Virtudes de Amor
Ana, 22 anos, sonhava em amar e ser amada.
Mesmo descrente do amor verdadeiro, ouviu o conselho de Moisés: não desistir.
E foi num banco de praça, entre olhares e melodias, que encontrou Ramon.
No parque, o amor se confirmou — nascendo uma história de respeito, ternura e cumplicidade.
História criada e escrita por Edivaldo Lima.
História em 5 capítulos.
Uma história de minissérie.
Gênero: romance, drama, ,dramédia.
Personagens principais: Ana, Ramon Personagens secundários: mãe Berenice, Moisés do sábia, Rita amiga,carlos,Cleide, Dona Margarida,
[Capítulo 1: Acreditar na Virtude do Amor
Janeiro, década de 1935. O sol já clareava o céu de verão. O relógio na parede da casa de Ana marcava oito horas da manhã. No bairro, a vida fervilhava: vendedores passavam oferecendo suas mercadorias, meninos jogavam bola na rua, mulheres equilibravam baldes de roupa na cabeça a caminho do rio — lavariam para entregar às madames da cidade. Homens abriam o comércio, outros seguiam para o trabalho.
Berenice olhou para a filha e perguntou:
— Minha filha, donde tu vais?
Ana se virou suavemente e respondeu:
— Vou dar uma volta pra espairecer, mãe. Quem sabe caminhando pela cidade de Alvorada eu encontre paz.
Moisés, ao ver Ana, sorriu:
— Hehehe… tu vai encontrar a resposta pro teu coração, Aninha.
Ana riu de leve:
— Hahaha… será, Moisés? Os sabiás tão cantando forte hoje.
Moisés estendeu a mão e segurou um sabiá:
— Pensa num passarinho que canta bonito quando o dia de verão tá radiante. Só ele também reconhece as virtudes do amor.
Ana observou o gesto e sorriu:
— Hahaha… minha virtude de amor tá difícil de achar, Moisés.
Moisés respondeu com calma:
— Não é tão difícil quanto parece, Aninha.
Ana suspirou:
— Às vezes sinto que o amor é como um pássaro que voa longe.
Moisés retrucou:
— Mas sempre volta quando a gente menos espera.
Ana ergueu os olhos pro céu:
— O canto dos sabiás me dá esperança.
Moisés segurou uma rosa vermelha e ofereceu:
— Esta rosa é pra você.
Ana se surpreendeu:
— Pra mim, Moisés?
Moisés afirmou com ternura:
— Sim, pra acreditar na virtude do amor.
Ana tocou a rosa com delicadeza:
— É tão bonita…
Moisés sorriu:
— Quem acredita, Aninha, há de encontrar.
Ana refletiu em voz baixa:
— Talvez eu precise acreditar mais.
Moisés respondeu:
— A fé no amor abre caminhos.
Ana perguntou com certa dúvida:
— E se eu me perder nesses caminhos?
Moisés tranquilizou:
— O amor sempre mostra a direção certa.
Ana olhou para a cidade ao longe:
— Alvorada parece cheia de segredos.
Moisés comentou:
— Cada rua guarda histórias de amor.
Ana sorriu:
— Então caminharei com esperança.
Moisés segurou firme a rosa:
— Leve-a como símbolo da tua busca.
Ana agradeceu:
— Obrigada, Moisés.
Moisés concluiu:
— O amor é virtude que floresce quando acreditamos.
Ana suspirou e sorriu:
— Talvez minha jornada esteja apenas começando.
Moisés sorriu, com aquele jeito brincalhão:
— Hehehe… claro, só acreditar, Aninha. A virtude aparece quando a gente tá pronto pra viver um amor.
Capítulo 2 – Se o Amor tem canalhas, como vou acreditar?
Ana virou a esquina da Rua Monte Alto.
De repente, se deparou com Rita.
A amiga estava furiosa, jogando roupas pela janela.
As peças voavam como pássaros desgovernados.
Ana ficou incrédula.
Sorriu, sem acreditar no que via.
Rita, vermelha de raiva, encarou Carlos.
— Queres amor, Carlos? Pois no meu quarto tu não há de encontrar!
— Vai lá atrás da Cleide, dona do bordel.
— Lá tu encontra amor de sobra, igual a tantos homens que se perdem naquele lugar.
Rita se virou, rindo com ironia.
— Hahaha… Olá, amiga!
— Entra, vamos tomar café.
— Carlos já tá de saída. Aqui ele não volta mais!
Carlos, segurando as roupas, olhou para Ana.
— Ana, fala com a Rita…
— Eu só bebi demais, acabei dormindo na cama da Cleide.
Ana soltou uma risada curta.
— Hahaha… Carlos, toma jeito, homem!
— Segue teu rumo, que aqui não tem mais espaço pra tuas desculpas.
Rita olhou para Ana, ainda ofegante.
— Onde tu vais, Ana? Parece tão apressada.
Ana sorriu, tentando aliviar o clima.
— Que nada, Rita. Vou à praça da cidade.
— Vem comigo, vamos espairecer.
Rita balançou a cabeça.
— Agora não, amiga.
— Vou tomar meu café.
— Bom passeio pra ti.
Ana se virou, ajeitou o vestido.
Acenou com a mão.
— Obrigada, Rita.
— Mais tarde passo aí.
— Se cuida, viu?
Rita fechou a janela com força.
Carlos recolheu as roupas espalhadas.
Ana caminhou pela rua, pensativa.
O coração dela pesava.
Se o amor tinha canalhas, como acreditar?
Capítulo 3 – De Frente com o Amor
Ana chegou à praça da cidade.
Sentou-se num banco de madeira.
Os pássaros cantavam alto, anunciando o dia.
Ela abriu um livro intitulado Amor Nascera.
Era obra de Francisco Mota, escritor de Alvorada.
Leu em voz baixa, quase como oração:
— “Se o amor nascer, espero um dia encontrar.
E se algum dia realmente encontrar, que seja verdadeiro, para que eu possa amar.”
Enquanto lia, um bonde passou pela rua.
Logo atrás, vinha Ramon.
Recém-chegado à cidade, observava curioso.
Ao ver Ana, ficou encantado.
Pensou consigo mesmo:
— Que bela mulher… nunca vi mais linda em Alvorada.
— Espero que seja solteira, não casada, pra eu não cair em cilada.
Ramon atravessou a rua.
Aproximou-se do banco.
— Olá, tudo bem?
— Posso me sentar?
— Ou tenho que me certificar de que sou bom cavalheiro, com boas intenções?
Ana sorriu, divertida.
— Hahaha… se tu se, certificas de que não és canalha, já começaste bem.
— Me chamo Ana.
— Qual é o teu nome? Pode se sentar, eu não mordo… mas posso me apaixonar.
Ramon se aproximou com calma.
— Prazer, eu sou Ramon.
— Também não mordo, Ana.
— Mas posso fazer parte de uma paixão, caso a mulher se apaixone.
Ele olhou para o livro nas mãos dela.
— Excelente escolha.
— Tens bom gosto pra literatura.
Ana sorriu novamente.
— Hahaha… sim, gosto muito de ler.
— E você, está só de passagem por Alvorada?
Ramon ajeitou o chapéu.
— Estou na casa de minha mãe, Dona Margarida.
— Conhece ela?
Ana abriu um sorriso largo.
— Hahaha… claro que conheço!
— A melhor doceira da cidade, não tem como não saber.
Ramon tirou do bolso um doce de abóbora.
Ofereceu com carinho.
— Aceita?
— Mamãe realmente é excelente doceira.
Ana pegou o doce com delicadeza.
Olhou para Ramon com ternura.
O coração dela bateu diferente.
Talvez fosse o começo de algo novo.
“Talvez fosse o amor, finalmente de frente com ela.
Seria, de fato, a virtudes do Amor, que há tempos esperava o encontro de um com o outro.”
Capítulo 4 penúltimo capítulo: Assim nasceu o namoro.
Ana inventou a desculpa de comprar doces.
Na verdade, queria ver Ramon outra vez.
Rita, desconfiada, foi junto.
Queria analisar se o pretendente era cavalheiro ou canalha.
Rita sorriu, provocando:
— Hahaha… Ana, tu tá mesmo querendo se aproximar de Ramon.
— Até inventou comprar pote de doce.
Ana riu, sem negar:
— Hahaha… os doces da Dona Margarida são bons, mulher.
— Mas conhecer melhor Ramon será ainda melhor.
Chegando à casa, Ana bateu palmas.
— Plá!… Plá!… Plá!…
Rita gritou da rua:
— Hooooo… de casa! Tem doce pra vender?
Ramon apareceu sorridente.
— Entre, Ana. Que bom poder te ver de novo.
— Quem é essa tua amiga?
Rita cochichou para Ana:
— Partidão, vai em frente. Esse não é canalha não.
Ramon sorriu, firme:
— Não mesmo, moça. Sou rapaz direito.
— Qual o nome da tua amiga, Ana?
Ana respondeu rindo:
— Hahaha… Rita, a tagarela.
Dona Margarida surgiu na porta.
— Ora, Ana, filha de Dona Berenice!
— Veio comprar doce ou conversar com Ramon?
Ana sorriu, sem esconder:
— Hahaha… as duas coisas, Dona Margarida.
Ramon não perdeu tempo.
— Aceita ir ao parque? Lá conversamos melhor.
— Vou levar o violão.
Ana aceitou de imediato:
— Hahaha… claro que aceito.
— Rita, tu sabe o caminho de casa, né?
Rita riu, cúmplice:
— Hahaha… sei sim.
— Vão lá, divirtam-se. Mas tenham juízo, viu?
Horas depois, estavam no parque.
Sentados à beira do lago.
Os cisnes nadavam tranquilos.
Ramon dedilhava o violão.
Cantou uma melodia suave:
— “Se hoje estou aqui, é pra te provar…
Que um simples olhar vai se encontrar no teu olhar.
E quando nossos olhos se aproximar,
É virtude de amor que vai nos juntar.
E nos dizer, um pro outro: vamos namorar.”
Ana tocou o rosto dele com carinho.
Cantou baixinho, emocionada:
— “Se realmente nosso olhar se encontrar,
Então se declare, pois esse amor pode nascer,e fazer nos aproximar.”
Ramon olhou nos olhos dela.
— Nosso olhar já se encontrou, Ana.
— Tu aceita nosso amor? Aceita namorar comigo?
Ana sorriu, feliz:
— Hahaha… aceito.
— Só estava esperando tu pedir.
Naquele final de tarde, Ana e Ramon começaram a namorar.
Acreditaram no verdadeiro amor.
Selaram o sentimento com um beijo.
Capítulo 5 – Final: O Amor tem União
Passaram dias, semanas e meses.
O namoro de Ana e Ramon se fortalecia.
Aprenderam juntos que o amor verdadeiro nasce com respeito.
E cresce com lealdade e cumplicidade.
Na praça, Ana se sentou ao lado de Ramon.
Abraçada, sorriu olhando para ele.
Ele retribuiu o sorriso, cheio de ternura.
— Ramon, será que foi aquele doce de abóbora que nos uniu?
Ramon riu, divertido:
— Hehehe… acredito que o doce e o livro foram só acaso.
— Naquele dia, quando o bonde passou, minha intenção era atravessar… e te conhecer.
De repente, Ramon se ajoelhou.
Olhou firme nos olhos dela.
— Ana, tu aceita se casar comigo?
Ana respirou fundo.
Sorriu com malícia.
— Só se na festa tiver doce de abóbora.
Os dois caíram na risada.
— Hahaha… ô mulher pra gostar de doce de abóbora!
De longe, Dona Margarida observava.
Ao lado dela, estava Dona Berenice.
E Rita, já grávida, sorria feliz.
— Quem diria, Dona Berenice…
— Tua filha namorando, noiva, e agora casando com meu filho.
Dona Berenice gargalhou:
— Hahaha… pois é, mulher.
— Mas é bom ter um genro educado e direito como Ramon.
Rita, emocionada, segurou a barriga.
— Nossa, como estou feliz pelos dois!
De repente, gritou:
— Ai, minha nossa! A bolsa estourou!
Ana correu até ela.
— Rita, calma! Eu sou madrinha, Ramon é padrinho.
— Vamos te levar pro hospital!
Ramon pegou as chaves do carro.
Os dois correram desesperados.
Levaram Rita às pressas.
Moisés, que assistia de longe, comentou sorrindo:
— Assim é o amor… respeito, união… e até correria!
— Hahaha…

