A Camponesa
A Camponesa narra o despertar de um amor singelo entre Aline, uma jovem do campo, e Anastácio, em meio à rotina da colheita. Entre olhares tímidos e gestos delicados, nasce uma paixão inesperada e cheia de ternura.
História criada e escrita por Edivaldo Lima.
História em
Uma história de Contos Curtos.
Gênero: Romance, Aventura, Drama.
Personagem principal: Aline personagens secundários: Anastácio, Osmar, Rosára, Dona Tereza, caçadores Pedro, Charles e Roberto. ,Índio Tupari, Índia Malichi,Pajé Aré, Alberto,policiais Toni e Rubens,Filhos Zé Carlos e Doralice,padre Marcelino,pai Oscar,Jurema, Aruã,Natu.
[Capítulo 1: Olhar que Cativa
Aline sorri ao sol da roça: “Hoje é dia de colheita boa!”
Anastácio repara: “Ocê tá radiante, com esse olhar que cativa.”
Ela, tímida: “Só sou mulher do campo…”
Ele entrega uma rosa branca: “Pra alegrar seu dia.”
No meio do trabalho, nasce um sentimento novo, simples e bonito, que nem ele sabe explicar.
Capítulo 2 :Não me enrosco com casado
Naquela manhãzinha, Aline tava ali, toda concentrada, mexêno nas roseira do campo, quando Osmar apareceu com aquele sorrisim de quem num presta e falou:
— Só uma belezura dessa flor chamada Aline pra alegrá meu dia, sô. Já pensô nóis se enroscano nas roseira?
Aline, que num é de abaixá a cabeça pra ninguém, respondeu com firmeza:
— Ôxe, tome tento e vergonha na cara, homi! Eu sou mulher solteira, num sou de me enroscar com homi casado, não!
Osmar, todo faceiro, deu risada e retrucou:
— Ah, Aline, mas com vossa belezura, homi perde o juízo, uai!
Aline, com os olho faiscano, avisou:
— Olha, vô contá tudo pra Rosária, viu!
Osmar arregalô os zóio e respondeu:
— Que isso, muié, precisa não! Rosária é braba que só a peste!
Aline cruzô os braço e falou:
— Sei, homi... tu querendo pulá o muro e ficá com outra, né?
Osmar coçou a cabeça e disse:
— Faz de conta que ocê num escutô nada e me deixa ir trabaiá...
Aline, com aquele jeitim de quem dá a última palavra, concluiu:
— É a melhor coisa que ocê faz, sô: trabalho apaga fogo de homi sem-vergonha!
Capítulo 3: Um Convite à Camponesa
Já era tardinha, o sol se escondia atrás dos morro, pintando o céu de laranja queimado. Anastácio, com o coração batendo mais que tambor de festa junina, pensô bem e foi até onde Aline tava, lá no quintal, cuidando das roseira com carinho de mãe. Chegô devagar, coçando a nuca, e falou com aquele jeitão dele:
— Ô Aline... cê topa ir lá no clube do xote hoje? Comer uma porçãozinha, proseá, dá risada... só nóis dois?
Aline levantô o rosto, com um sorriso que clareava mais que lua cheia em céu limpo.
— Ôxi, Anastácio! Que convite mais bão! Sexta-feira dessas, com esse ventim gostoso... claro que eu aceito, uai! Vai sê uma noite daquelas!
Anastácio quase tropeçô de alegria.
— Então tá combinado, mais tarde passo na sua casa. Veste aquele vestidim florido que cê gosta, viu?
— Pode dexá, vou tá te esperando, com o coração batendo feito sanfona em festa.
As hora passô ligeiro. Chegô a noite e Anastácio, todo arrumado, camisa xadrez e cabelo penteado com água de cheiro, falô pra mãe:
— Mãe, tô indo sair com a Aline. Hoje é o dia, viu?
Dona Tereza, que já tava com o olho brilhando de esperança, respondeu:
— Vai com fé, meu filho. Se ela aceitar namorá ocê, quero conhecê ela logo. E não enrola não, pede ela em namoro, que moça boa dessas não se acha em cada esquina.
No clube, entre uma porção de torresmo e outra de mandioca frita, os dois proseava, rindo das história da infância, dos causos da roça e dos sonhos que ainda queriam plantá juntos. Aline olhava pra ele com um brilho diferente, e Anastácio, tremendo mais que vara verde, tomou coragem:
— Aline... já faz um bom tempo que nós se conhece, cê quer sê minha namorada? Prometo cuidá de ocê como cuido dos meus pé de milho: com carinho, paciência e muito amor.
Aline ficou quietinha por uns segundo, depois sorriu com os olho marejado:
— Ô Anastácio... eu quero sim. Desde que te vi lá na venda, sabia que cê era diferente. Vamo plantá esse amor junto, e vê ele florescê igual minhas roseira.
E ali, sob a luz dos lampião do clube, dançando xote com o cheiro de mato e música boa tocando ao fundo, eles selaram com um beijo o começo de um romance que prometia virá história pra contá pros neto até bisneto. E enquanto dançavam um xote bem agarradim, o coração dos dois batia no mesmo compasso.
E aquela noite foi especial tanto para Anastácio quanto para Aline.
Capítulo 4: Romance e Descoberta
Logo cedo, com o sol mal saído detrás dos morro, Anastácio e Aline tavam lá na beira do rio, ajeitando as mochila pra se embrenhá na floresta de Tupiranbi. Era uma mata danada de misteriosa, cheia dos causos antigos e lenda de tribo. O guia Tupari, homem firme e sabedor dos segredo da mata, esperava eles com olhar de quem já viu muito.
— Ocês tão pronto pra se aventurá nessa imensidão verde? — perguntou Tupari, com voz de trovão manso.
— Mais que pronto, sô! — respondeu Anastácio, apertando a mão de Aline. — E qualquer coisa, eu protejo minha florzinha com tudo que tenho.
— Isso mesmo — disse Tupari. — Bom guerreiro defende sua guerreira com coragem e alma.
A caminhada começou com canto de passarim e cheiro de terra viva. Aline, encantada com as flor e os cipó, olhava tudo com olho de criança. Mas de repente, um barulho estranho cortô o silêncio. Anastácio parô, com a mão no peito.
— Que trem foi esse? Cês ouviram?
— Não parece bicho... — disse Aline, com voz trêmula.
— São caçador! — alertô Tupari. — Escondam-se na mata, ligeiro!
Eles se abaixaram atrás dos arbusto. Lá na clareira, viram três cabra mal-encarado: Pedro, Charles e Roberto. Tavam arrastando uma jovem da tribo, amarrada e com olhar de medo. Tupari reconheceu na hora.
— É Malichi! Ela é da minha tribo, minha amada meu sangue! Tá em perigo!
— Vamo pegá esses cabra de surpresa! — disse Anastácio, com o coração batendo feito tambor.
Com coragem de quem ama e força de quem luta, eles se aproximaram. Anastácio derrubô Pedro com um galho certeiro. Tupari acertô Charles com flecha ligeira. Roberto tentou fugí, mas Aline, com pedra na mão, fez ele tropeçá. Malichi foi liberta, com lágrima nos olho e gratidão no peito.
Malichi: — Ô Tupari, ocê é meu herói! Ocê e seus amigo me salvaram, sô... gratidão eterna! — disse com os olho marejado, e num gesto de carinho, deu um beijo no rosto de Tupari.
Anastácio e Aline, vendo aquela cena bonita de amizade e respeito, sorriram com o coração leve, sentindo que tinham feito parte de algo grande demais pra explicá com palavra.
Mais tarde, Tupari levou os dois até uma caverna sagrada, escondida entre as pedra. Lá dentro, com luz de tocha e cheiro de erva boa, Anastácio e Aline se olhavam com ternura. O perigo tinha unido ainda mais os coração.
— Aline... depois de tudo isso, eu sei que te amo de verdade. — disse Anastácio, com voz embargada.
— E eu amo ocê, meu cabra valente. — respondeu Aline, encostando a testa na dele.
Ali, naquele cantinho da floresta, entre descoberta e emoção, eles se amaram com a força de quem venceu o medo. A caverna guardô o segredo de dois coração que se encontraram no meio da aventura.
No outro dia, Tupari e Malichi levaram eles pra tribo. O povo recebeu com dança, tambor e comida boa. O pajé , homem velho de sabedoria, levantô as mão pro céu e falou:
—Pajé Aré : Que o amor de ocês seja como rio: firme, profundo e sempre correndo junto. Que a coragem que salvô Malichi seja a base dessa união.
Com os coração cheio de alegria e respeito, Anastácio e Aline voltaram pra casa, de mão dada e alma leve. Sabiam que aquela floresta tinha mudado tudo. E que o amor deles, agora abençoado, era mais forte que qualquer perigo.
Capítulo 5 penúltimo capítulo: Bom Namoro Dá Casamento
Anastácio tava lá no campo, cuidando das roseira com carinho, pensando na vida e no amor que sentia por Aline. Com o coração cheio de esperança, murmurô pra si mesmo:
— Pretendo dá um passo a mais, sô... quero tê Aline do meu lado pra sempre. Num é só namoro não, é coisa séria.
Do outro lado do campo, Aline também tava mexendo nas roseira, com o vestido florido balançando no ventim. Anastácio atravessô o carreador e falou com jeitão apaixonado:
— Ô meu amor, hoje quero que ocê vá lá em casa. Minha mãe vai fazê um jantar bão demais. Ela tá doida pra te conhecê.
— Vou sim, meu bem! — respondeu Aline com sorriso nos beiço. — Também tô doida pra conhecê minha futura sogra.
— Então tá combinado! — disse Anastácio, já com brilho nos olho.
No caminho de volta, Anastácio cruzô com Osmar, que vinha com enxada no ombro e cara de quem sabe das coisa.
— Eita, homem! — falou Osmar. — Faz logo o pedido de casamento! Moça igual Aline tá difícil de achá, viu?
— Isso é verdade, Osmar. — respondeu Anastácio. — Bora trabalhá, que o dia ainda tá longo.
Os dia se passô ligeiro. Chegô o final de tarde, e Aline tava arrumando as coisa pra ir embora da fazenda, quando Alberto, cabra atrevido, apareceu por trás e agarrou ela.
— Anastácio, tá doido? Aqui não, homem! — gritou Aline, tentando se soltá.
— Não é o Anastácio, sou eu, Alberto! Vem comigo, vou te mostrá o que é amor de verdade! — disse ele, tentando beijá ela à força.
— Socorooo! Me solta, seu sem-vergonha! Alguém me ajuda! — gritava Aline, lutando com todas as força.
Alberto ia arrastando ela pro carreador, mas foi aí que Anastácio apareceu, com os olho pegando fogo.
— Solta ela, seu caboclo safado! — gritou, e deu um soco bem dado na cara de Alberto, que caiu desmaiado no chão.
Mais tarde, os policial Toni e Rubens chegô na fazenda. Toni falou firme:
— Alberto, ocê tá preso por tentá abusá da Aline no trabalho. Isso é crime, cabra!
— Eu... eu não sei o que fiz... não foi minha intenção... — murmurô Alberto, sendo levado embora.
Anoiteceu, e na casa de Anastácio, Dona Tereza recebeu Aline com abraço apertado.
— Seja bem-vinda, minha futura nora! — disse com os olho brilhando.
— Obrigada, minha futura sogra! — respondeu Aline, emocionada.
Antes do jantar, Anastácio pegô na mão de Aline, olhou bem nos olho dela e falou:
— Me dá sua mão, minha flor. Ocê aceita sê minha noiva? Logo logo quero casá com ocê e nós sê feliz pra sempre.
Aline, surpresa e com lágrima nos olho, respondeu:
— Claro que aceito, meu cabra valente! Hoje ocê me provô que vai me protegê sempre. Nosso namoro tá mais firme que rocha!
Ela colocou a aliança no dedo de Anastácio, e ele no dela. Os dois se abraçaram forte, com o coração batendo no mesmo compasso.
Dona Tereza, emocionada, falou:
— Que bonito vê o amor de vocês! Esse jantar vai sê lembrado como o começo de uma união abençoada.
E assim, naquela noite cheia de sentimento,Aline e Anastácio estava certo do compromisso que estava fazendo.
Capítulo 6 final: União de Dois Amores
Passaram-se os dias, as semana e até uns meses bão. Aline tava com o coração pulando mais que cabrito no pasto, pois ia realizá seu sonho: casá com Anastácio, o cabra que conquistô ela com jeitão simples e alma valente. Dona Tereza, toda animada, preparava a festança com carinho de mãe, ajeitando cada detalhe do casório.
— Dona Tereza, tô ansiosa demais da conta! — disse Aline, ajeitando o véu com mão trêmula.
— Se acalma, mulher! Vai dá tudo certo. Hoje é dia de união e de festa! — respondeu Dona Tereza, com sorriso nos beiço.
Do outro lado, Anastácio se arrumava com ajuda de Osmar, que não perdia a chance de fazer graça.
— Tá chique demais, homem! Só num vai desmaiá no altar, hein? Isso é gafe das grande! — brincou Osmar.
— Que isso, cabra! Tô firme igual tronco de jatobá. Preparado pro casório e pra vida com minha florzinha! — respondeu Anastácio, ajeitando o cabelo com água de cheiro.
Na igreja Santa Maria, tudo tava enfeitado com flor do campo e pano branco. Os amigos da tribo — Tupari, Malichi, Jurema, Aruã e o pequeno Natu — tavam presente, com roupa de cerimônia e olhar de respeito. Padre Marcelino chegô de carroça, com a Bíblia debaixo do braço e fé no coração.
— Tá preparado pra essa união, meu filho? — perguntou o padre, olhando firme pra Anastácio.
— Mais que preparado, padre. Hoje é dia de selá o amor que nasceu lá na mata e cresceu igual roseira bem cuidada.
A música começou a tocá, e todos se levantaram. Aline entrou devagar, com o pai Oscar do lado, vestida de branco e com sorriso que clareava a igreja inteira. Anastácio segurava as lágrima, mas o coração já chorava de emoção.
Padre Marcelino abriu a cerimônia com palavras bonitas:
— Hoje celebramos não só um casamento, mas a união de dois coração que enfrentaram perigo, viveram aventura e descobriram o amor verdadeiro. Agora, Anastácio, ocê aceita Aline como sua legítima esposa, até que a morte os separe?
— Aceito sim, padre. Com todo meu coração.
— E Aline, ocê aceita Anastácio como seu legítimo esposo, até que a morte os separe?
— Aceito sim, padre. E com muito amor.
— Então, diante de Deus e desse povo querido, Anastácio... pode beijá sua esposa!
O beijo foi demorado, cheio de ternura e respeito. O povo aplaudiu com força, Dona Tereza chorava de alegria, e Tupari sorria com orgulho.
Anastácio olhou nos olho de Aline e falou:
— Que essa união nossa seja igual cravo e rosa: juntinho, sem se separá nunca mais.
Aline respondeu com voz doce:
— Que nosso amor perpetue com respeito, carinho e muito amor. Ocê é meu destino, Anastácio.
Dois ano depois, lá na beira do rio, eles contemplavam a natureza com os filhos Zé Carlos e Doralice correndo por ali.
— Quem diria, né Aline? Dois filho lindo e uma vida cheia de bênção.
— Verdade, Anastácio. Pensa nuns menino que dá trabalho... mas é o amor da nossa vida.
Zé Carlos gritou: — Papai, olha que pedra bonita que achei no rio!
Doralice completou: — É muita bonita mesmo!
E ali, com o som da água correndo e o céu pintado de fim de tarde, Anastácio e Aline se abraçaram, felizes com um amor feito de respeito, lealdade e união.

