Par Condenado
Em Par Condenado, Edivaldo Lima traz a história de Martine, um malandro boêmio paulistano que sonha em se dar bem ao furtar uma maleta cheia de dinheiro. Na sua ambição, envolve a prima Evelen, que além de cúmplice, sente uma forte atração por ele, transformando o crime em palco para um romance proibido. Entre fugas, emboscadas e paixões ardentes, o casal mergulha em um destino marcado por drama, amor e condenação, descobrindo que o preço do crime pode ser a própria liberdade.
Observação: Está história Bras-Drama é uma história recomendada para maiores de 18 anos.
Contém linguagem sugestiva, e situações,como crime violência romance voltado ao público adulto.
História criada e escrita por Edivaldo Lima.
Bras-Drama
Gênero: romance, drama, ,crime.
Personagens principais: Evelen, Martine Personagens secundários: Roseli irmã,Joel lider,capangas Tone, Alváro, delegado Otávio,policiais:Evandro,Ricardo,Sonia ,equipe policial,comparsas.
[Capítulo 1: O bar guarda segredo
A noite paulistana de março de 1920 caía pesada sobre a Avenida Paulista. Já eram sete horas da noite, e o céu tingia-se de um azul profundo, quase melancólico. Evelen, uma mulher melindrosa de sorriso fácil, observava da porta do bar as pessoas chegando, cada qual trazendo consigo histórias e amores do passado e do presente.
— Espero que hoje o bar do tio Charles encha de gente, minha prima Roseli. Afinal, o Charles Bar tem competência de sobra para divertir tanto os velhos boêmios quanto os novos — disse Evelen, com um brilho nos olhos.
Roseli, atrás do balcão, soltou uma risada curta:
— Hahaha! Que o bar do papai seja lembrado pelas futuras gerações. Um bar de esquina na Paulista merece eternidade, não acha, prima?
Evelen acendeu um cigarro, tragou lentamente e sentou-se à mesa, soltando a fumaça como quem desenha mistérios no ar.
— Com certeza. Ainda mais com sua beleza tomando conta do bar... vai chover homem boêmio igual canivete em feira.
Roseli, mordendo uma coxinha, retrucou com ironia:
— Tomara que chova, é homem de caráter, não boêmio. Esses deixam mulher em casa com filhos e saem feito Dom Juan, atrás de aventuras.
De repente, um som cortou a rua:
— Biii!... Biii!...
Um carro de aluguel quase atropelava Martine, que atravessava apressado com uma maleta misteriosa.
— Olha a rua, seu maluco! Não tá vendo o carro? — gritou o motorista.
Martine apenas sorriu, debochado:
— Foi mal aí, meu chapa. Tô com pressa, bicho!
Ao entrar no bar, Evelen segurou-lhe o braço com firmeza:
— Eiii!... Martine, que tem nessa maleta, primo?
Martine encarou-a, passou a mão pelo rosto dela e murmurou com voz baixa, quase conspiratória:
— Então, meu broto... quer mesmo ficar rica? Case comigo e me ajude a esconder várias dessas maletas. Mas sem Roseli saber.
Ele tentou beijá-la, mas Evelen desviou:
— Pare, Martine! Aqui não... somos primos, esqueceu?
Martine riu, malicioso:
— Mas o amor fala mais alto, pedaço de mau caminho...
Evelen, apesar de resistir, deixou escapar um sorriso nervoso:
— Esse homem não vale nada... e mesmo assim me derreto. Sinto uma atração forte. Que vovô Augusto e vovó Ângela nos perdoem por esse sentimento proibido.
Martine caminhou em direção ao quarto antigo do bar, carregando a maleta como quem guarda um segredo capaz de mudar destinos.
Evelen, inquieta, levantou-se e chamou:
— Ei, Martine! Espere por mim... me fale mais sobre esse segredo.
O bar, iluminado por lâmpadas amareladas e embalado pelo som distante de um saxofone, parecia respirar junto com eles. A noite guardava mistérios, e Evelen sabia: aquele segredo poderia ser maior do que todos os boêmios da Paulista juntos.
Capítulo 2: Quem é honesto não se esconde
O bar do tio Charles fervilhava naquela noite. O cheiro de cigarro misturava-se ao aroma das coxinhas e da cerveja gelada. As lâmpadas amareladas lançavam sombras que pareciam esconder segredos.
Joel entrou com dois homens — Tone e Álvaro, seus capangas. Acendeu um cigarro perto do balcão e, com ar ameaçador, mostrou duas fotos: uma de Martine de perfil, outra dele correndo com uma maleta.
— Olá, senhorita de beleza encantadora... conhece esse verme? Está se escondendo de nós. Catou o que era nosso por direito.
Roseli olhou a foto e sentiu o coração disparar ao reconhecer o rosto do irmão. Mas disfarçou, mantendo a calma:
— Não, senhor. Nunca vi esse homem. Aqui no bar conheço de tudo: dos honestos aos casados metidos a Dom Ruan.
Joel, com um sorriso frio, puxou a arma do coldre e a exibiu como quem mostra poder:
— E também conhece homens como eu, não é?
Roseli, suando, pensou rápido:
— Na verdade, só em revista sobre máfia... ou nos cinemas, que estão cada vez mais cheios desses tipos.
Joel gargalhou:
— Hahahaha! Bom saber. Mas fique atenta: em breve estarei de volta. Se eu encontrar esse homem, ele vai virar peneira.
Roseli manteve o sorriso, escondendo o medo:
— Tenham uma boa noite, senhores. Agora preciso atender os clientes. Com licença.
No quarto antigo
Martine segurava a maleta com força, os olhos brilhando de ambição.
— Vamos, Evelen. Me ajude a esconder isso, meu broto. Tenho mais maletas para trazer. O dinheiro que tem aqui dá pra comprar três mansões nos Estados Unidos.
Evelen, surpresa, soltou uma risada nervosa:
— Oh, my God! É muito bizanes, Martine. Não seria certo... você devia trabalhar honestamente no bar do tio Charles. Esse dinheiro é pecado capital.
Martine largou a maleta, encostou Evelen contra a parede e beijou-lhe o pescoço com intensidade:
— Não, meu broto. Com essa grana podemos sair do Brasil, viver uma vida a dois. Casados... que tal em Las Vegas?
Evelen riu, mas com ironia:
— Você não vale nada, Martine. Ia torrar tudo em Las Vegas.
Ela apontou para um canto escondido do quarto:
— Aqui seria bom pra guardar. Só eu e você saberíamos.
Martine sorriu malicioso:
— Boa sacada, Evelen. Agora sai na frente, depois eu sigo.
Ele puxou-a para outro beijo:
— Vem ser minha companheira melindrosa em Las Vegas.
Evelen, sorrindo, respondeu:
— Olha que eu não resisto a bizanes... meu homem tem o borogodó.
No salão do bar
Evelen voltou ao balcão. Roseli, ocupada, pediu:
— Prima, só avisa o Martine pra não sair do bar agora.
Ela apontou discretamente para Joel, Tone e Álvaro, que bebiam cerveja e devoravam quitutes, observando cada movimento.
Evelen assentiu:
— Pode deixar, vou avisar.
No corredor, Martine já caminhava em direção à porta. Evelen correu e o interceptou:
— Volta pra trás, homem! Tem três mal-encarados de olho em você... e na maleta.
Martine se escondeu atrás da porta, espiando os criminosos.
— Obrigado por me avisar, Evelen.
Ela respondeu firme:
— Agradeça à sua irmã Roseli, que despistou os homens.
Algumas horas depois, Joel, Tone e Álvaro foram embora, deixando atrás de si um rastro de tensão. O bar respirava aliviado, mas Evelen sabia: aquela noite ainda guardava segredos perigosos.
Capítulo 3: Amor ardente em fuga
Já passava das duas da madrugada. Roseli estava exausta, limpando o balcão, enquanto Martine e Evelen se divertiam à mesa, comendo quitutes e jogando conversa fora.
Roseli, séria, encarou os dois:
— Que aqueles homens queriam com você, Martine? O que está fazendo da sua vida, rapaz?
Martine sorriu debochado:
— Hahaha! Minha irmã, fique tranquila. Aqueles homens me confundiram com qualquer paulistano que vive no morro.
Evelen, silenciosa, observava Martine com olhos desconfiados.
Roseli, enxugando o balcão, soltou em tom grave:
— Lembre-se, meu irmão: dinheiro fácil cava sepultura, meu chapa, com sete palmos de terra.
Martine riu novamente:
— Um dia todos nós vamos mesmo, Roseli.
Roseli estendeu a toalha e completou:
— Sim, um dia todos vamos... mas quem procura, acha, e acaba indo mais cedo. Abaixa essa porta do bar, senão criminosos podem te surpreender pelas costas. Cuidado, Evelen... até você pode virar vítima.
Evelen fez o sinal da cruz:
— Deus me livre, prima Roseli. Vou dar conselhos ao Martine, quero ver ele vivo por muito tempo.
Martine acendeu um cigarro e, ousado, passou a mão nas coxas de Evelen. Ela piscou para ele, cúmplice:
— Vai... vai... dorme, Roseli. Já está tarde, minha irmã.
Roseli sorriu cansada:
— Boa noite, Martine. Boa noite, Evelen. Não deixem a porta aberta.
Martine levantou-se e fechou a porta do bar. Ao fazê-lo, viu um envelope sendo arrastado pelo vento. Evelen apontou:
— O que tem nesse envelope, Martine?
Ele abriu e leu em voz baixa:
“Já sei onde você se esconde. Te dou prazo até amanhã, sete horas, para devolver a maleta em Araraquara. Se não, vira peneira. Assinado: Joel.”
Evelen, aflita, agarrou o braço dele:
— Agora, Martine, o que você vai fazer? Não quero te perder.
Martine a encostou contra a mesa de bilhar e começou a beijá-la com ardor. Evelen correspondeu, entregue ao desejo.
— Você não vai me perder, Evelen. Você é meu broto, minha mulher.
O clima esquentou. Martine deitou Evelen sobre a mesa de bilhar e os dois se entregaram ao amor ardente, sob as luzes amareladas do bar que pareciam testemunhar o segredo proibido.
Evelen, ofegante, murmurou:
— Martine... não sei se deveríamos...
Ele, beijando-lhe o corpo e puxando-lhe os cabelos, respondeu com malícia:
— Hehehe... se não deveríamos, já fizemos. Entre nós, amor é segredo.
De repente, o silêncio da noite foi rompido:
Ninooooo... Ninooooo... Húúúúúúúúúúúúúúúúúúúú!
A polícia cercava o bar. O delegado Otávio saiu do carro acompanhado dos policiais Evandro e Ricardo:
— Saia já do estabelecimento! Você está cercado, rapaz. Recebemos comunicado de que esconde algo.
Martine, assustado mas esperto, vestiu-se às pressas:
— Vem comigo, Evelen. Não podemos mais ficar aqui. O dinheiro da maleta garante nossa fuga.
Evelen, hesitante:
— Então vamos pegar a maleta... deixe um bilhete para Roseli.
Martine escreveu às pressas e entregou a Evelen:
— Vamos sair pelos fundos. Não esqueça de pegar a maleta.
Os dois fugiram pela saída dos fundos, pegaram um carro de aluguel e desapareceram na noite.
Enquanto isso, os policiais bateram à porta do bar. Roseli, sonolenta, abriu.
— Onde está o rapaz da maleta?
Roseli, firme, mentiu para proteger o irmão:
— Rapaz da maleta? O único rapaz que conheço é meu irmão Jairo, mas ele está em Londres.
O delegado olhou para os homens e depois para Roseli:
— Não, esse não é o rapaz que estamos procurando. O que estamos procurando se chama, Martine. Ele pegou uma maleta que daria para comprar três mansões nos Estados Unidos. Me desculpe por incomodar seu estabelecimento.
Mais uma vez, Roseli mentiu para salvar o irmão,mais só ela já imaginava a encrenca em que Martine estava entrando.
Capítulo 4 penúltimo: Emboscada do Trilho.
Naquela madrugada fria em Osasco, Martine e Evelen tramavam um plano ousado em frente à praça. Evelen, com o binóculo nas mãos, avistou dois homens parados no bar.
— Ei, Martine... aqueles homens são os mesmos que estavam atrás de você. Olhe!
Martine pegou o binóculo, sorriu debochado:
— Hehehe... são eles mesmo, meu broto. Você vai me fazer um favor: quero que seja a malandra melindrosa mais ousada de São Paulo.
Evelen tragou o cigarro, pôs a mão na cintura:
— Como assim, Martine? A melindrosa mais ousada... o que devo fazer para ser ousada?
Martine riu com malícia:
— Usa tua sedução de mulher melindrosa. Atrai os três para o trilho. Se precisar, fica nua na frente deles, só pra eu poder entrar em ação.
Evelen pensou por um instante, inquieta:
— Isso não será arriscado, meu broto, meu amor?
Martine a encarou firme:
— Confia em mim. Sei o que estou fazendo. Hoje eliminamos os três.
A isca:
Evelen aceitou e seguiu até o bordel onde estavam Joel, o líder, e seus capangas Tone e Álvaro. Aproximou-se sorridente, acenando, e sentou no colo de Joel:
— Olá, rapazes... vocês poderiam me ajudar a atravessar o trilho? Dizem que ali tem perigo, um homem que ataca mulheres. Vocês não deixariam que ele fizesse mal a esta melindrosa, não é?
Joel olhou para os comparsas e riu:
— Vamos, rapazes... fazer uma boa ação por essa dama da noite.
Evelen levantou-se, caminhando com rebolado provocante. Murmurou baixinho para si:
— Que eu não faço por um bom bizanes... pelo Martine.
Joel, bebendo, comentou:
— São Paulo está bem representado pela beleza melindrosa dessa mulher, meus chapa.
Tone sorriu:
— Olha só como ela mexe o pandeiro... que broto de mulher!
Álvaro, hipnotizado:
— Essa mulher merece ser primeira dama do crime.
Evelen virou-se, rindo:
— Quem sabe um dia... serei, ou não.
A emboscada
Horas depois, Martine aguardava escondido com quatro homens armados da região. Seria a fuga perfeita. Amanhã, ele e Evelen seguirão para Araraquara. Martine já não era apenas o rapaz da maleta — estava se tornando chefe.
Ao chegar perto do trilho, Evelen se virou para Joel, Tone e Álvaro. Começou uma dança sensual, sorrindo, fazendo charme, tirando a roupa devagar. Os três ficaram presos no desejo, sem saída.
Joel murmurou:
— Essa mulher quer algo a mais, rapazes.
Tone, incrédulo:
— Com certeza, chefe... ela quer um de nós.
Álvaro, fascinado:
— Que corpo lindo ela tem...
Nesse instante, Martine surgiu das sombras, rindo:
— Pode se vestir, meu amor. Vocês, larguem as armas!
Joel se virou, sacando a arma:
— Desgraçado... você me paga!
O fogo cruzado
Paaaa!... Paaaa!... Bang!... Bang!...
Álvaro levou um tiro no peito. Tone gritou desesperado:
— Chefeeee! É uma emboscada!
Bang!... Bang!... Pááá!...
Tone tentou reagir, mas caiu alvejado pelas costas.
Joel, escondido, atirava com precisão.
Bang!... Bang!... Bang!...
Um, dois, três dos homens de Martine tombaram.
Martine gritou para Jorge, seu parceiro:
— Temos que ser rápidos! Se ele acertar um de nós, acabou pra nós. Esse Joel é um bom atirador.
Evelen apareceu com uma arma nas mãos, tremendo:
— Amor... não sei atirar, mas vou dar cobertura!
Martine se virou, aflito:
— Cuidado, meu broto... não sei o que aconteceria comigo se você falecesse.
O confronto final:
Evelen caminhava armada quando Joel a agarrou por trás.
— Socorrooo! Martineee!
Martine apontou a arma:
— Solta ela, Joel, ou eu atiro em você!
Joel riu sarcástico:
— Hahaha! Tenta atirar... eu acabo com ela antes, depois com você.
Jorge se aproximou devagar, armado. Mas Joel, atento, viu o reflexo no retrovisor de um carro velho parado no trilho. Soltou Evelen, se virou rápido e disparou contra Jorge.
Bang!... Bang!... Bang!...
Jorge caiu no chão, ensanguentado.
Joel virou-se rápido, atirando contra Martine.
Bang!... Bang!...
Uma bala acertou o braço de Martine.
— Aiiiiii!
Evelen, tomada pela fúria, disparou:
Paaaa!... Paaaa!...
Joel caiu morto no chão.
Martine, ferido, olhou para Evelen:
— Vamos dar o fora daqui, meu broto.
Com um canivete e uma pinga que pegou perto dos comparsas mortos, Martine, gemendo de dor, enfiou o metal no braço e retirou a bala. O cheiro forte da aguardente misturava-se ao sangue, queimando como fogo. Evelen, aflita mas firme, rasgou a camiseta de um dos homens caídos e improvisou um curativo, amarrando o pano com mãos trêmulas.
Martine, suado e pálido, olhou para ela e murmurou com voz rouca:
— Você é minha salvação, broto... sem você eu já estaria no chão, sete palmos de terra.
Evelen, segurando as lágrimas, respondeu:
— Não fala isso, Martine. Enquanto eu tiver força, você não vai cair.
— Vamos para Araraquara pegar o resto da maleta. Depois, dar o fora do Brasil.
Evelen sorriu, cúmplice:
— Esse homem saiu de uma guerra... quer o resto do dinheiro. Então vamos, me acompanhe no carro.
Ao entrarem no carro, Evelen assumiu o volante. Martine já imaginava a vida fora do Brasil ao lado dela. Mas, sem perceber, a polícia os avistou entrando no carro e começou a segui-los pela madrugada.
Capítulo 5 final: União separado pelas grades
Já estava amanhecendo em São Paulo. O céu cinzento anunciava mais um dia pesado. Martine dormia no banco do carro, enquanto Evelen seguia firme no volante. A placa indicava: Araraquara – vire à direita. Evelen tocou o ombro dele, aflita:
— Martine!... Martine!... Acorda!... Acorda!... Meu amor, já chegamos.
Martine abriu os olhos, ainda sonolento, mas com brilho de esperança:
— Agora sim, Evelen. Só pegar as maletas nesse endereço que estou te mostrando e partir para os Estados Unidos. Casar em Las Vegas, viver como rei e rainha.
O que Martine não imaginava era que Evelen havia deixado um bilhete para Roseli. Nele, confessava o plano e o endereço das maletas em Araraquara. Evelen sabia que não seria certo casar com Martine sustentada pelo dinheiro roubado. Mesmo que ele a odiasse para sempre, ela preferia pagar pelo crime e fazer o que era justo.
O cerco
Horas depois, ao virarem a rua do bairro, o choque: viaturas cercavam a casa. Sirenes ecoavam, luzes vermelhas piscavam.
— Volta com esse carro, Evelen! A polícia cercou a casa!
— gritou Martine, desesperado.
Evelen parou o carro, respirou fundo e encarou o destino:
— Daqui nos separamos, Martine. Espero que um dia você me perdoe por ter feito a coisa certa. Depois, quem sabe, nos casamos... mas primeiro temos que cumprir nossa pena no presídio.
Ela saiu do carro. A policial Sonia avançou e algemou Evelen. Roseli se aproximou com lágrimas nos olhos:
— Você fez o certo, Evelen. Se Martine realmente te ama, vai te perdoar um dia.
Martine foi retirado do carro pelo policial Ricardo, algemado à força.
— Não mereço ir preso, Roseli! — gritou, com raiva e dor.
Roseli se virou, firme:
— Não, meu irmão. Ninguém merece, mas você escolheu esse caminho. Agora precisa mudar como pessoa, ser alguém melhor.
A despedida
Evelen e Martine se olharam pela última vez. Um beijo rápido, carregado de lágrimas e arrependimento, selou a união que agora seria separada pelas grades. Cada um entrou em um carro da polícia, levado em direções opostas.
Roseli, emocionada, murmurou antes de partir em seu carro de aluguel:
— Só assim, sem o crime, meu irmão... você será uma pessoa melhor. O crime não compensa.
Reflexão final
"Visão da vida: O crime é um labirinto de celas fechadas, sem volta. Quando se entra, não há saída. E quando se é preso, a única saída é o caminho de Deus, onde se ajoelha e se arrepende claramente do que fez. Só assim se pode renascer como um ser humano melhor na terra."

