Paixão no Cangaço
A história de Minissérie Paixão no Cangaço traz o romance de Morena Flor e do capanga Alonso, homem de confiança na fazenda do Coronel Carlos. Desde jovens — ele com 18 anos e ela com 17 — já havia simpatia entre os dois, mas o amor verdadeiro nasceu em meio ao perigo, quando Morena Flor foi sequestrada pelos temidos bandoleiros Simão, Orico e Januário.
Para salvá-la, formou-se uma inesperada aliança: os capangas Alonso, Irineu e Jainlson se uniram aos cangaceiros Severino, Maria Bonita, Zé do Agreste e Caramu. Juntos, enfrentaram os inimigos e resgataram Morena Flor, selando não apenas sua liberdade, mas também o destino de um amor que cresceu na luta e floresceu na esperança.
Entre fé, coragem e humor sertanejo, a narrativa mostra que o verdadeiro amor não escolhe posição social, mas se firma na lealdade, confiança e caráter. O romance de uma moça simples e de um capanga valente se transforma em união abençoada, trazendo gratidão e poesia ao coração do sertão.
História criada e escrita por Edivaldo Lima.
Uma história de Minissérie
10 Capítulos
Gênero:romance,drama,ação
personagens principais:Alonso capanga ,Morena Flor, personagens secundários: Doralice ,Manoel,CristovãoJuares ( capitão ) Rosa (subcomandante ) Coronel Carlos,(capangas) Jailson,Irineu,Alonso, bandoleiros Simão,Orico,Januario,,Dona Nena,Sanfoneiro chico,(últimos cangaceiro) Severino,Maria bonita,Zé do Agreste,Caramu,Padre Florente,Biata Joaquina,Freira Inácia,jovem Paulino,Dona Rutinha,Jovem Cassiana,Felipe.
[Capítulo 1: O Sol de Juazeiro
O sol queimava forte sobre Juazeiro, espalhando claridade pelas ruas de barro e pelas casas de taipa.
Doralice caminhava com passos firmes, o vestido simples balançando ao vento seco. Seus olhos, escuros como noite sem lua, carregavam inquietação.
Manoel, sentado à sombra de um juazeiro, dedilhava uma viola, cantando baixinho uma toada de saudade.
“Ôôô saudade...
Saudade da morena linda,
Que se foi sem bora, levou meu peito,
Nunca mais voltou na minha vida.”
Cristovão, recém-chegado à cidade, observava de longe. Seu chapéu de couro escondia parte do rosto, mas não a aura de mistério que o cercava.
Rosa, empregada da casa grande, corria apressada levando um balaio de roupas para lavar no rio.
O Coronel Carlos, homem de fala grossa e olhar severo, surgia na varanda de sua fazenda, fumando charuto e vigiando os capangas Jailson, Irineu e Alonso.
— Ôxe, num quero vê preguiça não! — bradou o coronel, e os homens se ajeitaram, temendo sua fúria.
Na praça, o sanfoneiro Chico puxava o fole, enchendo o ar de música.
— TRRRRÁÁÁÁÁ! — soava a sanfona, alegrando o povo que se reunia.
Mas a alegria era curta. O capitão Juares, montado em seu cavalo, chegava com cara fechada.
— Oxe, o cangaço anda rondando por essas bandas. Quero todo mundo de olho aberto! — anunciou em tom grave.
Dona Nena, rezadeira da cidade, fazia o sinal da cruz e murmurava:
— Ave Maria, que Deus nos livre desses cabras da peste...
No mesmo instante, um estampido ecoou ao longe.
— PÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁ! — o som de tiro fez o povo se calar.
Cristovão ergueu o olhar, atento.
— Isso num é coisa boa... — murmurou, ajeitando o punho da faca na cintura.
Doralice correu até Manoel.
— Tu ouviu, Manoel? Parece vindo das bandas do rio.
— Ouvi sim, Doralice. E sei quem pode tá por trás... — respondeu Manoel, com voz carregada de preocupação.
No mato, escondidos, os bandoleiros Simão, Orico e Januário riam alto.
— HAHAHAHA! — gargalhavam, enquanto Morena Flor ajeitava o lenço no pescoço.
— Hoje Juazeiro vai saber quem manda! — gritou Simão, levantando o rifle.
O prefeito Jamoel, nervoso, corria até o capitão Juares.
— Capitão, precisamos proteger o povo! Esses cabras tão vindo com sede de sangue!
O capitão apertou os punhos.
— Pois se eles querem guerra, vão ter guerra.
No hospital improvisado, Fátima, a enfermeira, preparava gazes e remédios.
— Deus queira que não precise, mas sei que vai ter ferido chegando... — disse, com olhar preocupado.
Padre Florente rezava na igreja, enquanto Biata Joaquina e Freira Inácia acendiam velas.
— Que o sertão não se manche mais de sangue... — murmurava o padre.
De repente, o som de cavalos ecoou pela estrada.
— TUM TUM TUM TUM! — o galope anunciava a chegada de mais cangaceiros.
Severino, Maria Bonita, Zé do Agreste e Caramu surgiam, armados e prontos para o confronto.
Tenorinho, jovem atrevido, corria para avisar Manoel.
— Manoel! Os cabras tão vindo!
Manoel se levantou, firme.
— Pois então, Juazeiro vai vê se eu sou homem de coragem ou não.
Cristovão se aproximou, encarando Manoel.
— Tu não sabe o que tá enfrentando, rapaz. Esses cabras não brincam.
Doralice, com voz trêmula, interveio:
— Mas Juazeiro não pode se entregar.
O vento soprou forte, levantando poeira.
— FUUUUUUUUUU! — o sertão parecia anunciar que a guerra estava prestes a começar.
E assim, entre fé, medo e coragem, Juazeiro se preparava para enfrentar o destino.
Capítulo 2: reunião para pegar cabras Armados
Naquela tarde, o sol de Juazeiro queimava tanto que até o padre Florente tirava a batina para se abanar.
O jovem seminarista Paulino olhava pela janela da sacristia, suando em bicas.
— Ô minha mãesinha... vou cabar com seu sofrimento — murmurava, lembrando da promessa de Dona Rutinha.
Rutinha subia a escada da igreja com uma bacia d’água, abanando-se na varanda.
— É bom saber, meu filho... antes de me deitar no caixão quero vê ocê vestido de padre.
Cristovão, passando pela rua, acenou com sorriso malicioso.
— Abença, seu Padre Paulino! Bora banhar no açude, rapaz... tá cheio de moça bonita tomando banho!
Paulino engoliu seco, tentado, mas respondeu firme:
— Oxe, Cristovão... outra hora eu vou, rapaz.
Cristovão soltou uma risada debochada.
— HEHEHEHE!
Enquanto isso, no alojamento da guarda, o capitão Juares bebia suco de limão, olhando os soldados alinhados.
— Quero todo mundo preparado! Esses cabras armados tão rondando Juazeiro, e nós não vamos deixar eles botar medo no povo!
Os guardas batiam as botas no chão.
— TUM! TUM! TUM! — ecoava o som marcial.
Manoel entrou apressado, trazendo notícias.
— Capitão, vi rastro de cavalo perto do açude. Deve ser coisa dos cangaceiros.
Juares franziu o cenho.
— Então é hora de reunião. Quero todos os homens de coragem na praça.
Na praça, o sanfoneiro Chico parou de tocar e se juntou ao povo.
Dona Nena rezava baixinho, enquanto Biata Joaquina fazia o sinal da cruz.
— Ave Maria, que Deus nos proteja...
Cristovão chegou, ajeitando o chapéu de couro.
— Esses cabras não são de brincadeira. Precisamos de estratégia.
O coronel Carlos apareceu com seus capangas, impondo respeito.
— Se Juazeiro cair, cai minha fazenda também. Vamos lutar!
Jailson, Irineu e Alonso ergueram as espingardas.
— CLACK CLACK! — o som das armas sendo carregadas ecoou.
Doralice surgiu, aflita.
— Capitão, não deixem o povo sofrer. Esses homens são cruéis.
Juares respondeu com firmeza:
— Pois então, hoje Juazeiro se une. Vamos pegar esses cabras armados!
O povo murmurava, nervoso.
De repente, o galope de cavalos se aproximou.
— TUM TUM TUM TUM! — o chão tremia.
Simão, Orico e Januário surgiram ao longe, rindo alto.
— HAHAHAHA! — zombavam, levantando rifles.
Morena Flor ajeitava o lenço, encarando a cidade.
— Hoje Juazeiro vai sentir o peso do cangaço!
O capitão Juares ergueu a mão, ordenando silêncio.
— Homens, chegou a hora. Vamos mostrar que Juazeiro não se entrega!
Manoel apertou a mão de Cristovão.
— Vamo junto, cabra.
Cristovão sorriu de canto.
— Pois é, rapaz... hoje o sertão vai cantar bala.
O vento soprou forte, levantando poeira.
— FUUUUUUUUUU!
E assim, a reunião se transformava em promessa de batalha.
Capítulo 3: O Sequestro de Morena Flor
Morena Flor chegava à fazenda rebolando com seu charme de mulher atraente.
O Coronel Carlos, na varanda, jogava seus galanteios faceiro.
— Ô Morena Flor, ocê é tudo pra mim nessa casa, mulher. Sou teu patrão, ocê minha empregada... mas digo a verdade: arrasto Juazeiro inteiro por ocê.
Morena Flor sorriu com leveza.
— HAHAHAHA! Ô corone, não sou tudo isso não, homem. Trabalho aqui porque gosto do senhor como um pai. Não vejo o senhor como companheiro, entende?
O coronel ficou pensativo, coçando o bigode.
— Eu agora te entendo, Morena Flor. No que precisar, vou te ajudar e te proteger.
Ao sair para ir ao bazar, Morena Flor foi cercada pelos bandoleiros.
Simão parou o cavalo e deu ordem firme:
— Levem ela! O coronel só vai ter essa mulher de volta quando me der uma de suas fazendas.
Orico e Januário agarraram Morena Flor.
— Socorooooo!.....Aiiiiii! Me ajudem!... — gritou ela, tentando se soltar.
Nesse instante, Manoel surgiu montado em seu cavalo.
— Eiiiiiii! Soltem a Morena Flor, seus cabras!
Simão ergueu o rifle e disparou.
— PÁ! PÁ! PÁPÁ! — os tiros ecoaram pelo sertão.
Manoel pulou do cavalo e se escondeu no mato, o coração batendo forte.
Horas depois, ainda ofegante, Manoel montou no cavalo e foi até a fazenda do coronel para avisar.
Doralice, ao vê-lo pegar a estrada, gritou aflita:
— Eiiiiii! Onde tu vai, Manoel? Cuidado!
Manoel se virou de longe, com olhar decidido.
— Logo eu volto... pegaram a Morena Flor.
Na fazenda, horas depois:
Ao chegar, Manoel estava apavorado.
Coronel Carlos o encarou, preocupado.
— O que houve, Manoelzinho? Que tá acontecendo?
Manoel gaguejou, ofegante:
— Peeee!... Peeee!... pegaram a Morena Flor, coronel... os bandoleiros!
O coronel ficou bravo, batendo o pé no chão.
— Jailson, Irineu, Alonso! Pegaram a Morena Flor! Manoelzinho veio avisar, ela tá correndo perigo!
Jailson pegou a arma, nervoso.
— Pra onde levaram ela?
Manoel, bebendo limonada, falou com calma:
— Foi pra estrada da Trencheira, Jailson!
Irineu coçou o queixo, pensativo.
— Temos que ser rápido.
Alonso, tomado pela fúria, gritou:
— O quêêêêêê! Pegaram minha amadaaaaa!
O coronel olhou firme para os homens.
— Vão logo, homem! Busquem sua amada, Alonso! Mas tenham cuidado...
O vento soprou pesado, levantando poeira vermelha.
— FUUUUUUUUUU!
E Juazeiro se preparava para mais uma noite de sangue e mistério.
Capítulo 4: Estrada perigosa e alianças
Jailson, Irineu e Alonso seguiam pela estrada da Trencheira, o sol rachando o chão e o vento soprando poeira vermelha. Sabiam que ali precisavam andar com cuidado, pois além dos abismos nas curvas traiçoeiras, havia sempre o risco de topar com bando de cangaceiros.
Jailson ia na frente, os olhos atentos, varrendo cada canto da estrada.
— Olha, minha gente... esses cabras não devem tá muito longe não.
Irineu segurava firme o rifle, o suor escorrendo pela testa.
— É verdade, companheiro. Se aparecer, é chumbo cruzado.
Alonso, nervoso, falava com raiva e paixão:
— Tomara que eu consiga trazer Morena Flor com vida... ai deles se abusarem dela!
De repente, ao virar a curva, surgiram Severino, Maria Bonita, Zé do Agreste e Caramu, apontando as armas com firmeza.
— Só passam por essa estrada se pagarem em ouro! — gritou Severino, com voz grossa.
Os três se entreolharam, firmes, sem recuar.
Jailson, esperto, respondeu com malícia:
— Tu quer ouro? Então nos ajuda a salvar Morena Flor.
Severino sorriu, mordendo um pedaço de rapadura.
— Gostei do nome da moça... ela tá em perigo.
Maria Bonita olhou para Severino, séria, o olhar de mulher que conhecia a dor do sertão.
— Deve ser aqueles bandoleiros. Podem abusar dela por ser mulher.
Alonso gritou, tomado pela fúria:
— Isso mesmo, senhora! Eles merecem bala!
Zé do Agreste cuspiu no chão, com desprezo.
— Então vamos nos aliar. Se salvar a Morena Flor, quero pagamento em ouro.
Caramu, pensativo, coçou o queixo.
— Eles não devem tá muito longe não.
Irineu, impaciente, ergueu o rifle.
— Vamos logo, minha gente. Decidam! Morena Flor tá em perigo.
Alonso, com voz embargada, falou com emoção:
— Ela vale mais que ouro!
Severino olhou para Maria Bonita, firme, e depois para o grupo.
— Então vamos. Me sigam, bando... que hoje é chumbo trocado!
O vento soprou forte, levantando poeira e fazendo o mato ranger.
— FUUUUUUUUUU!
Capítulo 5: Pela mata adentro
O sol já se escondia por trás das serras, pintando o céu dum vermelho queimado. Severino, Maria Bonita e o bando — Zé do Agreste e Caramu — seguiam mata adentro junto dos cabras do Coronel Carlos:Jailson, Irineu e Alonso. O silêncio do sertão só era quebrado pelo estalo dos galhos secos e o trote dos cavalos.
Severino, na frente, comandava com voz firme:
— Cuidado, cabras! Essa mata é traiçoeira... bandoleiro pode saltar de trás de qualquer moita.
Maria Bonita ajeitou o rifle no ombro, o olhar faiscando.
— Deixe esses cabras aparecer... vou fazer eles virar frouxo!
Zé do Agreste, com o olho de jagunço acostumado à noite, mirava o horizonte.
— Escutem... tem conversa de longe.
Um grito rasgou o silêncio da mata.
— Socorooooooooooooooo!
Maria Bonita se ergueu, aflita.
— É mulher em perigo!
Alonso, nervoso, apertou o punho da espingarda.
— É Morena Flor! Meu padrim Padre Cícero, proteja ela!
Caramu apontou pra uma vereda estreita.
— Olhem ali... tem uma estrada. Pode levar nós até os cabras safados.
Irineu montou no cavalo com pressa.
— Vamo ligeiro!
Jailson puxou o grupo, a voz carregada de tensão.
— Num podemos perder eles!
O bando avançava, mas logo o silêncio foi quebrado por disparos secos.
— PÁÁÁÁÁÁ! PÁÁÁÁÁÁ! — os tiros ecoavam entre as árvores.
Severino ergueu a mão, mandando parar.
— Quietos! Eles tão perto estão assustando a moça com os tiro para ela parar de gritar.
Maria Bonita se abaixou, farejando o perigo.
— Esses tiros são de Simão e seus cabras,ele costuma fazer isso com mulheres em defeza.
Zé do Agreste cuspiu no chão, raivoso.
— Então é hora de bala trocada.
Alonso, com o coração acelerado, murmurou:
— Morena Flor... aguenta firme, minha amada.
O grupo avançou mais um pouco e avistou uma casa velha, abandonada, cercada pelo mato.
Severino apontou com o dedo.
— É ali! Os cabras tão escondidos.
De dentro da casa, vozes rudes ecoavam.
— HAHAHAHA! — gargalhavam os bandoleiros.
Irineu cochichou, ajeitando o rifle.
— Vamos cercar por trás.
Jailson concordou, os olhos faiscando.
— Hoje Juazeiro vai ouvir o barulho da vingança.
O vento soprou forte, levantando poeira e folhas secas.
— FUUUUUUUUUU!
E assim, pela mata adentro, capangas e cangaceiros se uniam numa perseguição cheia de drama, mistério e bala trocada, prestes a explodir diante da casa velha onde Morena Flor podia tá cativa.
Capítulo 6: Preocupação de pai
O Coronel Carlos andava pra lá e pra cá na varanda da fazenda, o charuto queimando lento entre os dedos. O olhar dele era de nervoso, de ansiedade, de pai preocupado com a filha que nunca teve, mas que via em Morena Flor.
— Ah, se ainda eu tivesse direito à minha arma na mão... eu mesmo ia atrás da Morena Flor, trazia ela em segurança — murmurava, com voz embargada.
Na porteira, Manoel se apoiava, tentando avistar algum sinal da moça.
— Ei, coronel... se o senhor quiser, eu vou atrás desses bandoleiros. Trago um por um no fio do facão!
O coronel se virou, firme, mas com dor no peito.
— Quer perder sua vida, Manoelzinho? Se aquiete... logo aparece notícia, boa ou má.
Nesse instante, o ronco de motor ecoou pela estrada.
— VRUUUUUMMMM!
Era o capitão Juarez chegando de jipe, acompanhado da subcomandante Rosa.
Juarez desceu do jipe ajeitando o chapéu.
— Que foi, coronel? Fiquei sabendo... sequestraram a Morena Flor, aquela bela mulher de perfume de flor.
O coronel se virou, os olhos marejados.
— Sim, capitão... me devolva minha arma, quero ir atrás da Morena Flor!
Rosa, firme e decidida, interveio.
— Calma, coronel. Já botei o batalhão feminino pra procurar a moça.
De longe, o som de cascos se aproximava.
— TUM TUM TUM TUM!
Era Doralice chegando a cavalo, o rosto marcado pela coragem.
— Eiiiiii! Subcomandante Rosa, posso me juntar ao batalhão feminino?
Manoel, impressionado, murmurou baixinho:
— Essa mulher é valente que só... por isso ainda vou me casar com ela.
Doralice sorriu, meio sem jeito.
— HAHAHA! Ô Manoel... assim eu fico encabulada. Mas quem sabe um dia, homi.
Rosa também sorriu, animada.
— Que bom saber! Mais uma mulher se juntando. Claro que pode, Doralice.
O coronel cruzou os braços, olhando pro horizonte.
— Morena Flor... hoje é como uma filha que eu não tive.
O silêncio tomou conta por um instante, pesado como chumbo.
Juarez pigarreou, olhando pros homens.
— Pois bem... vamos juntar forças. Homem e mulher, lado a lado.
Rosa ergueu o queixo, firme.
— O sertão não vai calar diante desses cabras.
Manoel apertou o punho do facão.
— Se for preciso, corto caminho pela mata.
Doralice, com olhar decidido, completou:
— Morena Flor não vai ficar sozinha.
O coronel respirou fundo, o charuto apagando entre os dedos.
— Então vão... tragam minha menina de volta.
O vento soprou forte, levantando poeira vermelha.
— FUUUUUUUUUU!
E assim, entre drama, mistério e união, Juazeiro se preparava pra enfrentar o destino. O coração do coronel batia como o de um pai, e o sertão inteiro parecia segurar a respiração, esperando o próximo tiro trocado.
Capítulo 7: Armando tocaia, salvando Morena Flor
As soldadas femininas vinham pela estrada poeirenta quando avistaram Maria Bonita de rifle na mão, firme que nem tronco de juazeiro.
— Paradaaaaa aí! — gritou uma delas, com voz de comando.
Maria Bonita se virou, engatilhando a arma com destreza.
— Ôxe, mulherada... vocês tão contra eu, que sou mulher, tentando salvar outra mulher?
A tenente Rita desceu do cavalo, o olhar sério e o sotaque arrastado.
— Tu vai mesmo salvar a Morena Flor?
Maria Bonita ajeitou o rifle no ombro, o sorriso de quem não teme nada.
— Ora, vou trazer bandoleiro pelas orelha... e se precisar, mando bala sem dó!
Adiante, o ronco de jipe ecoava pela estrada.
— VRUUUUUMMMM!
Era a Subcomandante Rosa chegando, Doralice logo atrás. Outro jipe vinha com o Capitão Juarez, seguido da cavalaria de soldados e Manoel montado firme, facão na cintura.
Maria Bonita sorriu, debochada.
— HAHAHA! É hoje que esses cabras vão preso de vez. Me acompanhem! Vamos armar tocaia junto com Severino, nosso bando e os capangas Jailson, Irineu e Alonso. Vamos fazer Simão, Orico, Januário — seja quem for — provar do chumbo!
Tenente Rita olhou pras soldadas, firme.
— Sigam Maria Bonita!
O grupo se espalhou pela mata, cercando a casa velha onde os bandidos se escondiam.
Alonso, com o coração ardendo, murmurava:
— Morena Flor... eu vou lhe tirar daí nem que seja na bala.
Irineu ajeitou o rifle, mas logo o som de disparos ecoou.
— PÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁ! PÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁ!
Os soldados e soldadas avançaram, alguns acertando os tiros, outros caindo feridos.
— Aiiiiii! — gritava um soldado, tombando no chão.
Maria Bonita mirou firme contra Simão, que surgia na janela da casa velha.
— Hoje tu não escapa, cabra! — gritou, disparando.
— PÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁ!
Simão se abaixou, o tiro passando rente.
Orico e Januário revidaram, metralhando o mato.
— TRRRRÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁ!
Alonso aproveitou a confusão, invadiu pela lateral e encontrou Morena Flor amarrada.
— Aguenta, minha amada! — disse, cortando as cordas com a faca.
Morena Flor chorava, mas sorriu ao ver Alonso.
— Eu sabia que ocê vinha!
Irineu, ao tentar cobrir Alonso, acertou um tiro em Orico.
— PÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁ!
Mas logo levou um disparo no ombro.
— Aiiiiii! — caiu de joelhos, sangrando.
Os soldados e soldadas trocavam bala com os bandidos, o sertão inteiro ecoando o som da guerra.
Maria Bonita, firme, não tirava a mira de Simão.
— Hoje é tocaia, cabra! Hoje é mulher contra homem, e eu não vou recuar!
Simão tentou atirar no Capitão Juarez.
— PÁPÁPÁPÁ!
Mas a Subcomandante Rosa foi ligeira e acertou o braço dele.
— TRÁÁÁÁÁÁÁÁÁ!
Simão escorregou, o sangue escorrendo do braço.
Zé do Agreste, que até então observava, tentou proteger Severino, mas foi atingido por bala perdida.
— PÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁ! — tombou no chão, sem disparar contra soldado nenhum.
Severino ficou de frente com Simão, arma contra arma.
Simão puxou o gatilho, Severino também.
— PÁPÁPÁPÁ! BANG BANG!
Os dois caíram no chão, Simão sem Morena Flor, Severino sem Maria Bonita,sem o ouro na mão.
Maria Bonita se ajoelhou ao lado de Severino, lágrimas nos olhos, dando o último beijo.
— Eu te amo... vou te esperar onde estiver — murmurou ele, antes de fechar os olhos.
Januário, furioso, matou Caramu.
— PÁPÁPÁPÁ!
Mas logo foi abatido também.
— PÁPÁPÁPÁ!
O vento soprou forte, misturando poeira e cheiro de pólvora.
— FUUUUUUUUUU!
E assim, entre drama, sangue e bala trocada, a tocaia se encerrava. Morena Flor estava livre, mas o sertão chorava a perda de Severino, enquanto o destino de Juazeiro seguia marcado pela guerra.
Capítulo 8: Romance e Banho de Lual
Alonso e Morena Flor seguiam pela estrada já de noite, o cavalo no galope ligeiro. A lua clareava o caminho, iluminando o rosto dos dois, como se fosse lamparina de Deus guiando o destino.
Morena Flor, agarrada nele, mexia nos cabelos soltos.
— Sabe, homi... eu nunca pensei que ia sair viva. Achei que ia ser machucada, violentada por aqueles cabras cruéis.
Alonso respirou fundo, o peito cheio de emoção.
— Eu jamais ia deixar isso acontecer contigo, minha flor. Tu é tudo na minha vida. Desde quando ocê foi trabalhar na fazenda, eu com dezoito e tu com dezessete... eu já era capanga, mas meu coração já era teu.
Morena Flor sorriu, rindo baixinho.
— HAHAHA! Eu me lembro como se fosse hoje... meu coração acelerou só de lhe ver.
Horas depois, chegaram perto do açude. O reflexo da lua brilhava na água calma.
Alonso puxou o cavalo, ajudou Morena Flor a descer.
— Vem comigo, minha flor de mandacaru. Quero lhe fazer um pedido bem aqui, na beira desse açude. A lua e Deus vão ser testemunha desse momento.
Morena Flor sorriu, o rosto iluminado pela lua.
— Eita, homi... meu coração bate forte de amor.
Os dois caminharam até a beira da água. Morena Flor entrou devagar, molhando os pés, rindo como menina.
Alonso tirou as botas, entrou também na água fria do açude, o coração batendo ligeiro.
— Esse banho de açude é nosso batismo de amor, minha flor...
Ele respirou fundo, encarou Morena Flor com brilho nos olhos.
— Aceita se casar comigo, Morena Flor?
Ela riu, jogando água nele, brincando como menina.
— Mas homi, se quer nós namoramos... tu já vem com fala de casar?
Alonso sorriu, meio sem jeito, mas firme.
— Hehehe... que já faz tempo nós se conhece lá na fazenda. O amor cresceu, e eu não quero mais viver sem ocê.
Morena Flor pensou, o olhar perdido no reflexo da lua na água. Depois suspirou, emocionada.
— Aceito, homi... claro que aceito.
Ela riu alto, o som ecoando pelo açude.
— HAHAHA! Pois então, homi, se molhe comigo.
Os dois se abraçaram dentro d’água, o silêncio da noite só quebrado pelo coaxar dos sapos e o canto distante da coruja.
Alonso beijou Morena Flor devagar, como quem sela promessa eterna.
Ela respondeu com beijo doce, firme, como quem entrega o coração inteiro.
— Eu lhe amo, minha flor.
Ela respondeu, encostando a testa na dele.
— Eu também, homi... e vou lhe amar até o fim dos meus dias.
Saíram da água, se deitaram debaixo do cajueiro. A lua cheia brilhava por cima, testemunha silenciosa.
Alonso acariciava os cabelos dela, Morena Flor suspirava.
— Nunca pensei que ia viver esse momento.
— Pois viva, minha flor... porque essa noite é nossa.
O vento soprava leve, trazendo cheiro de cajueiro e terra molhada.
Morena Flor fechou os olhos, entregue.
Alonso a envolveu nos braços, e ali ficaram, se amando até o amanhecer.
A lua guardou segredo, o açude refletiu poesia, e o sertão inteiro parecia abençoar aquele amor.
Capítulo 9: Penúltimo: A boa filha retorna à casa
Na cidade de Juazeiro, o povo inteiro se juntava na praça, esperando ansioso por Morena Flor. O Coronel Carlos abriu um sorriso largo quando viu Alonso trazendo a moça com segurança. A freira Inácia ergueu as mãos pro céu, agradecendo a Deus.
— Até que fim, Morena Flor! — disse a freira, rindo. — Agora tenho que lhe mostrar uma carta...
Dona Nena, curiosa, se aproximou.
— É o que tô pensando, freira Inácia?
A freira se virou, meio séria.
— É sim, Nena... mas pare de ser curiosa, mulher!
Enquanto isso, Manoel, abraçado com Doralice, arriscava conversa.
— Ei, Doralice... que ocê acha de nós namorar?
Doralice se virou, firme.
— Assim que ocê se alistar no batalhão de Juazeiro, nós namora. Pois aí ocê vai ganhar bem.
Manoel sorriu, animado.
— HAHAHA! Pois amanhã mesmo eu vou me alistar!
O seminarista Paulino, com a Bíblia na mão, observava o amor bonito entre Alonso e Morena Flor.
— Alonso é um cabra de sorte... tá com a mulher mais bonita da cidade.
Cristóvão, rindo, cutucou o seminarista.
— Hehehe... e ocê que vai fazer o casamento dos dois, era pra tá descendo ela do cavalo beijando na boca!
Dona Rutinha subia e descia a escada com balde na cabeça, pagando promessa. Paulino olhou e suspirou.
— Ô minha mãe... pra quê subir e descer escada desse jeito?
Rutinha se aproximou do filho, cansada mas sorrindo.
— Por hoje chega, meu filho. Amanhã continuo. Só paro quando ocê virar padre. Aí pode fazer o casamento da Morena Flor.
O Coronel Carlos se aproximou, emocionado.
— Me dê um abraço, Morena Flor. Me perdoe de ter lhe visto com maus olhos... não como filha.
Morena Flor riu, com leveza.
— O senhor tava era carente, coronel Carlos!
Alonso chegou junto, firme.
— Coronel, eu e Morena Flor vamos nos casar.
O coronel se virou, sério mas sorridente.
— Pois faça ela feliz, cabra. Amor vocês têm de sobra.
O padre Florente apareceu, jogando água benta sobre o casal.
— Eu abençoo esse futuro casamento. Alonso e Morena Flor, que Deus seja testemunha. Espero celebrar essa união em breve!
Capítulo 10: Final: Gratidão da união e felicidade
O sol nasceu forte em Juazeiro, clareando mais um dia de festa. Na janela de sua casa, o seminarista Paulino olhava distraído quando, de repente, viu virar a esquina uma figura conhecida: Cassiana, seu amor antigo, montada num cavalo e trazendo um menino ao lado.
— Cassianaaaaaaa! Chega mais! — gritou Paulino, com o coração disparado.
Cassiana sorriu, foi até a casa dele.
— Paulino... quanto tempo!
Ele riu, meio sem jeito.
— Hehehe... ocê ainda ama eu? E quem é esse meninão esperto aí?
Cassiana olhou pra Dona Rutinha e respondeu firme:
— Pode parar, Dona Rutinha! Agora Paulino não vai virar mais padre não. Eu e ele vamos nos casar. Olhe aqui, o filho dele.
Paulino quase caiu pra trás.
— O quêêêê? Filho?! Pof!
Dona Rutinha sacudiu o filho.
— Acorda, homi! Agora ocê é pai, não vai ser mais padre!
Cassiana sorriu, abraçando o menino.
— Sim, Paulino... nós temos um filho. O nome dele é Felipe. Dá a bença, Felipe.
elipe olhou pra avó e respondeu com inocência:
— Bença, vó... tem rapadura?
Dona Rutinha olhou pro menino, sorriu com ternura e soltou uma risada leve:
— Hehehe... Deus não me deu Paulino como padre, mas me enviou um neto, Felipe. Claro que tem, meu neto! Vem cá, que vó guarda rapadura doce só pra ocê.
Na Fazenda Martins:
Na fazenda, a freira Inácia entregou uma carta a Morena Flor.
— Leia, minha afilhada. Ocê precisa saber de algo.
Morena Flor abriu, emocionada:
— Tá bem, madrinha.
Na carta, a revelação:
Morena Flor viu a foto da mãe, beijou e abraçou a madrinha Inácia.
— Obrigado por ter cuidado de mim. Se tivesse sido criada pelo meu pai, eu teria virado mulher do cangaço.
O Coronel Carlos chegou, emocionado.
— Aceitaria meu sobrenome Martins em seu nome, Morena Flor? Quero deixar tudo pra ocê.
Ela arregalou os olhos.
— Sério, patrão?
O coronel sorriu.
— Me chame de pai... assim eu te chamo de filha.
Morena Flor se levantou, abraçou forte.
— Obrigado por tudo, pai.
Dias e meses se passaram:
Dias e meses se passaram, e enfim chegou o grande dia. A igreja de Juazeiro estava enfeitada com flores do sertão, sanfona e zabumba tocando, povo sorrindo e chorando de alegria. O Coronel Carlos entrou de braço dado com Morena Flor Martins, orgulhoso como pai.
O padre Florente levantou a mão com solenidade, o sotaque puxado ecoando pelo templo:
— Meus irmãos e minhas irmãs, hoje é dia de festa grande! O sertão se alegra porque Alonso e Morena Flor vêm diante de Deus e da comunidade pra selar esse amor que nasceu na luta e cresceu na esperança.
Ele olhou para o casal, emocionado.
— Alonso, cabra valente, ocê promete cuidar dessa mulher, respeitar e amar até o fim dos seus dias?
Alonso respondeu firme, com voz carregada de emoção:
— Prometo, padre. Morena Flor é minha vida.
O padre sorriu e se virou para ela.
— E ocê, Morena Flor, flor do sertão, promete ser companheira fiel, dar carinho e força, e caminhar junto com Alonso na alegria e na tristeza?
Morena Flor, com os olhos marejados, respondeu:
— Prometo, padre. Esse amor é minha razão de viver.
O padre ergueu a Bíblia e declarou:
— Pois diante de Deus, da lua que brilha sobre Juazeiro e do povo que testemunha, eu declaro Alonso e Morena Flor marido e mulher. Que essa união seja abençoada e que nunca lhes falte fé, coragem e felicidade.
O povo explodiu em aplausos, jogando flores e gritando vivas. O coronel Carlos chorou como pai orgulhoso, a freira Inácia sorriu agradecida, e Dona Rutinha levantou o balde da promessa em triunfo.
Alonso beijou Morena Flor devagar, como quem sela promessa eterna. A sanfona puxou o xote, o zabumba bateu forte, e o sertão inteiro dançou em celebração.
Visão da Vida:
"O amor não escolhe pela riqueza ou pobreza, não importa ser capanga ou empregada. Ele escolhe pelo caráter, pelo respeito, pela confiança e pela lealdade. O amor só é verdadeiro quando ambos lutam juntos na dificuldade e festejam lado a lado as conquistas. O verdadeiro amor nasce quando um se dispõe a viver pelo outro até o último dia de suas vidas."

