Amor em Taikeizume
Em meio ao trabalho árduo na colheita de arroz no interior do Japão, Hirochi adormece sob o sol e mergulha num sonho intenso que o transporta para o ano de 2023. Lá, ele se vê como um grande inventor, criando mulheres humanoides perfeitas — e entre elas, a misteriosa May. Mas ao acordar com os gritos carinhosos de sua noiva Maryu, a realidade volta… ou será que o sonho era uma visão do que ainda está por vir? Entre enxadas, engrenagens e corações divididos, Hirochi precisa escolher o que é mais real: o futuro ou o agora.
História criada escrita por Edivaldo Lima.
História de Dorama
Contada por Jasmim
História 9 Capítulos
Gênero: romance,comédia,drama,futurista rural.
Personagens principais: Hirochi,Maryu personagens secundários:May robô Humanoide,Koyko,Tenchi Ko,Aru,Akira,Rarume (cão).
[Capítulo 1 – O Começo do Sonho
Em 10 de junho de 2023, no vilarejo de Takeizumi, cercado por um lindo bambuzal e um rio de águas tão claras que dava pra ver até os peixinhos nadando, Hirochi tava que tava, concentrado que só no projeto dele.
Era um monte de peça robótica, fio colorido pra todo lado, e a tal inteligência artificial que ele mesmo ia colocando no bicho. O projeto ainda nem nome tinha, mas o moço tava mais do que certo que ia ser um trem bão demais da conta.
Dava até gosto de ver ele dando vida à May, uma moça... quer dizer, uma humanoide feminina que era a cara da tecnologia. E num é que parecia que ela respirava, sô?
Hirochi coçou a cabeça, ajeitou os óculos no nariz e disse com aquele jeito dele, bem animado:
“あのねぇ~... Isso vai ficá incríve, visse? Cê vai tê uma pele de silicone mais lisa que tábua nova de passar roupa, e um cabelo danado de bonito... あのさ、só que eu ainda num sei a cor, viu? Mas até o fim do projeto eu descubro. うん、porque ideia boa e imaginação num me falta não, viu?”
Ele soltou um suspiro satisfeito, enquanto a brisa passava leve entre os bambus.
Capítulo 2 – O Espião do Barracão
Jin Ki, um sujeito curioso, meio desengonçado e de olhos puxados mais atentos que gato farejando sardinha, tava ali, escondido atrás da janela do barracão de Hirochi. Só a pontinha do boné aparecia, e o bigodinho tremia de emoção.
Ele ajeitou os óculos tortos, coçou o queixo e murmurou com aquele jeitão dele, bem atravessado:
“あれ?Mas será o benedito... que coisa mais bunita, sô... Essa humonoide é uma belezura que só! えっとな, será que o presso dela é baratim? Tipo assim... presso de suco de limonada da dona Harumi no festival do arroz doce, né?”
Se inclinou mais um cadinho, quase tropeçou num balde velho, mas conseguiu se firmar antes de dar com a cara no chão. Fez pose de pensador e concluiu, suspirando:
“ほんまに、se for baratim mesmo, eu já vou comprá uma pra sê minha namorada, ué! Ave Maria... que curvas robóticas são essas, credo! Parece até que foi modelada com molde de manga madura... おぉぉ、Hirochi vai ficar rico que só! Vai ganhá cliente até do outro lado do Japão, tô é vendo... ima.”
E sem fazer barulho, Jin Ki puxou um bloquinho do bolso, rabiscou um plano secreto com lápis mordido, e escreveu em letras garrafais: "Operação Robô Namoráve".
Mal sabia ele que uma sombra se movia atrás do barracão... e alguém — ou algo — tava ouvindo tudo.
Capítulo 3 – Espião, Noivado e a Sopa do Futuro
Lá tava o Jin Ki, mais uma vez com a cara colada no vidro embaçado do barracão, parecendo menino em vitrine de loja de brinquedo. Mas dessa vez, não tava sozinho...
Do nada, surge Maryu, a filha do senhor Tanaka, dono da maior plantação de arroz de Takeizumi. Ela cruza os braços, bate o pé no chão de terra batida e solta:
“あのねぇ~ Que coisa mais feia, sô! Espiando o que é dos outro?! Cê num tem vergonha na cara não, Jin Ki-san?”
Jin Ki levou um susto que quase engoliu o bigode de susto.
“えっ?!Mas, mas agora tu tá me seguindo é, Maryu?” — ele resmungou, ajeitando o boné com um puxão desajeitado.
Maryu deu dois passinhos pra frente, nariz empinado como quem sabe o que quer:
“うん、Tô cuidando do que é meu, uai! Porque no futuro, meu pai quer que ocê casa comigo pra cuidar das plantação de arroz lá do vale!”
Jin Ki arregalou os olhos, a voz saiu que nem eco em caverna:
“なにぃ~?! Casar? Eu?! Mas eu tenho é outros plano, mulher!”
Maryu cruzou os braços com força, desconfiada como galinha vendo raposa:
“ほぉ~? Que plano é esse que vale mais que um arrozal inteiro, seu futurista de espantalho?”
Jin Ki puxou um panfleto amassado do bolso e ergueu como se fosse mapa do tesouro:
“わかるかな~ Eu vou sê vendedor! Mas não é qualquer coisa não... É dum negócio que vai revolucioná o Japão... e o mundo inteiro, cê vai vê. Cês num tão pronto ainda não.”
Maryu olhou com os olhos apertadinhos:
“あんた tá falando é do quê, homem? Comeu o quê hoje? Sopa de peixe com saquê azedo foi?”
“まぁまぁ、Ainda é cedo, Maryu-chan... Mas ocê vai saber. E quando souber, vai se arrependê de querer me amarrar no arrozal em vez de me apoiar no futuro!” — disse ele, com voz de filme de ninja de baixo orçamento.
Maryu bufou, virou as costas com um coque bamboleando e disse:
“んじゃねぇ~ Vai lá, visionário! Mas se esse plano de dominação mundial envolver robô bonita, cê num me escapa, viu?”
Enquanto ela saía, uma engrenagem caiu discretamente no chão ali perto... e no meio da poeira, alguém espreitava por trás dos sacos de arroz. Quem mais estaria ouvindo essa conversa.?
Capítulo 4 – Engrenagens, Segredos e um Sonho Brasileiro
Num fim de tarde meio avermelhado, com o barulho dos sapo coaxando no brejo e cigarra cantando sem parar, lá tava Tenchi Ko, meio estabanado, espiando pelos fundos do barracão. De tão nervoso, derrubou uma engrenagem no chão que rolou batendo nos baldes com um CLANG! que fez até passarinho voar.
Ele se abaixou rápido, sussurrando pra si mesmo:
“やばいなぁ~... Caramba, mulher-humonoide! Num é que o Hirochi tá mesmo há uma semana dentro desse barracão, dando vida naquela belezura de robô?”
Olhou pros lados, suando mais que tampa de chaleira:
“Ora pois... Se eu entrar nesse projeto, ganho uns okane do bão, sô! Daí consigo comprá a passagem da minha vó Zaru... que não para de dizê que o sonho dela é conhecer o Brasil, uai! あのねぇ~ seria bonito, viu?”
Foi aí que Maryu, com seu jeito desconfiado e braço na cintura, apareceu do nada, feito assombração de novela:
“ん?Até ocê tá aqui, Tenchi?! Escondido atrás dos saco de arroz, é?”
Tenchi engoliu seco, deu um risinho amarelo:
“ええっと... Eu só vim colher uns fruto perto do lago, Maryu-chan! Não ouvi foi nadinha desse barracão aí, viu? Palavra de caipira do bem!”
Maryu arregalou os olhos e soltou com a mão na testa, igual mãe flagra menino com a mão na panela quente:
“ほんまに~ Vocês rapaz japonês tá é mais confuso que riacho parado depois de chuva, sô! Um quer espiar, outro quer casar, outro quer vendê robô pelo mundo… Tá parecendo novela Japonesa com ninja de fundo!”
Tenchi coçou a cabeça, mas antes que pudesse responder, ouviu-se um barulho mecânico estranho vindo de dentro do barracão — algo como “BZZZT-k-krrzz... Konnichiwa... amigos?”
Os dois ficaram paralisados.
Maryu sussurrou:
“O que que é isso agora, Tenchi...? Isso não é Hirochi...”
Tenchi, pálido, segurou o braço dela:
“ははは... Se for a robô acordando antes da hora... nóis tá é lascado, Maryu-chan!”
Lá dentro, entre fios brilhosos e cheiro de solda, May piscava os olhos pela primeira vez... e estava ouvindo tudo.
Capítulo 5 – A Humanoide Caliente e a Revolução Amorosa de Takeizumi
Dentro do barracão, entre fios brilhando, cheirinho de solda e papel alumínio sobrando dos lanchinhos de Hirochi, May abriu os olhos, sorriu com elegância... e girou o pescocinho com um clique elegante.
Hirochi, emocionado, bateu palminha nervoso igual galo empoleirado:
“おおぉ!Olá, May! Me diga uma palavrinha em japonês, só pra eu ver se tá funcionando direitinho...”
May olhou com brilho nos olhos digitalizados, e respondeu com uma voz meiga e curiosamente confiante:
“うふふ… Uai, cê num me atualizou direito ainda, Hirochi-san! Cê fala desse jeitão caipira todo enrolado... Mas posso falar, sim. Como uma humonoide mulher: romântica, carinhosa, brava... e até caliente se precisá, viu?”
Hirochi engasgou com o próprio entusiasmo, deu três passos pra trás e tropeçou num tambor de parafuso.
“ほぉぉぉ!May do céu, eu vou é te programar bem programadinha! Porque eu num quero ninguém vindo aqui depois dizer que ‘devolve essa moça’... Aqui tem garantia de robô de primeira, viu?!”
Lá do lado de fora, Maryu, que ouvia tudo com as mãos na cintura e as sobrancelha arqueada, explodiu:
“もう~ Agora que eu não caso mesmo, viu?! Os rapaz tudo do vilarejo vai querer é namorá essas humonoide aí, com curva de desenho animado e voz de dubladora de novela coreana!”
Tenchi, que mastigava um broto de bambu achando que era pepino, comentou com ar de sabedoria de boteco:
“んん~ Diferença de namorar uma humonoide é que ela só fala com nóis quando quer. E o melhor: ela num pega no pé igual gente de verdade… só se tiver sensor de toque no pé, né?”
De repente, Aru, o irmão mais velho e faixa preta em segredo e sarrabulho, saiu das sombras batendo o chinelo no chão:
“あかんで、fica queto, Tenchi! Num vai espalhar essa novidade pro vilarejo, não! Se a vó do templo souber disso, vai achar que é espírito do além. Se abrir o bico, te dou um karatê que cê vai acordá falando em código binário!”
Todos ficaram em silêncio. Menos May, que sussurrou com voz baixinha e enigmática:
“しずかに... Alguém além de nós está ouvindo essa conversa...”
As luzes do barracão piscaram. Um ruído estranho ecoou. E no monitor de programação... apareceu uma nova linha de código que ninguém ali tinha escrito.
Capítulo 6 – O Ninja das Sombras e o Cão de Guarda
Era uma daquelas noites escuras feito fundo de poço, onde nem sapo coaxava e macaco nenhum se arriscava a pular de galho em galho pra catar fruta madura. Um silêncio só, que deixava até a lua desconfiada.
Foi então que surgiu ele: Akira, vestido de preto da cabeça aos pé, parecendo ninja de filme antigo. Com luva, touca, e os olhinhos esbugalhados igual coruja em jejum, ele se esgueirava pelas moitas perto do barracão do Hirochi.
Sussurrando pra si mesmo, cheio de suspeita, soltou:
“あのねぇ~... Eu num tô gostando disso, não. O Hirochi tá muito escondidim aí dentro. Pra mim, ele tá é tramando um mistério dos grande. Deve tá fazendo alguma coisa que vai revolucioná o vilarejo... o Japão... quem sabe o mundão inteiro, ué!”
Se abaixou atrás de um tonel enferrujado, tentou pegar um binóculo de bolso — mas puxou foi um limpador de lente por engano.
Antes que pudesse espiar pela fresta da janela, um rosnado baixo cortou o silêncio da noite. Os pelos do pescoço de Akira levantaram na hora.
Ali estava ele: Rarume, o cão capa preta, fiel guardião do barracão, solto por Hirochi naquela noite. Com olhar mais afiado que faca de sashimi e focinho inquieto, o bicho farejava tudo que era canto, andando de sentinela igual guarda real.
Akira congelou.
“まじかぁ~... H-Hirochi de bobo num tem é nada, sô... Soltou logo o cão samurai pra cuidá das engrenagem. Esse Rarume aí... parece até que lê pensamento!”
Rarume parou. Olhou direto nos olhos de Akira. Um segundo. Dois. Três...
Akira respirou fundo, sussurrou pra si mesmo:
“どない agora...? Ou eu fujo, ou eu viro ração de cão tecnológico...”
Rarume rosnou mais uma vez... mas em vez de atacar, sentou e latiu uma vez só.
Lá dentro, Hirochi, deitado numa rede, abriu só um dos olhos e murmurou:
“うん?De novo o espião... amanhã vou colocar câmera até no pé do pé de bambu, ué.”
Enquanto isso, May, conectada ao sistema de segurança, assistia tudo com um sorriso misterioso... e alguém, muito além do vilarejo, observava os dados sendo transmitidos.
Capítulo 7 – Chá, Rascunhos e Planos Ocultos
Na varanda de bambu trançado, com o sol se escondendo entre as montanha de Takeizumi, Koyko rabiscava animado no caderno. Um vaporzinho subia da xícara de chá verde, enquanto ele traçava os contornos de uma humanoide feminina de corpo curvilíneo, como ele mesmo dizia, “pra mode parar o trânsito de drone”.
Coçou o queixo, deu um gole e falou baixim, com os olhos brilhando:
“あらま~ Só falta ganhar vida, visse? Já pensô... uma belezura dessa com sensor de toque e alma de artista. Será que tem algum lugar contratando desenhista de manequim robótico? Eu ia é me consagrá!”
Do nada, Maryu apareceu do portão, com uma folha de taioba na mão e cara de quem já tinha ouvido coisa demais por hoje:
“ほんまに~ Até ocê, Koyko?! Tá também no tal projeto, é?”
Koyko piscou confuso, tropeçando nas próprias palavras:
“んん?Que projeto, sua lesada? Nem tô sabendo de nada, ué!”
Maryu, com aquele jeitão todo desconfiado, sentou do outro lado da mesinha, puxou a xícara de chá pra perto e explicou, como quem solta bomba:
“O projeto da mulher robótica, uai!”
Koyko engasgou com o chá, bateu no peito e falou meio apavorado, meio empolgado:
“女の人ロボット?Ah... cê quer dizê mulher humonoide, né? Peraí... isso é real mesmo?”
Maryu, com um gole teatral e cara de novela coreana, disse:
“うん。Sim, meu amigo. E o cabra que tá fazendo é o Hirochi. Lá no barracão secreto dele. E parece que tá quase pronta.”
Koyko fechou o caderno devagar. O olhar dele mudou. Sorriu, mas por dentro já tava tramando:
“おおぉぉ… Interessante, viu... eu só... vou precisar sair um tiquinho. Dar uma volta... esticar as pernas...”
Mas o pensamento por trás da fuça de Koyko era outro: “Vou é mostrar meus rascunho pro Hirochi antes que ele finalize esse projeto! Vai que eu viro o designer-chefe dessa robô arretada!”
Maryu, que não nasceu ontem, apontou com o dedo em riste:
“Isso é desculpa, rapaz! Ocê vai é lá se enfiá no projeto de gaiato. Volta aqui, cê não me engana!”
Koyko já descia pela trilha de pedras com passinho apressado:
“またあとでね~ Só mais tarde, Maryu! Depois a gente conversa... ou num conversa!”
Maryu bufou. O vento balançou as folhas de bambu. E no caderno esquecido por Koyko, uma das humanoides rabiscadas parecia sorrir com olhos que nunca tinham sido programados…
Capítulo 8 : Fogaréu no Coração e no Barracão
O sol já tava se escondendo atrás dos bambus quando Koyko, com lápis no bolso e brilho de esperança nos óio, chegou diante do barracão secreto do Hirochi. Bateu na porta com jeito:
“こんちはぁ~ Hirochi! Cê tá aí, homi? Eu vim vê se tem uma vaguinha... queria só uma oportunidadezinha de trabalhá com essas humonoide cheia de elegância, uai!”
Mas nada. Nenhuma resposta. Nem um barulho de chave de fenda. Silêncio total.
Só que lá de cima do morro, Aru, com binóculo na mão e caderninho de anotações, observava tudo e clicava retrato escondido feito espião de novela japones.Resmungou:
“なんやて~ Eu casei, fui homem de coragem! Agora esses marmota quer tudo namorá robô?! Num vou deixá isso acontecer não, viu? Nesse vilarejo tem é muita mulher viva querendo marido de verdade... e eles aí, doido em fio de cobre e olho LED. Tsc!”
Enquanto isso, Hirochi vinha cortando estrada de chão batido numa bicicleta toda equipada com GPS, rádio AM e cestinha, suado e aflito:
“やばいなぁ~ Tenho que chegá na cidade antes da loja de peça robótica fechá... se não, May vai ficá com um braço travando igual portão velho! Não posso vacilar!”
De repente, Tenchi Ko apareceu no barracão, limpando a testa com a manga da camisa:
“Oia só quem tá aqui! Cê também tá de olho na tal vaga de emprego das mulher robótica, né Koyko?”
Koyko abriu seu caderno todo amassado, com orgulho nos dedos e arte no coração:
“うん、então é verdade, né meu parça? O Hirochi tá mesmo fazendo um projeto grandioso… ó só essas ilustração minha aqui! Qual delas cê gostou mais, hein? Essa de cabelo verde ou aquela de saia tecnológica que dança lambada com chip Wi-Fi?”
Tenchi arregalou o zóio:
“ほぉぉ~ Rapaz... uma mais linda que a outra! Sempre gostei do seu traço, viu. Parece até desenho que tem alma. Dava era pra expor lá na Feira do Futuro!”
Mas enquanto os dois sonhavam com sucesso digital, lá vinha Maryu, bufando poeira e descendo a ladeira em cima de uma bicicleta... seguida por quatro moças do vilarejo, tudo com saia rodada, lenço na cabeça e cara de poucos amigos.
Gritou:
“さぁぁ~ Vamo simbora, menina! Hoje a gente resolve isso! Se os rapaz prefere robô, então a gente vai é colocá fogo nesse barracão de plástico e parafuso! Queima fio, queima engrenagem, mas num queima nossa dignidade não!”
As moças pararam na frente da porta, com galões de água de arroz fermentado na mão, já armando barricada de emoção.
Koyko e Tenchi ficaram pálidos.
“んんん~ Mas cês vão mesmo tacar fogo?! N-não seria melhor só conversar, tomá um chá de camomila e... sei lá, desligá a tomada da May?”
Maryu apontou o dedo, dramática como só uma vilareja apaixonada consegue ser:
“今日は... Ou é a gente... ou é o robô! Decide aí, vila de Takeizumi! Porque amanhã... é o fim de uma era!”
Capítulo 9 Final: Robô? Isso É Trabalho Dobrado, Sô!
Takeizumi, verão de 1998. O sol rachava o bambuzal como quem frita pastel em óleo fervendo. Lá no campo, Maryu suava colhendo arroz, chapéu de palha torto e o pensamento longe.
Olhou pro lado e resmungou:
“ねぇ Aru, será que o Hirochi vai casar comigo, uai? Já tá quase na hora do casório e ele nem deu sinal de vida…”
Aru enxugou o rosto com um pano encardido e respondeu, filosofando como todo irmão mais velho faz:
“まぁまぁ、Acredito que sim, minha irmã... mas até agora esse cabra tá é dormindo um sono mais pesado que boi no curral depois de ceia!”
Koyko, que sempre aparecia com alguma ideia absurda, chegou com a cara de quem tinha escutado fofoca quente:
“おい!Maryu, o Akyra mandou te chamar! Vai que com seu jeitinho carinhoso de moça arretada, cê acorda ele no amor — ou na gritaria mesmo!”
Maryu bufou, amarrando a barra da calça:
“Acorda, sim! Tá achando o quê? Ele que se arrume, que tem muito arroz pra colher! Vai fazê parte da família, ou não?!”
Pegou a bicicleta e saiu cortando estrada com o cabelo ao vento.
Chegando na casa do Hirochi, entrou sem bater — como toda futura esposa brava e apaixonada faz. E lá estava ele... deitado no sofá, roncando baixo, murmurando:
“おぉ... linda May... quero ver você linda... pronta pra casar...”
Maryu congelou.
Olhou pro teto. Olhou pro Hirochi.
E gritou com aquele tom que mistura amor e ameaça:
“ヒロチィィィィ!!Quem é essa danada, Hirochi?! Me fala agora antes que eu ponha arroz cru na tua cueca!”
Hirochi acordou assustado, se embolando todo no cobertor:
“うわっ!Oxi, o quê? May? Que danada?! Eu só deitei aqui, uai, esperando a hora de ir pro sítio de novo... devia tá sonhando, só isso, Maryuzinha minha!”
Ela cruzou os braços:
“夢か?Sonhando, é? Com uma tal de May?! Já esqueceu que nosso casamento é sábado?!
Hirochi coçou o queixo, todo sem graça:
“わかんないなぁ~ Eu não esqueci não, amor! Só sei que esse sonho foi estranho... acho que tô assistindo muito Dragon Ball Z ultimamente... aquela Androide 18 me influenciô, viu?”
Maryu olhou firme... e sorriu, daquele jeitinho que mistura ciúme com carinho:
“Pode até sê, mas como eu não sou ciumenta... hoje não vou te dá beliscão...”
(deu só um puxãozinho de orelha)
“Mas só se cê me dar um beijo caprichado antes de ir pro trabalho, viu?”
Hirochi abraçou ela com gosto, e disse baixim no ouvido dela:
“なんでやろなぁ… Esse futuro de mulher robótica... é bonito, é moderno… mas o meu amor mesmo é por você, Maryu. Única peça original que vale a pena, sô.”
“E por fim… Hirochi e Maryu se casaram. Num casamento pra lá de bom, viu? Com comida japonesa feita no capricho caipira: teve sushi enrolado em folha de bananeira, moti doce com doce de leite, e chá verde servido em cuias de madeira esculpida por seu Aruto…”
May suspirou — ou o que seria o equivalente robótico de um suspiro — e continuou escrevendo:
“Eles vieram de Minas Gerais pro Japão com um sonho na mala e arroz nos sapatos… E esse tal de Hirochi, apesar de sonhador, tem um coração que pulsa mais forte que qualquer engrenagem. Acho que ele ainda vai revolucionar o futuro com suas humanoide tudo de bão. Mas deixa eles viver em paz, uai — porque o amor deles… já é o que há de mais avançado por aqui.”

