousa foi até o casarão dos Alcantra. Iolanda tinha acabado de saí do banho, com o cabelo ainda úmido e o cheiro doce no ar.
— Vamo comigo pro cajueiro, mulher. Quero te fazê um mimo, uma surpresa.
— Que surpresa é essa, homem? — perguntou ela, curiosa.
— Sobe no cavalo, Iolanda. Ocê vai descobri.
No caminho, Iolanda ia pensando no que Sousa tinha preparado. Ele tava misterioso, calado, só olhava pra frente. Ela, ansiosa, sentia o coração bater mais forte. Ao chegá, ela olhou pro pé do cajueiro e falou:
— Esse pé de cajueiro tem história, viu Sousa? Foi aqui nosso primeiro encontro escondido.
— E vai sê aqui que a história vai mudá — respondeu ele, descendo do cavalo.
Sousa estendeu a mão, ajudou ela a descê.
— Senta aqui, mulher. Prova essa pitanga, essa amora. Tá docinha.
Iolanda sentou do lado dele, encostou a cabeça no ombro. Ele pegou a viola e começou a dedilhar, cantando baixinho:
— No pé do cajueiro nasceu nosso amor... a lua daquela noite foi testemunha... um homem e uma mulher se entrega ao amor... com a bença de nosso Senhor...
Iolanda se emocionou, os olhos brilhando.
— Nossa, que lindo isso, Sousa...
— Podemos bebê o vinho agora? — perguntou ela, sorrindo.
— Claro, mulher. Hoje é noite de brindá.
Eles ergueram as taça, brindaram à lua, que tava bonita demais.
O clima esquentou com o vinho, com a música, com o silêncio cheio de desejo. Eles se olharam, e o beijo veio forte, demorado. Sousa beijou o pescoço dela com carinho, deu umas mordidinha na orelha.
— Sousa... tô toda arrepiada... — disse ela, ofegante.
Ela retribuiu, erguendo a camisa dele, beijando o peitoral. Ele começou a tirar o vestido dela, sorrindo.
— Então a surpresa era essa, seu safado?
Sousa riu, segurou o rosto dela com firmeza.
— Isso é pra ocê nunca mais falá besteira que eu sou frouxo.
— Calma, homem... ocê num é frouxo não — disse ela, com voz baixa.
Sousa puxou o cabelo dela com jeito, colocando ela na posição que ela sempre imaginou.
— Jamais pensei que ocê fosse assim, Sousa...
Eles passaram a noite se amando, com a lua como testemunha e o cajueiro como abrigo. Ao amanhecer, Iolanda acordou com um bilhete do lado da rede:
“Que essa noite fique marcada na sua vida. E que nunca mais ocê chame um homem de frouxo.”
Iolanda foi até o rio, perto da árvore de cajueiro. Olhou pro céu, respirou fundo e falou:
— Jamais esperava isso dele... me surpreendeu.
Deu risada, feliz, com o corpo leve e o coração cheio.
Naquela manhã, Iolanda se sentiu mulher de verdade.
Continua no Capítulo 13 – Manhã de Encontros e tristesas.
Luís saiu de Almirante com o coração cheio de esperança, querendo conhecer São Paulo e, quem sabe, reencontrar Margarida. Mas o destino, esse danado, tinha outros planos... Um acidente virou tudo de cabeça pra baixo. O reencontro virou despedida. E o que era pra ser alegria, virou tristeza das grandes.
Capítulo 13: Manhã de Encontros e Tristezas
Era uma manhã de garoa fina lá em São Paulo. Luís tava sentado numa cafeteria, ainda com o coração apertado depois do encontro que teve com Iolanda lá no pé do Cajueiro. Saiu da cidade deixando só um bilhete pra ela, sem saber que agora Iolanda tá grávida... Ele vai ser pai.
— Êta cidade apressada, meu Deus... Como é que esse povo vive assim? — dizia Luís, olhando as pessoas correndo pelas calçadas da Avenida Augusta.
Mesmo com o coração meio bagunçado, Luís tava alegre por conhecer São Paulo. Mas no fundo, sua esperança era outra: encontrar uma mulher do passado, que marcou demais sua vida. Margarida, filha de Dona Izaura.
— Aquela galega não sai da minha cabeça, não... Tenho lembrança boa demais dela. Nosso namoro lá no rio, sobre as pedra... E também nos cafezais da fazenda. Ô Margarida, seria bom demais te reencontrar, saber como cê tá... Quem sabe até um chamego pra matar a saudade nessa São Paulo de Deus! — disse ele, rindo sozinho.
Foi então que, no meio do movimento da cafeteria, ele avistou... e gritou:
— MARGARIDAAAA!
Ela olhou rápido, sorriu e foi atravessando a rua sem olhar...
Luís se levantou da mesa, desesperado:
— Cuidado, Margarida! OLHA O BOOOOONDE!
Mas era tarde. O bonde passou e jogou Margarida perto de um carro. Luís correu, viu ela machucada no chão.
— Alguém chama a ambulância, pelo amor de Deus!
Desesperado, chorando, ele não conseguia acreditar que uma distração no meio da cidade movimentada tinha causado aquele acidente. Horas depois, a ambulância chegou e levou Margarida pro hospital. Luís foi junto, segurando firme a mão dela.
Na Fazenda Cajueiro, o dia também não tava fácil...
A manhã na fazenda dos Silvas era de preocupação. Seu Raimundo tinha piorado. Dores fortes pelo corpo, febre alta. Serena, a filha, tava ao lado dele, passando pano com água pra tentar baixar a febre.
— Força, meu pai... A gente precisa do senhor forte do nosso lado — dizia Serena, com os olhos cheios d’água.
Tereza chegou com uma bandeja, trazendo o mingau de caju que Raimundo tanto gostava.
— Aqui, meu bem... Seu mingau. Sei que cê queria que fosse o Luís trazendo, né? — disse ela, sorrindo triste.
No hospital, Luís tava aflito.
— Posso ir até o quarto dela? — perguntou.
— Siga esse corredor, entre no último quarto — respondeu o doutor Henrique.
Luís entrou com o coração disparado. Lá estava Margarida, toda machucada. Ele se aproximou devagar.
— Luís... É você? Que bom te ver... Pena que o acidente atrapalhou nosso encontro. Posso segurar sua mão?
— Claro, Margarida... Era pra ter sido diferente, mas o destino é danado, né?
Ela olhou nos olhos dele, com voz fraca:
— Seja feliz, Luís... Encontre alguém que complete seu coração. Dê forças pra minha mãe, Alzira.
Luís, com os olhos cheios de lágrima:
— Seja forte, mulher! Não se renda!
— Me dá um último beijo, peão... Nunca esqueça de mim. Tenha sempre boas lembranças nossas...
Luís beijou Margarida. Ela fechou os olhos... E naquele instante, o som do aparelho no quarto começou:
Pin... Pin... Pin...
Era o adeus de Margarida.
Os enfermeiros tentaram reanimar, mas Luís caiu em lágrimas:
— NÃO, MARGARIDA! NÃO SE VAAAAA!
No hotel, Luís olhava pro teto, o ventilador girando devagar. Pegou no sono, mas o telefone tocou:
Tlin... Tlin... Tlin...
Ele atendeu, ainda atordoado.
— Alô?
— Luís, aqui é o Augusto. Até que enfim te encontrei. Volta logo pra casa. Nosso pai quer te ver... O velho Raimundo tá partindo.
— Pode deixar, Augusto... Eu vou voltar. Tá tudo acontecendo... No mesmo dia que Margarida se foi...
Augusto ficou em silêncio.
— O quê, mano? Margarida... morreu?
Luís chorou:
— Sim, Augusto. Ela se acidentou com o bonde...
— Quer que eu avise Dona Alzira?
— Fala pra nossa mãe, Dona Tereza, fazer isso. Avise nosso pai... Tô chegando. Com dor, tristeza... Mas com saudade também.
Aquele dia foi demais pra Luís. Cansado, carregado de tristeza, ele sabia que ainda tinha muito por enfrentar.
Continua no próximo capítulo: Capítulo 14 — Despedidas de Pessoas Queridas
Luís agora volta de avião pra cidade de Almirante, trazendo o corpo de Margarida pra fazer o funeral. Dona Alzira vai se despedir da filha... E Luís vai precisar de forças pra dar o último adeus ao pai, seu Raimundo.
Capítulo 14: Despedida de Pessoas Queridas
Aquele vôo de volta pra cidade do interior, Almirante, era um vôo de tristeza. Luís voltava pra casa, trazendo pra uma mãe que chorava aos prantos o corpo de uma filha que seria enterrada nas terra onde nasceu e cresceu.
Luís, com o semblante cansado e triste: — Meu Deus... como será que Dona Alzira vai receber sua filha dentro de um caixão pra ser enterrada? Espero que Dona Alzira seja forte, pois dói demais perder um ente querido...
O vôo seguia seu trajeto. Luís pensava no pai: — Quero chegar lá e poder vê ele bem... não quero me despedir do pai Raimundo como tô me despedindo da querida Margarida, uma mulher que fez parte da minha vida...
Na fazenda, o tempo passava...
Seu Raimundo olhava pro pé do cajueiro com esperança de ver o filho Luís ao lado dos irmãos Augusto e Serena, pra poder se despedir e descansar em paz.
Tossindo, Raimundo diz: — Meu Deus, não me leve antes do meu filho chegar... quero poder ver ele...
Serena entra no quarto: — Pai, tá se sentindo melhor? Quer água? Comer alguma coisa?
Raimundo olha pra ela e sorri: — Ô minha pequena Serena... tô fraco, filha... obrigado por tá cuidando do seu pai...
Serena lacrimeja, limpa os olhos com o lenço: — O senhor vai melhorar, meu pai... ainda vai sorrir vendo os netos correndo por esse casarão da fazenda...
Raimundo sorri: — Fala não, minha filha... mas se eu não ver pessoalmente, lembre-se: lá de cima vou tá sorrindo e olhando por cada um deles...
Enquanto isso, a notícia pra uma mãe...
Dona Alzira não tava se sentindo muito bem. Preocupada, não tinha recebido carta nem ligação da filha Margarida. Até que escuta Dona Tereza chamar:
— Ô Dona Alzira, é a Tereza... posso entrar pra gente conversar?
Amigas de longa data, Dona Alzira recebe. Mas pra Dona Tereza, dar aquela notícia seria uma dor tremenda.
Ao entrar, Tereza tava diferente, sem alegria, preocupada.Alzira percebe e olha bem nos olhos dela:
— Que foi, minha amiga? Tá tão aflita desde que chegou...
Tereza pega na mão da amiga: — Senta aqui,Alzira ... não queria te dizer isso, mas seja forte...
Alzira, assustada: — Aconteceu algo com Margarida, Tereza?
Tereza olha firme: — Sim, amiga... Margarida teve um acidente e acabou falecendo no hospital. Luís tá trazendo o corpo dela no avião pra Almirante...
Alzira chora desesperada: — Não tô acreditando, Tereza... que minha Margarida se foi e me deixou...
Tereza abraça a amiga chorando: — Nem eu,Alzira ... nem eu tô acreditando...
O Casarão de Maldades
Coronel Wanderson, no seu escritório, lia o jornal da cidade. Até que entra Florentino, um dos capanga capacho:
— Patrão, notícia quente: o velho Raimundo parece que tá se entregando... só esperando o filho Luís chegar pra poder partir dessa pra melhor...
Florentino e o coronel se entreolham e riem.
Coronel Wanderson: — Logo, logo vou ter todas aquelas terras dos Silva... aí vamos plantar um canavial e fabricar pinga pra esse povo da cidade e da região...
Florentino sorri: — Espero poder beber de graça as melhores cachaça Alcantra...
Coronel Wanderson, já pensando no lucro: — Vai beber sim, que trabalha pra mim... só não pode ficar com ressaca!
— Haaa!... Haaa!... Haaaaa!...
No quarto de Iolanda:
Ela olhava pro espelho e pro enxoval que tava fazendo.
— Logo, logo você vem pro mundo, meu filho... ou filha... seja qual for a vontade de Deus. Que seu pai esteja aqui quando você nascer...
Debaixo do cajueiro:
Já era noite. Augusto, debaixo do pé do cajueiro, lia o livro Lembranças do Velho, onde os filhos guardavam memórias do pai.
— É, seu Raimundo... esse livro veio acalhar nesse momento. Não sei por quanto tempo ainda vou ter o senhor aqui na terra, do meu lado, dos meus irmão e da minha mãe... mas se o senhor partir, sempre vou ler essas páginas pra encontrar conforto no coração...
Rosa aparece a cavalo:
— A perda de um pai e de uma mãe, Augusto, é uma dor danada... mas quando tem Deus no coração, homi, ele fortalece a gente. Bora galopar mais eu, homem?
Augusto sorri: — Obrigado pelas palavras, morena... só se for agora! Deixa eu subir no meu cavalo...
E assim, naquela noite, Augusto foi galopar com Rosa pelas estrada da fazenda. Diz o pessoal que sempre passava por ali que naquele dia, o peão viu a alma do velho bisavô Barão Alexandre, guardião da árvore do cajueiro, sorrindo ao ver o bistêno se encontrar com uma mulher que talvez fosse laçar ele no laço e casar...
O dia amanhece em Almirante:
A noite passou ligeiro. Luís chega em Almirante. Ao pousar o avião, o corpo de Margarida é levado até a capela do Rosário, onde Dona Alzira, familiares e amigos aguardavam pra o velório. Luís vai direto pra fazenda ver o pai.
Raimundo, no quarto, já com as vista fraca, segurava a mão da esposa Teresa e dos filhos Augusto e Serena.
— Cadê o Luís que não chega? Vou partir sem ver meu filho...
— Tereza: Não, meu amor... você vai ver ele...
— Serena: Papai, seja forte!...
— Augusto: Ânimo, senhor Raimundo... Luís tá chegando!
Luís entra correndo: — Paiiii!... Cheguei!
Raimundo se vira: — Chega mais, Luís...
Luís pega na mão dos irmãos: — Fala, meu pai querido...
Raimundo olha pros filhos: — Luís, Augusto e Serena... quando eu partir, vocês três se ajoelha no pé do cajueiro, como herdeiros do Cajueiro. Façam o juramento que vão cuidar dessas terra como os Silva sempre cuidou, desde o bisavô Barão Alexandre...
— Sim, meu pai... seu pedido será uma ordem!
— Tereza: Me dá o último beijo, meu amor...
Tereza, emocionada, beija Raimundo. A ventania balança as cortina do quarto.
— Obrigado, meu amor... agora posso descansar em paz...
O sino da igreja toca: Dim... Dom... Dim... Dom...
Raimundo fecha os olhos, solta das mãos dos filhos. Sua alma sai do corpo, sendo levada pela mãe Isabel:
— Vamos, Raimundo, meu filho... o céu te espera com alegria...
Raimundo olha pra mãe, se vira e dá tchau pra família:
— Agora posso ir em paz, minha mãe...
O padre Renato abençoa a partida de Raimundo, enquanto os filhos choram:
— Paiiii!... Não nos deixa!
Tereza abraça os filhos, chorando com a partida do marido.
A carta de Raimundo:
Horas depois, a cidade toda sabe da notícia: seu Raimundo faleceu. Também souberam que não teria velório, a pedido dele mesmo. Na carta, dizia:
Coronel Wanderson, ao saber da notícia, pega a pinga e molha o chão:
— Descansa em paz, Raimundo... que as terra agora pertence aos Alcantras...
Enterro no pé do cajueiro:
Naquela tarde, Raimundo foi enterrado na mata, perto do pé do cajueiro. Lá também estão enterrados o Barão Alexandre (bisavô), Isabel (mãe), Jorge (pai).
Depois de enterrado pelos filhos, cada um joga uma rosa:
— Serena, ajoelhada: Descansa em paz, meu pai querido...
— Augusto, passando a mão na terra: Sempre vou ler as páginas do livro que me lembra você... descansa em paz...
— Luís, emocionado: Vou cuidar do que é nosso, pai... com muito cuidado. Descansa em paz...
— Tereza, ajoelhada, pega uma foto de Raimundo, beija e coloca na cruz: Descansa em paz, meu amor eterno... logo, logo vamos nos encontrar...
Depois, Augusto, Serena e Luís se ajoelham debaixo do pé do cajueiro, onde tá enterrado o baú, e falam juntos:
“"Nós, filhos de Raimundo Silva, netos de Jorge Silva e bisnetos de Barão Alexandre Silva, vamos proteger essas terras, até os últimos dias de nossas vidas.”
Aquele final de tarde de tristeza foi marcado por lembranças e saudade, mas também pela força de uma geração dos Silva, que honra a terra cuidada por seus avós e bisavós.
Manhã de Despedida a Margarida:
Luís, Serena, Augusto, Tereza e Dona Isaura acompanham o cortejo até o cemitério, onde Margarida seria enterrada. Dona Alzira, sem acreditar que a filha tinha falecido, tava muito abalada. A última cerimônia foi reservada pra familiares e amigos próximos. O padre Renato faz a última oração, e todos se despedem.
Dona Alzira, com uma rosa na mão, joga no túmulo da filha: — A Deus, minha pequena... descanse em paz...
Serena: — Descanse em paz, amiga...
Augusto: — Que você encontre nosso pai... olhe por todos nós...
Tereza: — Descanse em paz, menina... que eu vi crescer...
Quando o cemitério já tava pra ser fechado, lá estava um senhor: o coronel Wanderson. Ele se aproxima devagar e diz:
— Descanse em paz, minha filha Margarida... me desculpe por não ter te criado...
Começa a chover. O coronel coloca o raiban, sai sem ser visto, entra no carro preto, calado... mas sabendo que perdeu a chance, em vida, de ter criado Margarida como sua filha.
Continua no Capítulo 15: A Ganância Cobra o Homem
Coronel Wanderson é cobrado por um agiota que nunca esqueceu o passado sombrio.
Luís surpreende Iolanda com rosas e chocolates e descobre que vai ser pai.
Mas a alegria vira tensão: um tiro ecoa pela casa...
O que será que aconteceu?
Não perca a continuação!
Capítulo 15 – A Ganância Cobra o Homem
Amanhecia na cidade de Almirante. Mesmo com o luto pela perda do pai e da querida Margarida, Luís sabia que tinha que ser forte. Precisava dar apoio à mãe Tereza, aos irmãos Augusto e Serena, e também lembrar de Dona Alzira , que sofria demais com a partida da filha.
Luís acorda, pega umas flores do casarão da fazenda, passa na confeitaria e compra os sonhos que Iolanda tanto gosta. Quer fazer uma surpresa pra ela — saber como tá e, sem saber, vai receber outra: vai descobrir que vai ser pai.
Luís vai pelos fundos do casarão, direto pro quarto de Iolanda. Os capangas Valentino, Almir e Carlos nem percebem.
— Esses capanga tão mais pra cachorro dorminhoco do que pra cão de guarda... He! He!...
Chegando na janela, bate três vezes: — Toc! Toc! Toc! Meu grande amor tá aí?
Iolanda acorda, meio sonolenta: — Oxê! Luís veio fazer visita, foi?
Ela põe a mão na barriga, feliz: — Papai chegou... vai descobrir que vai ser pai...
Iolanda abre a janela: — Uai, homem safado! Que fez esse tempo todo longe de mim?
Luís sorri, vê a barriga: — Percebo que muita coisa mudou desde que fui pra São Paulo tratar de negócio... posso pôr a mão?
Ela sorri: — Claro que pode, homem... mas entra logo antes que os capanga acordem!
Luís olha pros lados, pula a janela. Iolanda fecha.
— Que demora, hein Luís? Pensei que não ia ver seu filho...
Luís, emocionado: — O que será que vem ao mundo? Vai carregar os sobrenome dos Silva e dos Alcantra...
Iolanda: — Não sei, meu amor... importante é vir com saúde, seja menino ou menina...
Luís abaixa a cabeça: — Pena que meu pai não vai tá aqui pra ver o neto...
Iolanda abraça ele: — Meus sentimento, Luís... fiquei sabendo que seu Raimundo partiu, e também a Margarida. Mas onde ele estiver, vai tá olhando feliz...
Luís acaricia o rosto dela, beija com carinho: — Vai sim, Iolanda... agora come esses sonhos, mulher grávida tem que se alimentar bem!
Iolanda sorri: — Adoro esses sonhos... vamos comer junto, meu bem. Senta aqui na cama...
Horas depois: a cobrança
Coronel Wanderson tomava café, olhando pro fundo da casa, quando escuta o barulho de um carro.
— Quem será essa hora? Não tô esperando visita...
Dá um gole no café, sai na porta. Joaquim, um agiota forte e vingativo, aparece e agarra ele pelo colarinho:
— Bom dia, coronel frouxo! Hoje vai me pagar o que deve... ou vai parar debaixo de sete palmo de terra!
Wanderson, tremendo: — Vamos conversar... não consegui comprar as terra dos Silva ainda. Assim que eu conseguir, pago vocês...
Joaquim joga ele no chão com força: — Tbummm! — o coronel cai, gemendo: — Haaaaiii!
Joaquim puxa a arma, sorri e dispara três tiros: — Pá! Pá! Pá!
— Não tem dinheiro? É assim que eu cobro! Vai pagar por todos os seus pecado, coronel Wanderson... mas não na terra — mais num lugar quente, onde só quem foi ruim em vida vai parar la pagar os pecados ...
Tragédia revelada
No quarto, Iolanda escuta os tiros, corre pra cozinha e vê o pai caído.
— Paiiiii! Não! Paiiiii!
Joaquim olha pra ela: — Desculpa, moça... acerto de conta por dívida. Tenha um bom dia...
Ele sai atirando em Florentino, Almir e Carlos, que tentam revidar — mas também perdem a vida. Joaquim entra no carro, olha pra casa:
— Esse aí não vai mais perturbar ninguém...
União e promessa
Luís corre até Iolanda, abraça ela. Ela chora:
— Agora eu e meu filho tamo sozinho no mundo...
Luís segura firme: — Não, Iolanda... vou cuidar de ocê e do nosso filho.Ocê vai morar com a gente lá no casarão da fazenda. Vamos arrumar suas coisa e depois tratamos do enterro do seu pai...
Iolanda, firme: — Obrigado, Luís... mas vou enterrar ele no cemitério sem velório. Meu pai não tinha amigo, só inimigo...
Luís concorda: — Como ocê achar melhor... seu pai plantou maldade, colheu a própria maldade...
Iolanda, chorando: — Sim, Luís... meu pai Wanderson teve muitos erro em vida...
Naquele dia, Iolanda e Luís aprenderam que o mais valioso é o respeito — e que a ganância por dinheiro e terra só leva a um destino: sete palmo abaixo da terra.
Continua no Capítulo 16 – Uma Nova Vida Sem Guerra
Iolanda e Luís ficam mais unidos, esperando a chegada do filho.
No enterro, apenas os dois acompanham o corpo do coronel Wanderson. O padre faz a prece final.
Iolanda se aproxima mais de Serena.
Dona Isaura revela a verdade: Margarida era irmã de Iolanda, filha que o coronel nunca criou como pai.
Capítulo 16 – Uma Nova Vida Sem Guerra
Passaram-se os dias, as semanas, e os meses desde que Iolanda enterrou o pai, coronel Wanderson. Agora, morando na fazenda dos Silva, ela e Luís sentiam que o amor entre eles só crescia. Iolanda ficou amiga de Serena, e Dona Tereza, a sogra, não via a hora de segurar o netinho ou netinha nos braços.
Enquanto isso, Luís e Augusto davam um passo importante: estavam montando a tão sonhada fábrica de doce de caju. Os maquinários já tavam sendo instalados no barracão.
— Augusto, meu irmão... tiramo do papel aquela ideia nossa da empresa de doce de caju!
Augusto olhou pro barracão com brilho nos olhos:
— Verdade, Luís... aquele sonho que nóis tinha quando era piá vai virar realidade!
Serena apareceu animada:
— Em poucos dias, vamo dar trabalho pra muita família de Almirante! Tô feliz demais de ver cada pessoa sendo contratada... essa fábrica vai vender doce pro Brasil e pro mundo lá fora!
Augusto sorriu:
— Calma, minha irmã... vamo devagar, tudo tem seu tempo...
Luís concordou:
— Serena tá certa, Augusto... temos que sonhar alto, mas com o pé bem firme no chão!
No casarão: carinho de vó
Dona Tereza costurava com carinho umas ropinhas pro neto ou neta que tava pra chegar.
— Olha, Iolanda... acabei de fazer essa aqui. Que achô?
Iolanda olhou encantada:
— Nossa, que lindo! Gostei dos detalhe... a senhora dividiu rosa e azul. Mas me diga, vovó Tereza, acha que vai vim o quê?
Tereza sorriu:
— Acredito que vai ser menino... ou pode vim os dois, né? Isso é com Deus...
Iolanda riu:
— Imagine dois! Eu e Luís não ia caber de tanta alegria!
Serena chegou e olhou os bordados:
— Que coisa mais linda, mãe! A senhora tá em dúvida se vai ser menino ou menina, né? Eu também tô, como tia...
Surpresa de amor
Luís chegou com flores e chocolates:
— Aqui, meu amor... umas flor pra você, com a companhia do chocolate e meu beijo!
Iolanda sorriu:
— Assim eu fico mal acostumada, homem!
Eles se abraçaram e se beijaram com carinho.
Lenda viva no cajueiro
Rosa chegou animada:
— Ôi, povo! Cadê o Augusto?
Luís riu:
— Tá te esperando lá onde vocês namora... no pé do cajueiro, onde o guardião, nosso bisavô Barão Alexandre, observa os filho de Raimundo! Haaa!...
Rosa se espantou:
— Dizem que o povo já viu o velho Barão por lá...
Tereza sorriu:
— É, minha filha... o velho Barão partiu desse mundo, mas não deixou o cajueiro sozinho...
Iolanda olhou pro cajueiro e sorriu:
— Será que o bisavô Barão Alexandre viu de perto nosso namoro, Luís?
Luís riu:
— O velho Barão, meu amor, assistiu de camarote! Haaa!...
Lá fora, no quintal, o vento balançava as folhas do cajueiro. Encostado na árvore, o espírito do Barão Alexandre sorria e dizia:
“Eu morri, mas vejo tudo que acontece nessa fazenda... que venham os próximos herdeiros com saúde!”
Amor no pé do cajueiro
Horas depois, Augusto e Rosa namoravam perto do rio, sob o cajueiro. O Barão olhava e pensava:
“Logo, logo vem mais um herdeiro... que Deus abençoe!”
Rosa olhou pros lados, meio assustada.
— Que foi, mulher? Tá com medo?
— Nada não, amor...
— Então chega mais... vamo matar saudade!
Naquele final de tarde, o sol se escondia, mas o Barão continuava ali, como guardião, esperando pra ver a felicidade do bisneto Luís e de Iolanda com a chegada do filho.
Continua no Capítulo 17 – A Chegada do Filho do Herdeiro
Luís e Iolanda tão ansiosos com a chegada do bebê.
Até que Iolanda sente fortes dores...
Vai dar à luz!
Será menino ou menina?
O filho do herdeiro tá pra nascer!
Não perca o próximo capítulo de Herdeiros do Cajueiro!
Aguardem os próximos capítulos de Herdeiros do Cajueiro!
Capítulo 17: A Chegada do Filho do Herdeiro
O dia mal tinha clareado lá pras banda de Almirante. A chuva caía mansa, daquelas que molha pé de café, lava folha de cajueiro e dá força pra lavoura. Mas naquele dia, cada pingo que descia do céu parecia lágrima dos que já se foram — dos tataravô, bisavô, dos vô tudo — que lá do além sabiam: uma nova vida tava pra chegar. O filho do Herdeiro vinha vindo.
Luís acordou com o cheiro de café fresco e foi até a cozinha, ainda meio zonzo. Foi quando escutou o grito desesperado:
— Luís!... Luís!... Nosso menino vai nascer, a bolsa estourô!
Luís largou tudo que tava fazendo, derrubou até a caneca no chão e correu pro quarto. Tremia mais que vara verde.
— Vem cá, meu amor! Vamo pro hospital!
Mas Iolanda, com a mão na barriga e o rosto suado, balançou a cabeça:
— Chama a parteira, chama a dona Margarida Tereza!
Tereza entrou no quarto com aquele olhar firme de quem já viu muita coisa nessa vida.
— Calma, minha filha... Esse neto — ou neta — vai vim ao mundo pelas minhas mãos.
Iolanda arregalou os olhos:
— A senhora já foi parteira, dona Tereza?
Ela sorriu com canto de boca:
— Fui sim, minha filha... E das boas! Já trouxe mais criança ao mundo que galinha choca.
Luís correu, pegou bacia com água, pano limpo, tesoura e álcool. Augusto apareceu na porta, surpreso:
— Uai, mãe... Num sabia que a senhora era parteira!
Tereza deu risada:
— Ô meu filho, a vida ensina mais que escola. Já fiz de tudo nessa vida, menos voar.
Serena chegou com o rosto preocupado, mas a voz doce:
— Calma, cunhada... Vem cá, Augusto, deixa a mãe concentrá. Nosso sobrinho tá chegando.
Luís, com os olhos marejado, perguntou:
— Posso ficá aqui, mãe?
— Pode sim, só num vai desmaiá! Segura a mão da Iolanda, acalma ela... Que agora é a hora de conhecer quem vai ser a próxima geração dos Silva e dos Alcantra.
Iolanda gemia, mordendo o lençol, suando frio. Tereza mandava fazer força:
— Vai, minha filha! Harrrrrrr!... Harrrrrr!... Harrrrrr!...
Depois de horas de luta, suor e fé... o choro ecoou pelo quarto.
— É um menino! — disse Tereza, com os olhos brilhando.
— Uéééé!...Uéééé !...Uéééé!...
— Vamos higienizá a tesoura, cortá o cordão... Que esse menino venha com saúde e paz. E então, qual vai ser o nome do meu neto?
Luís, com o coração disparado, pegou o bebê enrolado no manto e disse com voz embargada:
— Vai se chamá Armando Silva Alcantra.
Ele levou o bebê até Iolanda:
— Aqui tá nosso filho, Armando... Olha só que coisa mais linda.
Augusto e Serena entraram no quarto, sorrindo de orelha a orelha.
— Nossa, que bebê mais formoso! — disse Serena.
Luís riu:
— Esse tem cara de que vai ser pescador igual o bisavô!
Lá fora, no pé do cajueiro, o vento balançava as folhas como se fosse bênção. E ali, invisíveis mas presentes, estavam o tataravô Barão Alexandre, os bisavôs Jorge e Isabel, e os avôs Raimundo e Wanderson. Todos sorrindo, recebendo o herdeiro que trazia o sangue dos Silva e dos Alcantra.
Na porta da cozinha, Tereza olhava pra árvore com os olhos marejados:
— Raimundo, sei que ocê veio vê seu neto nascer. Esse menino vai sê feliz, pode acreditá, onde quer que ocê esteja.
Iolanda, com o bebê no colo, sussurrou:
— Obrigada, Deus... Obrigada, vó Tereza. Que bebê mais lindo da mamãe!
Tereza sorriu:
— Por nada, minha filha. Só fiz minha parte... Agora é com vocês.
Naquele dia, 10 de novembro de 1970, nasceu Armando Silva Alcantra. Veio ao mundo pra viver em paz, numa família que aprendeu a vencer a guerra com amor.
Continua no Capítulo 18: Trabalho ao povo de Almirante
Luís, Augusto e Serena inauguram a fábrica de doce de caju. Armando cresce esperto, curioso, correndo pela fazenda. Um dia, descobre que ali não tem só caju... Tem um mapa escondido do tataravô Barão Alexandre, que leva até uma caverna cheia de diamantes.
Não perca os próximos capítulos de Herdeiros do Cajueiro!
Capítulo 18: Trabalho ao Povo de Almirante
O sol mal tinha dado as caras lá em Almirante, e Iolanda já tava de pé, cuidando do pequeno Armando com carinho de mãe. Augusto se ajeitava no espelho, preparando o discurso pra receber os trabalhadores da cidade, que iam começar a labuta na nova fábrica de doce de caju.
Luís saiu do quarto, coçando os olhos:
— Bom dia, meu amor... E o Armando, deu trabalho essa noite?
Iolanda sorriu, com aquele brilho no olhar:
— Que nada, ele é bonzinho demais. Dormiu que foi uma beleza.
Luís deu risada:
— Então hoje começa com pé direito. É o dia da inauguração da fábrica!
— Boa sorte pra vocês, viu? — disse Iolanda, dando um beijo no rosto dele e outro no bebê.
Na cozinha, Serena ajeitava os panos e olhava pra Augusto:
— Tá pronto pra receber o povo, irmão?
Augusto sorriu:
— Tô sim, minha irmã. E olha o Luís, tá chique demais com esse traje!
— Hoje é dia especial, vamo mostrar que os filhos de Raimundo sabem tratar gente com respeito.
Dona Tereza entrou com o avental ainda sujo de farinha:
— Isso aí, meus filhos! Fico feliz de vê vocês três unidos, levando adiante essa fábrica de doce de caju. Raimundo, lá do céu, deve tá sorrindo.
Horas depois, já na porta da fábrica, Luís olhou pra mãe:
— Deseja sorte pra nós, mãe.
— Boa sorte, meus filhos. Recebam bem o povo de Almirante. Eles são gente da gente.
Luís, Augusto e Serena desceram do carro e subiram no palanque. Os trabalhadores olhavam com admiração — era bonito de ver os filhos de Raimundo dando trabalho pro povo da cidade.
Augusto pegou o microfone com firmeza:
— Bom dia, meus amigos de Almirante! Sejam bem-vindos à fábrica de doce de caju. Espero que vocês se sintam em casa, que essa empresa cresça com o suor de cada um. Quem sabe um dia, a Doceria Almirante seja conhecida não só no Brasil, mas lá fora também. O trabalho começa agora!
A fábrica foi inaugurada com café da manhã pra todo mundo. Os trabalhadores começaram devagar, no tempo deles, sem pressa. Porque como dizia o velho Raimundo:
“Meus filhos, se um dia vocês tiver uma empresa, trate os trabalhadores como gente da gente. Jamais humilhe quem tá lutando pra pôr o pão na mesa.”
Essa frase ficou gravada numa placa, bem na entrada da fábrica, pra todo mundo ler e lembrar que Augusto, Serena e Luís seguiam os conselhos do pai.
O tempo passou — dias, semanas, meses, anos. O povo de Almirante se adaptou, trabalhou com orgulho. Os doces da fábrica eram carregados em caminhões e espalhados por todo canto do Brasil. Com o selo de qualidade, chegaram até em outros países. A fábrica virou potência, com nome respeitado: Doceria Almirante.
“O ano era 1985 Armando, o menino que nasceu nos braços da vó Tereza, agora com 12 anos, galopava pela fazenda com seu cavalo Galopé, procurando aventura:”
— Será que eu acho alguma coisa interessante nessa fazenda? Porque meu pai, quando era piá, num encontrou nada... Lá de longe, o Barão Alexandre só dava risada, vendo o tataraneto se aventurando por essas terras.
Ao descer do cavalo, Armando viu uma caverna escondida entre as pedras. Ficou de boca aberta:
— Eita, mas que trem mais interessante! Acho que nem meu pai, nem os tio e tia sabia dessa caverna... Mas o vô Raimundo, os bisavô Jorge — e claro, o tataravô Barão Alexandre — esses sabiam sim! Agora eu vou é entrar pra vê o que tem lá dentro.
Acendeu a lamparina, entrou com cuidado, olhando tudo com olhos de quem quer descobrir o mundo:
— Isso aqui é antigo pra daná... Deve ter riqueza escondida que nem os Silva Alcantra sabem. Só espero que não tenha onça por aqui.
De repente, escutou barulho de água cristalina correndo dentro da caverna.
— Olá? Quem tá aí?
— Oi, menino...
Armando se virou e viu uma menina com olhar doce e sorriso encantado.
— Que formosura! Qual seu nome?
— Me chamo Tuane. E você?
— Armando Silva Alcantra, tataraneto do Barão Alexandre.
Tuane sorriu:
— Meu povo fala muito do Barão. Dizem que ele era aventureiro demais. Vem comigo, Armando.
Ela pegou na mão dele. Juntos, atravessaram a caverna com Galopé e chegaram numa aldeia escondida entre as árvores.
— Nossa, Tuane... Que lugar lindo!
— O pajé Baraté dizia que o Barão Alexandre foi o primeiro a pisar aqui.
Armando olhou pra um mapa antigo:
— O que é isso, Tuane?
— Esse mapa pertence aos Silva. Essa águia representa riqueza e prosperidade. Quero que você volte aqui quando for maior.
— Eu volto sim.
Tuane:__Me espera no pé do cajueiro.
__Onde marquei meu nome Tuane.
— Sim. Onde tem o símbolo do coração, eu vou marcar meu nome. Aí a gente vai saber.
— E onde fica essa árvore?
— Perto do rio, segunda árvore.
Ela deu um beijo no rosto dele:
— Agora vai, seus pais devem tá preocupados, rapaizinho.
Armando fez um anel de folha:
— Tuane, esse anel vai ser nossa união. Tchau, bela indígena.
Tuane sorriu:
— Só não me troca por outra, senão te busco de arco e flecha!
Armando riu:
— Mulher atrevida!
Montou em Galopé e voltou pela trilha. Na pedra alta perto da caverna, descobriu que havia mais diamantes do que imaginava.
— Obrigado, meu tataravô... Agora entendi seu cuidado com essas terras.
Chegando na beira do rio, encontrou a árvore com o nome de Tuane gravado. Escreveu o dele ao lado:
— Tuane, em breve nós se encontra.
Saiu galopando pro casarão, com o coração cheio de emoção. Sabia que Tuane não apareceu por acaso — foi o destino que trouxe ela.
No casarão, Iolanda procurava o filho:
— Cadê Armando, Luís? Ele não aparece!
— Deve tá se aventurando por essas banda da fazenda, meu amor. Não se preocupe. O bisavô Barão Alexandre cuida dele.
Dona Tereza sorriu:
— Ele cuida de todos, meu filho.
Continua no Capítulo 19 – Penúltimo Capítulo: Descoberta de uma irmã e o primeiro amor de Armando
Iolanda descobre que Margarida é sua irmã, revelação feita por Dona Alzira — segredo guardado por Wanderson. Enquanto isso, Armando e Tuane crescem juntos, e vai nascendo um amor... talvez escrito pelo destino.
Não perca o próximo capítulo de Herdeiros do Cajueiro!
Capítulo 19 penúltimo Capítulo – Descoberta de uma irmã
Já era tardezinha. Iolanda tava sentada na varanda, folheando uns livros de memória que o cunhado Augusto tinha deixado. Quando virou uma das páginas, viu Dona Alzira abrindo a porteira da fazenda. Ela sorriu ao ver a visita chegando.
— Boa tarde, Dona Alzira! Mas olha só quem aparece! Quanto tempo, sô! Que traz a senhora por essas banda?
Dona Alzira sorriu com aquele jeitinho manso:
— Boa tarde, Iolanda. Vim aqui pra prosear... e também pra te contar uma coisa que seu pai escondeu de você por muito tempo, minha filha.
Iolanda arregalou os olhos:
— Uai, o que será que meu pai escondeu esse tempo todo? Senta aqui do meu lado e me conta, vai.
Dona Alzira se ajeitou na cadeira, olhou firme pra Iolanda:
— Seu pai, esse tempo todo, escondeu que a Margarida... era sua irmã.
Iolanda ficou sem fala por um instante. Depois, soltou num suspiro:
— Nossa Senhora... tô sem saber o que dizer. Esse tempo todo eu tinha uma irmã e era a Margarida? Bem que eu desconfiava... Quando a senhora passava na rua com a Margarida e me comprimentava , parecia querer falar, mas meu pai olhava torto, com cara de quem não queria conversa.
Dona Alzira assentiu com tristeza:
— É isso mesmo, minha filha. Me desculpa por não ter te contado antes. Fui pressionada por muito tempo.
Iolanda segurou a mão da senhora com carinho:
— A senhora tá mais que desculpada, viu? Eu entendo. Deve ter sido difícil guardar isso tudo. Mas agora... agora eu vou levar a Margarida no meu coração, mesmo sem ter vivido ao lado dela.
Dona Alzira sorriu, aliviada:
— Assim fico mais leve, minha filha. Agora mudando de prosa... vi o Armando cavalgando por aí. Passou por mim e me cumprimentou com aquele jeitinho levado dele.
Iolanda riu:
— Esse rapaizinho não para quieto, não. Vive se aventurando por essa fazenda como se fosse dono do mundo.
— Entra, Dona Alzira. Vou passar um café pra gente prosear mais.
Nesse momento, Dona Tereza apareceu na porta com o avental sujo de farinha:
— Ora, ora! Dona Alzira! Chega mais pra dentro, mulher. Faz tempo que não te vejo. Vamo prosear enquanto eu faço uns bolinhos pro café da tarde.
Iolanda sorriu:
— Eita, que bolinho vai bem demais, hein Dona Tereza!
Lá no morro alto, Armando olhava a paisagem do horizonte, esperando Tuane. O céu tava pintado de laranja, e o vento soprava leve. Tuane chegou a cavalo, com o cabelo solto e aquele sorriso que fazia o coração bater mais forte.
— Que bom que ocê veio, Armando. Tô vendo que é rapaz de palavra, uai.
Armando pegou uma flor do campo e entregou pra ela:
— Essa aqui é pra ocê. Vamo aproveitar essa tarde juntos, que tá bonita demais.
Tuane brincou:
— Chega mais, home!
Armando se aproximou, com olhar apaixonado:
— Ocê é a índia mais formosa que já vi por essas banda. Eu posso...?
Tuane sorriu, provocando:
— Pode o quê, Armando?
Ele deu um beijo suave nela:
— Posso isso.
Tuane riu:
— Mas ocê é levado, hein Armando!
— Calma, moça. Num quis faltar com respeito, não. Foi só o coração que falou mais alto.
Ela se aproximou ainda mais e devolveu o beijo:
— Esse beijo vale muito, viu Armando.
Ele sorriu:
— Vale por demais. Agora vamo galopar por essa fazenda. Mas se ocê ficar pra trás, vai ter que me pagar com outro beijo bem demorado.
Tuane gargalhou:
— Ah, garoto levado! Eu aceito. Quero ver se ocê me vence no galope!
Naquele dia, Iolanda descobriu uma verdade que mudaria sua vida: tinha uma irmã, Margarida, que mesmo distante, agora morava em seu coração. E Armando, com o coração cheio de descobertas, vivia sua primeira paixão ao lado de Tuane — uma história que talvez o destino já tivesse escrito debaixo das folhas do cajueiro.
Continua no Capítulo 20 – Último Capítulo: Um casamento de união.
Luís e Iolanda vão se casar como manda o figurino. Augusto encontra em Rosa o amor que esperava há muito tempo. Serena começa a namorar firme com o Dr. Gaspar, depois de muita insistência dele. Dona Tereza só observa a felicidade dos filhos e sorri ao ver Armando e Tuane cada vez mais próximos com o namoro de adolescente.
Não perca o Capítulo final de Herdeiros do Cajueiro.
Capítulo 20 – Final: Um Casamento de União
Passaram-se os dias, as semanas, os meses... e lá se vão seis anos. Muita coisa mudou em Almirante. Hoje, Armando tá com 18 anos, moço feito, e continua firme com Tuane, sua paixão desde os tempos de aventura.
Na beira do rio, debaixo do cajueiro velho e sagrado, Armando pegou na mão dela, olhou bem nos olhos e falou com o coração batendo forte:
— Tuane... ocê aceita namorá comigo e, mais pra frente, ser minha fiel esposa?
Tuane sorriu com aquele jeitinho sapeca:
— Aceito, homem! Mas só se ocê num ficar de gaiato com as moça da cidade, viu? Hahaha...
Armando riu:
— Jamais, Tuane. Meu amor por ocê é verdadeiro, é coisa de alma.
Chegou o dia tão aguardado: o casamento de Luís e Iolanda. A igreja tava toda enfeitada com flor do campo, fita colorida e cheiro de bolo vindo da cozinha da Dona Tereza.
Augusto entrou com a cunhada Iolanda, todo orgulhoso. Dona Tereza veio com o filho Luís, emocionada, enxugando os olhos com o lencinho bordado.
— Hoje é o dia de vocês, meu filho... Que Deus abençoe essa união.
Luís sorriu:
— Amém, mãe. É tudo que nós quer.
Na hora da noiva entrar, o povo todo se levantou. Iolanda entrou linda, de vestido branco, e foi levada até Luís pelo braço de Augusto.
O padre deu uma tocidinha, pediu silêncio e começou:
— Estamos reunido aqui, na presença de Deus e de todos, pra celebrar o casamento de Luís Silva e Iolanda Alcantra Silva.
— Iolanda, ocê aceita Luís como seu legítimo esposo, na saúde e na doença, até que a morte os separe?
— Aceito com certeza.
— Luís, ocê aceita Iolanda como sua legítima esposa, na saúde e na doença, até que a morte os separe?
— Aceito com todo meu coração.
— Então, na presença de Deus e de todos, pode beijar a noiva.
Lá fora, depois da cerimônia, Gaspar chamou Serena perto do pé de cajueiro:
— Serena, aceita ser minha namorada de verdade? Com direito a bolinho da Dona Tereza e tudo?
Serena sorriu:
— Aceito, Gaspar. Gosto de ocê desde aquele dia que me trouxe flor do mato.
Eles se beijaram, e o povo aplaudiu com alegria.
Na festa, debaixo do cajueiro, o espírito do Barão Alexandre apareceu sereno, olhando pra Raimundo:
— Raimundo, meu filho... Chegou sua hora. Eu vou voltá pro céu. De hoje em diante, ocê vai sê o novo guardião dessa terra. Cuida bem de tudo, viu?
Raimundo se emocionou, abraçou o pai com força:
— Pode deixá, meu pai. De hoje em diante, meu espírito vai ficá nos pés de cada cajueiro. E logo mais, vou vê os próximos herdeiros e geração que vem por aí.
O Barão desapareceu como uma luz celestial. Raimundo ficou sorrindo e disse:
— Agora vou tá mais perto de quem tem o sangue dos Silva.
Dona Tereza olhou pro cajueiro e falou baixinho:
— Agora é ocê, né Raimundo? Que tá como guardião. Tô com saudade... Espero um dia te encontrá.
E assim, os filhos de Raimundo seguiram a vida mais fortes, unidos, felizes e com propósito. O cajueiro continua firme, guardando os segredos, os amores e os sonhos da família Silva Alcantra.
Agradeço a todos acompanharam,essa história.]

