História Fúria de uma Mãe

Contos de Histórias
0

Fúria de uma Mãe.

Tereza, mãe solteira, cria seu filho Tenório sozinha após ser abandonada pelo pai dele, Roberto. Um dia, Roberto sequestra Tenório, e Tereza, furiosa, vai resgatá-lo, acabando por acidentalmente ferir Roberto. Presa, Tereza passa anos na cadeia, enquanto Tenório cresce e assume os negócios da família. Ao final, Tereza morre, e Tenório, casado com Carmelita, tem um filho a quem pretende ensinar os negócios da família, buscando viver com respeito, cumplicidade e lealdade.

História criada escrita por Edivaldo Lima.

Contos Curtos

Gênero: drama

personagem principal: Tereza, personagens secundários: Tenório Filho,

Roberto Pai, Jesuíno capanga, Osmar Capanga, Moacir, Rosa, Francisca tia, Carmelita esposa, Marujo Manoel, Mauro amigo, Armando filho. 

📖 História a Contar

sinta-se avontade para ler essa história:

[O sol começava a nascer em Murici, na Bahia, trazendo mais um dia de rotina para Tereza e seu filho, tenório.

— Filho, acorda! Acorda, já tá na hora de se arrumar para o colégio! — chamou Tereza, com a voz doce, mas firme.

Ainda sonolento, o menino se espreguiçou e respondeu:

— Oxente, mainha… Bom dia! Hoje eu queria ficar em casa. O tempo tá para chuva… Nada melhor que dormir mais um pouco.

Tereza sorriu e balançou a cabeça.

— Oxente Nada disso, menino! Vai estudar para ser alguém na vida!

Enquanto preparava o café e colocava à mesa, ouviu Tenório resmungando do banheiro:

— Estudar é bom, mas dá uma preguiça… E meu painho? Ele estudou, mas nunca mais vi ele…

O sorriso de Tereza se desfez por um instante. Suspirou fundo e respondeu:

— Seu pai estudou, se formou, mas escolheu um caminho diferente, seguiu a vida dele no mundo lá fora.

— Que pena… Nunca mais veio me ver.

— Mas você tem a mim, meu filho. Sempre que precisar, estou aqui. Nunca se esqueça: estou aqui para te proteger.

Já à mesa, Tenório saboreava o café da manhã.

— Mainha, esse pão caseiro tá bom demais! O tempo passou rápido hoje, esse relógio de parede tá acelerado.

— Verdade, meu filho. Vamos, vou te levar até a escola.

No caminho, Tenório lia um livro intitulado Marinheiro Sonhador.

— Mainha, esse livro é bom demais!

— Que bom que você gosta, meu filho. Chegamos! Preste atenção na aula, respeite seus amigos e nada de briga, viu?

— Pode deixar, mainha! Não se preocupa. Olha, o Mauro chegou de bicicleta… Um dia ainda quero ter uma dessas. Tchau, mainha!

— Tchau, meu filho. Bons estudos!

O Sequestro

Tereza voltou para casa, mas antes passou no mercadinho.

— Bom dia, seu Moacir. Como estão as vendas?

— Bom dia, Tereza! Estão indo bem. Já separei sua compra do mês.

— Obrigada! Já vou deixar paga. Aqui está o dinheiro. Bom dia e bom trabalho!

— Obrigado, Tereza!

Mais à frente, encontrou Rosa, uma amiga.

— Bom dia, Tereza! Chegaram umas encomendas de redes de pesca.

— Que bom, Rosa! Esse dinheiro já vai me ajudar no final do mês.

— Vai ajudar a todas nós! Marujo Manoel vem na sexta-feira buscar e pagar.

— Entendi. Obrigada, desde já. Agora vou indo.

— Que Deus te acompanhe!

Enquanto isso, na frente do colégio, dois homens, Jesuíno e Osmar, capangas de confiança de Roberto, pai de Tenório, conversavam.

— Alô, chefe. Estamos na frente do colégio.

Do outro lado da linha, Roberto ordenou:

— Não assustem o menino. Quero que ele chegue bem à mansão.

— Pode deixar, chefe. Vamos levá-lo em segurança.

Horas depois, quando o sinal bateu, Jesuíno acenou para Tenório.

— Ei, Tenório! Venha cá!

O garoto se aproximou, desconfiado.

— Quem são vocês? O que querem?

— Seu pai, Roberto, quer te ver. Trabalhamos pra ele.

— Meu painho? Eu… eu não sei se devo ir…

Osmar tentou acalmá-lo:

— Vamos levá-lo em segurança.

— Tudo bem... Mas deixem um bilhete pra minha mãe, pra ela não se preocupar.

Jesuíno concordou e Osmar escreveu o recado. Logo depois, partiram rumo a Salvador.

A Fúria de uma Mãe

Horas depois, Tereza encontrou o bilhete:

"Querida mãe, meu pai quis me ver. Ele enviou os capangas para me levar até ele. Vou dar um abraço nele e logo volto. Com carinho, seu filho que te ama, Tenório."

O coração de Tereza disparou. Raiva e preocupação tomaram conta dela. Sem pensar duas vezes, pegou sua arma, entrou no carro e dirigiu até Salvador.

Enquanto isso, na mansão de Roberto, Tenório encontrava uma mesa farta e brinquedos.

— Meu filho, me perdoe por ter te abandonado. Fiz muita burrada na vida... Sei que trazer você sem a permissão da sua mãe foi errado, mas eu precisava te ver.

— Eu entendo, meu painho…

— Posso te dar um abraço?

Com um pedaço de bolo na mão e segurando um brinquedo, Tenório permitiu que Roberto o abraçasse.

Pouco depois, Tereza irrompeu na mansão, furiosa. Apontou a arma para os seguranças e subiu as escadas.

— Seu cretino! Agora que tem uma mansão de luxo, quer ver seu filho quando foi embora com as mulheres da vida, não sentiu saudade nem de mim, nem do seu filho, tome vergonha na cara homem.

Roberto tentou argumentar:

— Tereza, eu errei. Te abandonei grávida, fui um covarde. Mas hoje eu me arrependo. Só queria ver meu filho…

Tereza, tomada pela fúria, gritou:

— Tenório, vem pra cá!

O menino correu para o lado da mãe. No instante em que ele se afastou do pai, um disparo acidental ecoou pela varanda.

Roberto caiu no chão, ferido. Com a voz fraca, murmurou:

— Meu filho... eu te amo. Tereza, cuide dele... Me perdoe...

— Pai! — gritou Tenório, em desespero.

Tereza caiu de joelhos, chorando.

— Me perdoa, meu filho... Eu não queria...

Horas depois, a polícia chegou e prendeu Tereza. Tenório ficou sob os cuidados de sua tia Francisca. Ao ver sua mãe sendo levada, chorou:

— Tia Francisca, perdi meu pai e minha mãe...

— Eu vou cuidar de você como se fosse meu filho, Tenório.

O Legado de Tenório

Os anos passaram. Tenório cresceu, tornou-se um homem forte e assumiu os negócios do pai. A empresa de açúcar prosperava sob sua liderança.

Namorava Carmelita, e sempre que podia, visitava o túmulo do pai e a prisão onde sua mãe estava.

— Meu filho, que bom te ver. Você nunca me esqueceu... — dizia Tereza, já envelhecida.

— Mãe, quero te levar pra morar comigo quando sair daqui.

Tereza segurou sua mão com carinho.

— O que acontecer, lembre-se: sempre vou te proteger...

Naquele dia, comeu um pedaço de bolo de aipim que Tenório trouxe e lhe deu um longo abraço. Ele sentiu que era uma despedida.

Na madrugada seguinte, recebeu a notícia de que sua mãe havia falecido. Chorou, mas encontrou consolo em Carmelita.

No enterro, sepultou-a ao lado de Roberto.

— Obrigado por tudo, minha mãe…

Meses depois, Carmelita deu-lhe uma notícia inesperada.

— Meu amor, agora não somos só nós dois... Estou esperando um filho seu.

O coração de Tenório, antes vazio, preencheu-se de alegria.

Anos depois, sentado na varanda, observava seu filho Armando brincar.

— Meu filho, um dia você vai cuidar dos negócios da família.

Carmelita riu.

— Já ensinando, Tenório?

Ele a abraçou.

— Tem que ser assim.

E ali, abraçados, compreenderam que a vida deve ser vivida com respeito, cumplicidade e lealdade — sem a fúria que destrói, mas com o equilíbrio que traz paz.]

Agradeço a todos que leram essa história.

Postar um comentário

0Comentários

Postar um comentário (0)
To Top