A Vampira Baronesa ( para ler )

Contos de Histórias
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A Vampira Baronesa:

O menino Cláudio, roteirista curioso e cheio de imaginação, escutou no bar conversas que não devia e transformou fofoca em folhetim. Assim nasceu “A Vampira Baronesa”, história que virou Água Rasas de cabeça pra baixo: o povo pendurou alho nas portas, espalhou medo e acreditou que Manoel e a Baronesa Cláudia traziam as trévas. Mas o conto cresceu além da fantasia, misturando mistério, fé e paixão, até revelar que por trás da lenda havia apenas amor verdadeiro — capaz de mudar destinos e unir toda a cidade.

História criada escrita por Edivaldo Lima.

História de Minissérie.

10 Capítulos

Gênero: Romance, drama,mistério,dramédia

Personagem principal: Baronesa Cláudia, Manoel, Milena, Menino albino, Cláudio escritor personagens secundários:Mendes dono do bar,Rita fofoqueira,Ton zé,Charles violeiro,Suelen fã de livros góticos,prefeito Tobias,Dona Enriqueta,professora Lurdes,padre Pietro.

[Capítulo 1: Chegada da Baronesa de Champes

O sol se escondia por trás das serras quando a limosine preta, reluzente como asa de corvo, entrou na praça de Água Rasas. O povo se amontoava, curioso, como quem espera milagre.

A porta abriu devagar, e dela desceu a Baronesa Cláudia de Champes, vinda de Portugal, envolta num vestido gótico de veludo negro. O povo suspirou.

— Oxente, minha Nossa Senhora... — murmurou Rita, abanando o leque. — Mulher fina dessas eu nunca vi nem em sonho!

Manoel, cabra nordestino de olhar acanhado, sentiu o coração bater forte. Milena, sua amiga atrevida, cutucou-lhe o braço.

— Vá, homi! Num fique só de boca aberta não. Mulher dessa num aparece todo dia, visse?

O chofer Oliver ajeitou o chapéu e sorriu ao ver o alvoroço.

Charles, o violeiro, puxou uns acordes na viola.

— Pra receber madame, só música boa, meu povo!

Ton Zé cochichou:

— Se tu não se declarar, Manoel, eu mesmo vou.

Manoel engoliu seco, olhando a Baronesa. Ela sorria com ar distante, como quem carrega segredos de outro mundo.

Cláudio, menino pálido, sentado num canto com caderno, escrevia rápido.

— Ela é vampira... — murmurava. — Vai sugar a alma de Água Rasas.

O prefeito Tobias ajeitou o paletó e tentou parecer importante.

— Seja bem-vinda, excelência. Nossa cidade é humilde, mas hospitaleira.

A Baronesa respondeu com sotaque europeu carregado:

— Muito obrigada, senhor prefeito. É um prazer conhecer este lugar tão... peculiar.

Dona Enriqueta cochichou pra professora Lurdes:

— Ave,maria parece saída de romance, não é?

Padre Pietro fez o sinal da cruz discretamente.

Suelen, fã de livros góticos, olhava fascinada.

— Parece personagem das histórias que eu leio...

Milena empurrou Manoel pra frente.

— Vá, cabra! Fale com ela!

Manoel respirou fundo, aproximou-se.

— Boa tarde, Baronesa... Seja bem-vinda a Água Rasas, visse?

Ela olhou diretamente nos olhos dele, sorriso enigmático.

— Boa tarde, rapaz. Vejo que aqui há corações sinceros.

O povo murmurava, encantado. Mas Cláudio já espalhava palavras de mistério.

— Ela não é só mulher... é criatura da noite...

E assim, entre olhares, cochichos e música de viola, a chegada da Baronesa de Champes transformou Água Rasas.

O destino de Manoel começava ali, no instante em que seus olhos encontraram os dela.

E o mistério também, pois as palavras de Cláudio logo se espalhariam como vento, insinuando que a Baronesa não era humana.

Capítulo 2: Conto que parece ser verdade

Naquele fim de tarde abafado, Cláudio se sentava na calçada com o caderno aberto, escrevendo feito doido.

O menino rabiscava com mão trêmula, inventando que a Baronesa Cláudia de Champes era vampira vinda de Portugal.

— Oxente, vai dar medo no povo, visse? — cochichava Suelen, fã de livros góticos, olhando curiosa.

Cláudio sorria de canto, olhos brilhando.

— É isso que eu quero, Suelen. Quero que eles acreditem.

Suelen pegava as páginas e dobrava com cuidado.

— Eu vou espalhar pela cidade. O povo adora fofoca.

O sol se escondia, e a noite chegava com vento frio soprando pelas ruas de Água Rasas.

Suelen saiu sorrateira, carregando os papéis como se fossem segredo proibido.

Ela deixava cada página debaixo das portas, feito folhetim de jornal.

No alto da folha, em letras grandes, lia-se: “A Vampira Baronesa”.

E no fim, uma assinatura misteriosa: “Alguém que sabe de mais”.

Rita, a fofoqueira, encontrou uma das folhas e gritou:

— Ave Maria, minha gente, olha isso aqui!

Ton Zé pegou outra e arregalou os olhos.

— Vixe, se for verdade, Manoel tá lascado.

Milena, atrevida, tentou acalmar.

— Besteira, isso é invenção. Mas que dá arrepio, dá.

Manoel, ao ler, sentiu o coração apertar.

— E se for mesmo? — murmurou, lembrando do olhar da Baronesa.

Charles, o violeiro, tocava uma moda triste, como se pressentisse desgraça.

O prefeito Tobias, ao receber uma folha, ficou pálido.

— Quem escreveu isso? Quem espalhou?

Padre Pietro fez o sinal da cruz.

— O mal anda disfarçado. É bom vigiar.

Dona Enriqueta cochichava com professora Lurdes.

— Mulher fina demais, mas tem olhar que arrepia.

Ninguém sabia quem era o autor, nem quem espalhara os papéis.

Mas todos sabiam que Água Rasas nunca mais seria a mesma depois do folhetim.

E assim, o conto de Cláudio começava a virar verdade na cabeça da cidade inteira.

Capítulo 3: A paixão que cruza caminho

Naquela noite de lua cheia, Manoel caminhava pela estrada de barro, coração apertado.

Ele não queria acreditar que a Baronesa Cláudia de Champes fosse vampira, como diziam os folhetins.

Seus pensamentos estavam nela, na beleza misteriosa que mexia com sua alma.

Ao passar pelo cemitério, viu a Baronesa entrar com um violão nas mãos.

Curioso e apaixonado, Manoel resolveu segui-la em silêncio.

Ela se sentou sobre um túmulo antigo e começou a dedilhar uma canção triste.

O som ecoava entre as cruzes, como se fosse voz de outro mundo.

Manoel não resistiu e apareceu diante dela.

— Baronesa de Champes, que a senhorita faz aqui sozinha?

Ela levantou os olhos, serenos e melancólicos.

— Manoel, às vezes me sinto só. Como sou uma baronesa gótica, gosto do silêncio da paz eterna.

Manoel sorriu, meio sem jeito.

— Muitos tão dizendo que você é vampira depois daquele folhetim.

A Baronesa sorriu com leveza.

— Não!... Não!... Só sou uma mulher diferente. Quem escreveu isso tem muita criatividade. Olhe que lua linda.

Manoel fitou os olhos dela, sentindo o coração disparar.

— Sinto algo forte por você, mas não tenho riqueza.

Ela se aproximou, voz suave.

— Sente-se perto de mim, Manoel. Também sinto algo por você.

Ele se sentou, segurando a mão dela com firmeza.

— Percebo que você gostaria de algo agora.

A Baronesa inclinou-se, olhos brilhando.

— Sim, isso eu preciso, Manoel.

E então, sob a lua cheia, os dois se beijaram com intensidade.

Ali, no silêncio do cemitério, entregaram-se um ao outro.

Mas Charles, o violeiro, escondido atrás das árvores, viu tudo.

Ele registrou a cena com sua câmera antiga, incrédulo.

— Caramba... Manoel se entregou ao mundo dos vampiros. Agora a cidade tá perdida.

O vento soprou forte, como se carregasse segredos.

E Água Rasas jamais seria a mesma depois daquela noite.

Capítulo 4: Nus como veio ao mundo

A madrugada se arrastava , e no silêncio do cemitério Manoel e a Baronesa Cláudia de Champes se entregavam ao romance proibido.

A lua cheia clareava os túmulos, testemunhas mudas da paixão que ardia entre eles.

O vento soprava frio, mas o calor dos corpos fazia esquecer o mundo ao redor.

Quando o relógio bateu seis da manhã, o sol começava a nascer tingindo o céu de vermelho.

Manoel, ofegante, murmurou com voz arrastada:

— Ôxente, Baronesa... que doidice foi essa, muié? Nunca pensei na minha vida que ia me deitar com uma dama de requinte.

A Baronesa riu baixinho, com sotaque carregado de Portugal:

— Haaaa!... Haaaa!... Manoel, não me faça rir, gajo. O que aconteceu era pra acontecer. Isso é o amor, homem.

Ele ajeitou o cabelo desgrenhado, ainda sem acreditar.

— Se veste nesse vestido preto, parece até sonho... nosso corpo se juntando assim.

De repente, passos ecoaram entre as lápides.

Era Padre Pietro, com olhar severo e voz firme.

— Senhor tenha piedade... homem e muié se entregando num lugar sagrado, onde os que já se foram descansam. Bom dia, Manoel... bom dia, Baronesa. A festa foi boa essa noite, foi?

Manoel baixou os olhos, tímido, falando arrastado:

— Aconteceu, padre... mas foi bom, foi de verdade, num vou mentir não.

A Baronesa colocou a mão na boca, sorrindo com malícia.

— Bença, Padre Pietro. Quem sabe o senhor não batiza meu filho daqui a nove meses.

Manoel coçou a cabeça, nervoso.

— Vixe, muié... num diga isso não. Eu nem tenho estabilidade pra criar uma criança.

Padre Pietro suspirou, mas sorriu com bondade.

— Deus abençoe vocês dois. Boa sorte, Manoel.

O padre se afastou, deixando o casal entre o medo e a esperança.

A Baronesa olhou nos olhos de Manoel, cheia de mistério.

— O destino nos juntou, e agora ninguém vai separar.

Manoel sentiu o coração bater forte, dividido entre paixão e receio.

— Pois se for destino, eu vou até o fim, Baronesa.

O sol já iluminava Água Rasas, mas o segredo daquela noite ainda queimava nos corpos e nas almas.

E a cidade, sem saber, estava prestes a mergulhar ainda mais fundo no drama, na fofoca e no sobrenatural.

Capítulo 5: O bebê vampiro está por vir

Na cidade de Água Rasas, o povo já num falava de outra coisa.

Todo mundo olhava pra Manoel de banda, como quem vê cabra diferente.

Uns diziam: “Agora ele é vampiro, se entregou pras tréva.”

Outros cochichavam: “Esse romance vai trazer coisa de outro mundo.”

Cláudio, o menino de imaginação fértil, escutava conversa de Charles no bar.

Charles, violeiro falador, aumentava as história como quem toca viola desafinada.

Cláudio rabiscava no caderno: “O bebê vampiro está por vir”.

— Vixe Maria, vai nascer menino das tréva — murmurava ele, rindo sozinho.

Suelen, fã de livro gótico, ajudava espalhar as páginas.

— Oxe, isso vai dar medo no povo, vai.

Rita, fofoqueira, viu Manoel e a Baronesa na sorveteria.

— Ave Maria, esse cabra tá com cara de quem ganhou na mega-sena do amor.

Manoel sorria arrastado, meio sem jeito.

— Pois é, Rita... a vida deu uma virada grande.

A Baronesa segurava firme a mão dele, com olhar misterioso.

— Manoel, o destino já tá escrito, gajo.

Ton Zé, observador, cochichava:

— Se eles se entregou, logo nasce o filho vampiro. Esse sim vai mandar na cidade.

Suelen botava mais lenha na fogueira.

— Padre Pietro, e se nascer mesmo esse bebê das tréva?

Padre Pietro tossiu, ajeitou o chapéu.

— Vai mudar muita coisa, minha filha... mas quem tem fé, o mal não atinge não.

Dona Enriqueta cochichava com professora Lurdes.

— Mulher, se nascer menino vampiro, Água Rasas vira cenário de filme.

Milena ria, mas também ficava cabreira.

— Oxe, e se for verdade? Manoel num sabe nem criar galinha, quanto mais filho vampiro.

Charles tocava viola no bar, voz arrastada:

— Esse romance vai trazer desgraça, eu digo e repito.

Cláudio escrevia cada palavra como se fosse profecia.

— O bebê vampiro vai comandar Água Rasas.

O povo lia os folhetins e acreditava, como se fosse notícia oficial.

E Manoel, sem saber, já era visto como pai de criatura das tréva.

A Baronesa sorria misteriosa, sem negar nem confirmar nada.

E Água Rasas mergulhava cada vez mais fundo no drama, na fofoca e no mistério.

Capítulo 6: Água benta e alho como proteção

A feira da cidade começou cedo, e o povo já se amontoava nas barracas.

O cheiro de alho se espalhava pelas ruas, parecia até festa misturada com medo.

Mendes, dono do bar, gritava arrastado:

— Vamo fazer fila, minha gente! Quem num comprar alho hoje, vai se arrepender amanhã!

O padre Pietro, de batina, distribuía garrafinha de água benta.

— Quem tem fé, leva essa bênção pra casa, que Deus protege.

Ton Zé apareceu com um colar de alho pendurado no pescoço.

— Agora virou moda e proteção. Já encomendei um crucifixo também, pra completar.

Cláudio, menino roteirista, olhava o povo acreditando em tudo.

— Caramba... será que pode ser verdade mesmo ou meu conto saiu fora de rumo?

Suelen ria, ajeitando o cabelo.

— Pode ser mentira, Cláudio... mas se for verdade, meu amigo, Água Rasas tá lascada.

Charles, o violeiro, olhou pra Manoel que vinha de traje gótico.

— Oxente, até mudou de roupa! Será que vai começar a transformar o povo em vampiro?

Milena, de braços cruzados, retrucou:

— Tomara que não, Charles. A cidade de antigamente era melhor, sem essas assombração.

Ton Zé se aproximou, voz arrastada.

— Concordo, Milena... mas a paixão de Manoel falou mais alto. Olha o cabra agora, nem parece o mesmo.

Manoel sorriu, ajeitando o paletó preto.

— Meu amor, fiquei elegante... obrigado pelo presente.

A Baronesa Cláudia sorriu misteriosa, olhos brilhando.

— Por nada, meu amor. Você terá tudo do melhor.

Rita, fofoqueira, cochichava na esquina.

— Ave Maria, esse romance vai trazer menino vampiro mesmo.

Padre Pietro suspirou, levantando o terço.

— Que Deus proteja essa cidade, porque alho e água benta só ajudam se tiver fé.

Dona Enriqueta murmurava pra professora Lurdes.

— Mulher, nunca vi tanta confusão. Parece até novela.

Milena ria, mas o coração apertava.

— Oxe, e se for verdade?

Cláudio rabiscava mais uma página, inspirado no caos.

— “Água benta e alho como proteção”... vai ser meu próximo folhetim.

E Água Rasas mergulhava cada vez mais fundo no drama, na fé e na confusão.

Capítulo 7: Você será pai, Manoel

Na cidade de Água Rasas, a notícia corria mais rápido que vento em serra.

Rita, a fofoqueira, descobriu por Milena que Manoel ia ser pai.

Dias antes, Milena cochichava na esquina:

— Dona Rita... a Baronesa Cláudia de Champes tá esperando um filho do meu amigo Manoel.

Dona Rita arregalou os olhos, quase deixou cair a bolsa.

— Virgem Santa, Milena! Manoel foi usado pela Baronesa. Esse menino vai nascer pra mandar na cidade, vai virar Barão!

Padre Pietro apareceu com semblante sério.

— Agora não podemos fazer nada... que Deus proteja a todos.

Ton Zé, com colar de alho no pescoço, se aproximou.

— Quando essa criança nascer, tem que dar banho de flor do campo com água benta e alho.

Joel, pensativo, murmurou:

— Podemos todos se unir numa oração.

Professora Lurdes sorriu, mas manteve a voz firme.

— Essa criança vai trazer felicidade, eu sinto.

Suelen, espantada, levou a mão ao peito.

— Então é verdade, meu Deus!

Cláudio, menino roteirista, rabiscava no caderno.

— Vou espalhar folhetim de oração pelas casas, pra acalmar o povo.

Manoel, ajoelhado na igreja, rezava com voz arrastada.

— Deus, me dê sabedoria nesse momento difícil.

A Baronesa Cláudia, também ajoelhada, suplicava.

— Ó Deus, muda o pensamento dessas pessoas... tá saindo fora do controle.

Rita já espalhava a novidade na feira.

— Água Rasas vai ter herdeiro vampiro, minha gente!

Ton Zé ria, mas o coração apertava.

— Oxe, tudo pode mudar agora.

Padre Pietro levantou o terço, voz firme.

— Quem tem fé, não teme. Mas preparem-se, porque o destino tá escrito.

E Água Rasas mergulhava ainda mais fundo no drama, na surpresa e na confusão.

Capítulo 8: Irei contar toda a verdade

O menino Cláudio, arrependido de ter escrito história que saiu fora do controle, mandou reunir todo mundo na praça da igreja.

Ele apareceu correndo dentro da igreja, acompanhado de Suelen.

— Ôoooo Padre!... Ôoooo Padre!... Não existe Baronesa vampira, foi eu que escrevi o folhetim e mandei Suelen entregar.

Padre Pietro colocou a mão na cintura e falou arrastado:

— Onde já se viu, Cláudio, inventar uma coisa dessa? Tu largou de escrever a peça do Menino Jesus pra inventar bobagem. Deus num gosta, filho.

Mais tarde, na praça, todos estavam reunidos esperando a revelação.

Manoel sorria, e a Baronesa também, pois já imaginavam que o autor do folhetim era Cláudio, o menino escritor de conto.

Cláudio subiu num palanque improvisado e falou alto:

— Ô pessoal, boa tarde! Quero pedir desculpa à Baronesa Cláudia de Champes e ao Manoel por ter criado esses folhetins. Virou um avoroço na cidade. A verdade é que a Baronesa não é vampira, só dei o título pra história.

Milena sorriu aliviada.

— Até que enfim a verdade veio à tona.

Ton Zé riu, ajeitando o colar de alho.

— Esse menino é criativo que só, viu.

Charles, o violeiro, completou:

— É verdade, o menino é talentoso. A cidade toda acreditou.

A Baronesa Cláudia se aproximou com elegância.

— Tá desculpado, Cláudio. Que bom que falou a verdade.

Manoel sorriu, olhando pro menino.

— Eu já imaginava de onde vinha essa criatividade.

A Baronesa se virou pro povo.

— Eu tenho estilo de vida gótica, por isso minhas roupas são assim.

Manoel sorriu novamente.

— Eu tô aprendendo a ser gótico também, pra acompanhar minha esposa.

De repente, Manoel se ajoelhou diante dela.

— Baronesa Cláudia, meu amor... aceita casar comigo?

A Baronesa, emocionada, respondeu com voz firme:

— Aceito, meu amor. Casar contigo e ser feliz.

Todos aplaudiram a felicidade de Manoel e da Baronesa Cláudia.

Padre Pietro sorriu, levantando o terço.

— Que Deus abençoe o casal. A criança tá pra vir ao mundo, e agora a cidade terá paz.

Capítulo 9 penúltimo Capítulo: O Casamento de União

Passaram-se dias, semanas e meses. Manoel vivia com o sorriso aberto, nunca imaginava que um rapaz simples ia entrar pra família de Barões. Sua vida tava mudando de um jeito que parecia sonho.

Milena entrou na casa de Manoel, animada.

— Bom dia, homem! Tá preparado pro casório ou vai fugir do casamento?

Manoel sorriu, ajeitando o cabelo.

— Tô mais que preparado. Dona Enriqueta vai entrar comigo na igreja, já que minha mãe Lurdes não tá mais presente em vida.

Milena colocou a mão no ombro do amigo, voz arrastada.

— Onde Dona Lurdes estiver, ela tá orgulhosa de tu, rapaz.

Manoel olhou pra foto da mãe e suspirou.

— Disso eu sei, Milena. Quero que você seja madrinha do meu casamento.

Milena sorriu emocionada.

— Pode deixar, vou ser com muito orgulho.

Passaram-se mais alguns dias e chegou o tão aguardado momento: o casamento de Manoel com a Baronesa Cláudia de Champes.

A igreja tava lotada, todo mundo bem vestido. Casamento assim, com festa e comida das boas, só se via uma vez ou outra.

Charles, o violeiro, foi padrinho junto com Milena, amiga de infância de Manoel.

Manoel estava com terno alinhado, elegante. Dona Enriqueta entrou com ele na igreja, e todos se levantaram. O casamento começava.

Familiares de Manoel e da Baronesa estavam presentes, emocionados.

O sino tocou forte, e a porta se abriu. A noiva apareceu: Baronesa Cláudia de Champes, bela e elegante, já com a barriga mostrando que o filho ou filha podia vir ao mundo a qualquer momento.

Padre Pietro ajeitou o terço, deu uma tossida e começou a cerimônia com voz firme e arrastada:

— Queridos irmãos e irmãs, estamos aqui presente pra celebrar a união de Manoel Alves e Cláudia de Champes. Esse casamento nasceu do destino, de uma mulher que veio de Portugal pra essa cidade e encontrou o amor verdadeiro.

Ele levantou as mãos e continuou:

— O matrimônio é sagrado, é promessa de fidelidade e de esperança. Que essa união traga paz pra Água Rasas e alegria pra todos nós.

O povo suspirava, alguns enxugavam lágrimas.

Charles dedilhava a viola, tocando uma melodia suave que enchia a igreja de emoção.

Milena sorria, orgulhosa do amigo.

Ton Zé cochichava arrastado:

— Ôxe, nunca pensei ver Manoel virar Barão de verdade.

Padre Pietro ergueu a voz:

— Manoel Alves, tu aceita Cláudia de Champes como tua esposa, prometendo amar e respeitar até o fim dos dias?

Manoel respondeu firme:

— Aceito, padre.

Padre se virou pra noiva:

— Cláudia de Champes, tu aceita Manoel Alves como teu esposo, prometendo fidelidade e amor eterno?

A Baronesa sorriu emocionada:

— Aceito, padre.

Padre Pietro levantou o terço e declarou:

— Em nome de Deus, eu vos declaro marido e mulher. Que essa união seja abençoada e que a criança que virá ao mundo traga ainda mais felicidade.

Todos aplaudiram, e o povo gritava de alegria.

A festa já se anunciava com mesas cheias de bolo, vinho e comida típica.

E Água Rasas celebrava não só um casamento, mas a paz e a felicidade que finalmente chegavam à cidade.

Capítulo 10 Final: Do fruto do Amor nasce o filho

Para quem perdeu a festa, Cláudio, o menino escritor de contos, escreveu vários folhetins. Num deles aparecia a professora Lurdes pegando o buquê, e em outra foto Ton Zé se declarando pra professora. O povo já cochichava: será que vinha mais um casamento futuramente? A festa tinha sido boa demais: forró arrastado, dança portuguesa, comida farta e alegria sem fim.

Passaram-se algumas semanas. Manoel estava no hospital, sentado na sala de espera, contando as horas pra chegada do filho.

Milena estava ao seu lado, tentando acalmar o amigo.

— Caramba, que demora é essa, minha amiga? — disse Manoel, nervoso.

— Calma, rapaz... logo teu filho ou filha nasce — respondeu Milena, sorrindo.

De repente, perto do quarto, ouviu-se o choro forte:

— Buaaaa!... Buaaaa!...

Era o filho de Manoel que tinha vindo ao mundo. O médico Marcelo saiu do quarto sorrindo.

— Parabéns, papai! Seu filho é um menino forte.

Manoel levantou rápido, coração disparado.

— Posso ir ver meu filho, doutor Marcelo?

O médico sorriu.

— Claro que pode, fique à vontade.

Milena abraçou o amigo com emoção.

— Parabéns, papai Manoel!

Manoel sorriu, lágrimas nos olhos.

— Obrigado, Milena. Vou ser o melhor pai: ficar acordado de madrugada, dar banho, preparar mamadeira...

Milena sorriu arrastado.

— Isso aí, homem. Ser bom pai é tá presente.

Ao entrar no quarto, Manoel se emocionou ao ver Cláudia com o bebê nos braços.

— Olha que coisa linda, meu amor... nosso filho — disse a Baronesa Cláudia, com voz doce.

Manoel beijou a testa da esposa e do filho.

— Sim, puxou pra mãe e pro pai, pra não dar briga.

Os dois sorriram juntos, cheios de felicidade.

Cláudia olhou pra Manoel e perguntou:

— Como vai se chamar?

Manoel segurou o filho com carinho e respondeu:

— Vai se chamar Guto Alves de Champes.

Naquele dia, Manoel descobriu a felicidade de ser pai e de construir uma família com sua esposa, a Baronesa Cláudia de Champes.

Padre Pietro, que tinha vindo visitar, levantou o terço e disse arrastado:

— Esse fruto do amor é bênção de Deus. Agora são três: pai, mãe e filho. Que a paz reine nessa família e na cidade.

E Água Rasas, que antes vivia em mistério e confusão, agora celebrava a alegria de uma nova vida, a união de um casal e a esperança que nascia junto com o pequeno Guto.

Agradeço a todos que acompanharam essa história.]



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