Os Trapalhões, O Natal do Bom Menino
Antes da véspera de Natal, Didi, Dedé, Mussum e Zacarias se envolvem em trapalhadas hilárias enquanto preparam a ceia e fazem compras no mercado. Entre piadas, confusões e momentos de ternura, surge o bom menino Mário Mucilon, vindo do orfanato. Ele foi deixado na casa mais humilde do bairro para descobrir se os Trapalhões teriam bom coração.
Entre risadas e emoção, os Trapalhões mostram que o verdadeiro espírito natalino está na solidariedade e no amor ao próximo.
Conto para todas as idades.
História criada escrita por Edivaldo Lima.
Contos de Histórias
História baseada nos personagens Os Eternos Trapalhões.
Programa TV de humor: Rede Globo
especial de Natal
Gênero: comédia,família,conto natalino
personagens principais: Didi,Dedé,Zacarias,Mussum,personagens secundários: Louro Mané,Mário Mucilon,Zelador do orfanato,papai Noel.
[Cidade de Marajá ( 7h30 ) da manhã:
Ali estava um menino sentado no meio-fio, olhando para as casas — algumas enfeitadas,com enfeites de natal outras não.
Seu nome era Mário, apelidado de Mucilon.
Tudo o que ele queria era passar um Natal diferente.
O que não imaginava é que Deus transformaria aquele Natal em algo único:
Um Natal trapalhão e mágico, para guardar no coração e levar consigo pelo resto da vida.
Amanhecia na cidade de Marajá, 23 de dezembro de 2025.
Zacarias acorda, coloca sua peruca e se espreguiça:
— Ai que canseira, he!... he!... Nem parece que dormi. Hoje já é dia 23 de dezembro!
Caminhando pelo corredor, vai passando pelos quartos. No primeiro, para e comenta:
— Didi!... Ronca que nem um bode velho!
No segundo quarto, vê Dedé dormindo agarrado ao ursinho que ganhou da Xuxa:
— Hur!... Hur!... he!... he!... A paixão pela Xuxa é tanta que dorme com o ursinho!
No terceiro quarto, Mussum dorme abraçado ao alambique, com medo que os ratos levem. Já o Louro Mané repousa na cabeceira da cama. De repente, o louro se vira e fala:
— Zaca!... Zaca!!! Quero Sucrilhos, não alpiste!
Zacarias coloca a mão na boca para não rir alto:
— Hur!... Hur!... he!... he!... Esse Louro Mané é uma figura!
Ao chegar na cozinha, avista pela janela um menino sentado no meio-fio. Pensa consigo:
— Deus do céu! Será que esse menino não comeu nada? Vou chamar ele para tomar café.
Sai e vai até onde o menino está:
— Olá, bom dia! Meu nome é Zacarias. Como você se chama?
O menino se vira, sorri banguela e responde:
— Me chamo Mário Mucilon.
Zacarias ri:
— Hur!... Hur!... he!... he!... Pensei que fosse parente do Tião Macalé! Tem uma janelinha aí... aceita entrar para tomar café? Ali moramos eu, o Didi cearense, o Dedé que se diz galã, e o Mussum da birita. Mas todos somos pessoas de bem.
O menino se levanta, abraça Zacarias e diz sorrindo:
— Só se for agora! Tcham! Essa janelinha é a porta da esperança para um menino de rua como eu.
Zacarias olha para ele e responde:
— Então seja bem-vindo à nossa humilde casa. Se um dia você se tornar um Trapalhão, não se esqueça que já somos quatro! Hur!... Hur!... he!... he!...
O menino conclui:
— Podes crer!
Um Café Especial para o Visitante
Didi acorda e dá uma espreguiçada:
— Haiii!... Que canseira de não fazer nada!
De repente, ouve vozes:
— Ops!... Ouço Pisit!... Quem será esse menino conversando com Zacarias?
Ao se levantar e caminhar, tropeça no boné que estava no chão:
— Tá bum!... Caramba! Não imaginava que boné dava rasteira em cearense logo pela manhã!
Zacarias aparece, vendo Didi tentando se levantar:
— Hur!... hur!... he!... he!... Que foi, Didi? O boné te deu uma rasteira, é?
Didi se levanta, se alonga e reclama:
— Ai!... Minhas costas velhas! Pois é, acho que ele ficou bravo comigo por ter deixado ele passar a noite caído no chão.
Zacarias chama:
— Didi, temos visita de um menino. Venha cá, Mucilon!
Mucilon aparece sorridente:
— Olá, Didi! Me chamo Mucilon, muito prazer em conhecê-lo.
Didi se vira e responde:
— Prazer, Mucilon! Eu me chamo Didi Mocó Sonrisal Nalvagina Mufumbo.
Mário Mucilon ri:
— Ha!... Ha!... Que nome maneiro, Didi! Imagina assinar isso numa prova da escola!
Zacarias cai na risada:
— Hur!... hur!... he!... he!... Acabaria a prova, Mário, e o Didi perderia a chance de passar de ano!
Didi também ri:
— Ha!... Ha!... E então, Mucilon, o que você quer comer de diferente no café da manhã, como nosso convidado?
Mucilon pensa por um instante:
— O que vocês colocarem na mesa... mas de coração.
Didi olha para ele e responde:
— Pode deixar comigo, Pisit!... Sinta-se em casa!
Algumas horas depois, enquanto Didi sai para ir à padaria, Dedé e Mussum acordam.
— Olha, temos visita! Quem é, Zacarias? — pergunta Dedé.
— Esse é o Mário Mucilon, o novo integrante trapalhão! — responde Zacarias.
Dedé se apresenta:
— Prazer, Mucilon! Me chamo Dedé Mingau.
Mussum também se apresenta, com seu jeito único:
— Prazer, cacildis! Quer dizer... Mucilon, eu me chamo Mussum, o homi dos sambis, dos carnavais da Mangueiras, do bom pagodis! O que você achou do Louris Manéis?
Mucilon sorri:
— He!... he!... Mais bonitos que todos nós juntos!
Todos caem na risada.
Nesse momento, Didi abre a porta:
— Rapesolas e Pisit!... Cheguei! Hoje o café é um banquete para esse menino!
Todos se reúnem à mesa. Mário Mucilon não acreditava estar perto de pessoas tão legais como Didi, Dedé, Mussum e Zacarias, que o acolheram. Para ele, só o fato de abrirem a porta e lhe oferecerem o café da manhã já o tornava o menino mais feliz do mundo.
O Gol da Bola Mucha
Depois do café, Dedé estava na poltrona relaxado, como se fosse o dono da casa.
Didi treinava sua bananeira no muro, enquanto Mussum tentava ensinar o Louris Manéis a pedir alpiste em vez de sucrilhos.
De repente, chega uma mensagem no celular de Zacarias.
(Zacarias olhando a mensagem)
— Ei, pessoal! O Álvaro, que se acha dono do campinho e craque da seleção, do time dos Ripas, está nos desafiando para o Torneio do Panetone deste ano. Vou pôr o áudio!
No áudio, Álvaro diz:
— Fala, seus trapalhões! Bora ver quem ganha esse torneio. Quem vencer vai receber todos os panetones e brinquedos para doar às pessoas carentes!
Dedé fala:
— Não podemos perder esse jogo por nada!
Mário Mucilon se vira animado:
— Eu posso jogar como atacante!
Didi se aproxima, pega a placa de escalação e diz:
— É o seguinte: Dedé joga no gol, Zacarias e Mussum na zaga, eu e Mucilon na frente. Porque hoje, até com bola mucha, nós fazemos gol!
Zacarias sorri:
— Hur!... hur!... he!... he!... Ainda vamos distribuir brinquedos e panetones!
Dedé levanta animado:
— Então vamos nessa, pessoal!
Mussum se vira:
— Nosis colocamos o Louris Manéis como loucutoris esportivo do joguis, he!... he!...
Didi pega a bola. Todos vestem a camisa do time. Claro que para Mucilon uma ficou enorme, mas o importante era jogar.
(Zacarias envia mensagem)
— Estamos chegando para o jogo. Que vença o melhor nessa partida!
Ao chegar no campinho do bairro, Álvaro já estava em campo com seu time, todo trajado de uniforme engomado. Já os Trapalhões vinham com uniforme escrachado, como sempre.
Didi olha para o campo:
— Ué, Álvaro, rapazola! Cadê o resto dos times? Não era torneio?
Zacarias observa:
— Verdade! Só está o time trapalhão e o de vocês.
Mussum sorri:
— He!... he!... Cacildis! Vamos jogar essa partidis de futebolis. Quem ganhar levas os panetonis e brinquedis!
Álvaro, sem graça:
— Os outros times desistiram... nem bola temos.
Mário Mucilon apresenta a bola:
— Olha ela aqui, Álvaro! O jogo pode começar agora mesmo!
Álvaro pensa:
— Mas ele vai jogar? Tem certeza que querem jogar?
Didi aponta com o dedo:
— Vocês ficam com a bola para não chorar, Bluá!... Bluá!... Nós ficamos com o campo. E o Mucilon é nosso craque especial!
Álvaro coça o queixo:
— Então vamos começar a partida!
O time dos Trapalhões e o time dos Ripas começam a jogar. Como de costume, o Louris Manéis ficava em cima do gol do Dedé, para dar sorte.
Álvaro sai driblando, mas perde a bola para Didi, que lança para Mucilon. Ele faz um gol de bicicleta! O time dos Ripas fica incrédulo.
Didi comemora:
— Esse Pisit é craque dos bons!
Dedé, sentado no gol, comenta:
— Estou vendo que hoje o time dos Ripas não faz um gol, ops!
Dedé defende quando Álvaro chuta forte. Zacarias dribla, faz firula com a bola e lança para Mucilon, que dribla Roberto e passa para Didi marcar de cabeça.
Ricardo, mais bravo que touro, tenta driblar Mussum. Mas Mussum dá um gole no seu alambiquis, faz embaixadinhas, e o Louris Manéis pega a bola, lançando para Mucilon. Mesmo com a bola furada pelo bico do papagaio, Mucilon faz o gol que encerra a partida.
Álvaro protesta:
— Esse gol não valeu!
Didi responde:
— Valeu sim, rapazola! O Louris Manéis é nosso jogador de reserva!
Enfim, o jogo termina com a bola furada e mucha, mas os Trapalhões vencem. Ganham todos os panetones e brinquedos para distribuir às crianças carentes.
Mário Mucilon ficou feliz em participar de um dia em que o futebol no campinho virou solidariedade.
A Compra da Ceia de Natal
No final da tarde, depois da vitória do time, Mussum e Zacarias lavavam a Kombi para se prepararem e partir rumo ao centro da cidade, onde fariam a compra da ceia de Natal do dia 24.
Enquanto isso, Dedé e Mário Mucilon assistiam ao clássico filme de Natal Esqueceram de Mim na Netflix.
Didi, por sua vez, comia rapadura, e o Louris Manéis, tirando uma soneca, sonhava que jogava no Barcelona.
Didi, quebrando a rapadura, resmunga:
— Caramba, Pisit!... Se eu soubesse que essa rapadura fosse tão dura a ponto de quebrar dentadura, gostaria de ter nascido japonês só pra comer o doce Dorayaki!
(Zacarias se aproxima, pegando o balde com água)
— Ué, Didi! Só você casar com uma japonesa pra comer Dorayaki a semana inteira! Hur!... hur!... he!... he!...
Mussum se vira e comenta:
— Cacildis! Já pensou, rapazis? Um casamentis com forróis e músicas orientais japonesis!
(Didi pensa consigo mesmo)
— Será que o cearense Didi Mocó ficaria bonito de kimono ao lado de uma mulher oriental, uma japonesa?
Dedé aparece na porta da sala e brinca:
— Só teria que tomar cuidado pra não olhar pra outra mulher... senão ela te daria um karatê!
(Dedé faz a pose, imaginando o golpe)
— Hai!... Haaaa!...
Mário Mucilon aparece:
— Ei, Didi! Só não me esquece de me convidar pro casamento. Não preciso ser padrinho, nem levar aliança... apenas comer um pedaço de bolo, podes crer, meu faixa!
Todos dão risada. Horas depois, todos se arrumam. Mucilon ganha uma roupa que era de Zacarias quando pequeno, e veste como se tivesse sido comprada no shopping — mas dada de coração.
No mercado
No Varejão Pague Menos, os Trapalhões e Mário Mucilon faziam as compras. Mucilon ficava encantado com tudo.
Didi se vira:
— Zacarias, não esquece de pegar o peru da Sadia!
(Zacarias pegando um pacote de arroz)
— Pode deixar, Didi! Se ele não fugir do mercado, eu pego!
Dedé, fazendo pose de galã de final de ano, vê algumas moças acenando:
— Olá, queridas! Eu tenho Zap Zap... qualquer coisa, se estiverem carentes, posso desejar feliz Natal!
As moças sorriem:
— Ha!... Ha!...
Zacarias olha e ri:
— Hur!... Hur!... He!... He!... O Dedé tá se achando o cantor Fábio Jr., com mistura de Roberto Carlos entregando rosas!
Mussum olha os preços e reclama:
— Cacildis, meu mô!... O vinho do portis tá mais caro que umas uvas pastis!
Na casinha do Papai Noel
Na fila da casinha do Papai Noel dentro do mercado, os Trapalhões e o menino Mário Mucilon esperavam para que ele tirasse uma foto com o bom velhinho.
Mário Mucilon, encantado, exclama:
— Caramba! Primeira vez que eu vejo o Papai Noel de perto!
Didi olha para Mário Mucilon e brinca:
— Pisit, vai lá, senta no colo do Papai Noel... aproveita e faz a barba dele!
As crianças na fila protestam:
— Não!... Não!... Faz isso não! Papai Noel sem barba não tem graça, acabaria com o espírito natalino!
Dedé intervém:
— Brincadeira, crianças! O Didi só falou de zoeira. Que graça teria o Natal com Papai Noel sem barba, sem gorro e de cabeça raspada?
Zacarias completa:
— Isso é verdade! Papai Noel só pode tirar o gorro... a barba fica! Careca só depois do Natal! Hur!... hur!... he!... he!...
Mussum pensa consigo mesmo:
— Será que o seu Noeis entrega uns vinhos do portis lá em casa? Porque me comportei como um anjis esse ano!
Papai Noel se vira, tossindo:
— Ro, ro... Eu olhei na lista e diz que você tá devendo pro bar da esquina!
Mussum, sem graça:
— Esse dono é um caguetis, não tem espírito natalino... mas acabei de fazer um Pix!
Horas Depois
Ao chegar em casa, Didi coloca Mário Mucilon no quarto. Didi, Dedé, Mussum e Zacarias ficam por um instante na porta, observando o menino adormecer, e depois fecham a porta em silêncio.
Enquanto isso, Zacarias encontra um crachá da instituição Casa dos Bons Filhos, um orfanato. Junto dele, havia um bilhete.
No bilhete estava escrito: “Este ano, ao sair do orfanato, pedi para o zelador me deixar na casa mais humilde do bairro. A de vocês era a mais humilde. Acreditei que, por ser humilde, teria pessoas que poderiam trazer alegria para o meu Natal.
Vocês me mostraram isso.
Amanhã, depois da meia-noite, o zelador do orfanato vai vir me buscar.
Eu vou levar comigo um Natal inesquecível.
Assinado: Mário Mucilon.”
Dia 24 de Dezembro – Véspera de Natal
A noite passou voando e o dia começou a amanhecer na cidade de Marajá.
Didi dormia no sofá, Mário Mucilon na cama de Didi, e Dedé repousava como um anjo depois de tentar ser galã no mercado.
Mussum e Zacarias já estavam acordados. Mussum colocava brinquedos e panetones na Kombi, para serem entregues no Orfanato Casa dos Bons Filhos, onde Mário Mucilon morava.
— Casildes!... Zacarias, aquele jogo que tivemos, onde o Mucilon fez um golacis de bicicletis, valeu mesmo! Podemos fazer muitas crianças felizis! — dizia Mussum.
(Zacarias descascando laranja para o bolo da ceia de Natal)
— Hur!... Hur!... He!... He!... Verdade! O Mucilon, além de craque, é um bom menino. Merece passar esse Natal com a gente. Ainda fez o time dos Ripas pensar... eles não são craques, são apenas jogadores de botão!
(Didi escovando os dentes na caneca, após acordar)
— Que biito estão meus dentes, rapasolas! Parece um bloco de neve! Quem tem dente bonito usa Kolinos. E digo mais, Zaca: Mário Mucilon um dia vai ser melhor que o Neymar!
— He!... He!... Casildes! Esse menino, mi ermô, tem firulas no joguis quando joguis uma bolis em campis! — falava Mussum.
Dedé aparece e olha para a Kombi:
— Olha só! Ganhamos bastante coisa mesmo esse ano para o Natal. Valeu o fute que jogamos... claro, é ganhamos!
Mário Mucilon aparece fazendo embaixadinhas com a bola murcha no pé:
— Pô, meus faixa... bom jogador não precisa estar bonito em campo, de tatuagem, barbinha feita ou cabelo na régua. O bom jogador honra a camisa do time e faz o gol por orgulho do seu time ou da seleção brasileira!
A Ceia
As horas passaram e chegou a noite.
Didi, Dedé, Mussum, Zacarias e Mário Mucilon estavam sentados à mesa. Em silêncio, fizeram um momento de oração.
Depois da meia-noite, Mário Mucilon olha para todos e diz:
— Desejo a todos vocês, Trapalhões, um feliz Natal!
Os Trapalhões respondem em coro:
— Desejamos a você também, Mário Mucilon, um feliz e abençoado Natal!
Eles se abraçam. Didi olha para a mesa e brinca:
— Agora vamos repartir esse peru... senão ele foge e só vamos encontrar no final do ano que vem!
Todos caem na risada...
Didi, Dedé, Mussum e Zacarias trocam votos de “Feliz Natal” entre si.
Mário Mucilon, emocionado, fala:
— Esse foi o melhor Natal que eu já tive!
Os Trapalhões respondem juntos:
— Nós também!
O Retorno
Bi!... Bi!...
Didi sai para fora e vê que chegou a hora . O zelador do Orfanato veio, buscar Mário Mucilon.
— Pisit, nós vamos acompanhar você. Vamos deixar nossa solidariedade do Natal no orfanato! — diz Didi.
Mário Mucilon sorri:
— Então vamos simbora!
Os Trapalhões e o bom menino Mário Mucilon tiram uma foto de recordação juntos e depois partem para o orfanato.
Para Mário Mucilon, aquele Natal foi mais que especial.
E para os Trapalhões, foi um ato de amor ao próximo.

