Casebre da fé
No humilde Casebre da Fé, três amigos — Roberto, Lorenzo e a beata Josefa — vivem o cotidiano com fé e louvor. O sumiço do pão e do vinho traz o humor cristão em formato de sitcom, onde os personagens se deparam com situações inusitadas e divertidas.
História criada e escrita por Edivaldo Lima.
Contos Curtos
Gênero: Humor Cristão, dramédia
Personagens da história: Roberto, Josefa, Lorenzo, João Gabriel morador de rua.
“O pão é vinho”
[Praia Divina Luz, 7h20 da manhã.
Roberto acordava pela manhã. Seus cabelos grandes e a barba longa lembravam Jesus Cristo. Para Roberto, aquele visual trazia paz interior. Ele se sentava na poltrona, dedilhava o violão e cantava:
— Ale!... Ale!... Ale!... Aleluia!
Acordo feliz com a paz de Cristo, nosso Senhor.
Josefa, a beata, levantava-se e dizia:
— Nossa, essa música me tira até o estresse dos males pecaminosos do mundo. Se alguém estiver falando mal de mim, essa língua grande já foi tampada com fita crepe, repreendida de todo o mal por Deus, o Criador.
Roberto respondia:
— Amém, verdade. Assim que sair de casa, não esqueça de levar a Bíblia. Se um assaltante vier te roubar, mostre sua arma: a Palavra de Deus. Diga: “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum” (Salmos 23;4). Assim, talvez ele pense duas vezes antes de puxar a arma... ou até se converta ao Reino dos Céus.
Josefa cantava junto:
— Ale!... Ale!... Ale!... Aleluia! Me sinto feliz com esse louvor.
Enquanto isso, o jovem Lorenzo olhava no espelho, penteando sua barba:
— Caramba, estou parecendo Moisés com essa barba... mas tenho o tamanho do Rei Davi.
Roberto, comendo um crepe de pasta de amendoim, brincava:
— Mas nem por isso Davi tinha medo. Ele derrubava um Golias por dia.
Lorenzo sorria:
— Verdade, meu amigo de fé. Assim me sinto mais forte e confiante para enfrentar meu dia.
Josefa olhava para a estante:
— Cadê o pão?
Roberto respondia:
— Se os ratos pecaminosos não levaram, está no forninho.
Ao abrir o forno, Josefa se assustava:
— Caramba, Roberto! Olha o tamanho dessa ratazana! Saiu das profundezas para pecar ainda mais.
Lorenzo comentava:
— E ainda está dormindo, depois de encher a barriga. Talvez só estivesse com fome, sem intenção de pecar. O que você diria a esse rato, se estivesse acordado?
Josefa, segurando o rato pelo rabo, dizia firme:
— Não temerei mal algum, pois Deus, o Criador, me protege. Ai de você se morder meu dedo!
O rato acordou, pulou e saiu correndo. Josefa, com a vassoura, gritava:
— Volta aqui, seu rato!
Roberto a acalmava:
— Calma, Josefa. Deixe-o voltar para as profundezas. Jamais mate o rato, pois estaria pecando.
Enquanto isso, Lorenzo segurava a taça:
— Até o vinho e os cálices sumiram!
Nesse momento, João Gabriel, morador de rua, aparecia bêbado:
— Senhor, sei que errei tomando esse vinho. Me livre desse pecado alcoólico.
Roberto, Josefa e Lorenzo se uniam em oração:
— Deus Pai, Criador, livre este homem do mal alcoólico que o consome. Perdoe-o por ter tomado o vinho que era da igreja.
João Gabriel, meio embriagado, murmurava:
— Amém...
E caía no chão, dormindo:
— Ronk!... Ronk!...
Josefa olhava e dizia:
— Veja o que o inimigo fez com esse homem após tomar o vinho.
Roberto respondia:
— Ainda está roncando na paz eterna.
Lorenzo observava:
— Hoje foi mais um que caiu, dormindo pelo pecado do mundo.

