As Patricinhas de Hong Kong ( para ler )

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As Patricinhas de Hong Kong

Três patricinhas de Hong Kong — Mari-Chi, Susa-Kichi e Lisa-Kaichi — chegam ao Brasil cheias de glamour, mas acabam morando em um apê simples sob os cuidados da irreverente Dona Conceita. Entre banhos de canequinha, arroz tropeiro, vizinhos barulhentos e pancadões madrugada adentro, elas descobrem que viver no Brasil é uma mistura de choque cultural, besteirol e dramédia.

Observação: Este dorama é uma história recomendada para maiores de 16 anos.

Contém linguagem sugestiva, humor irreverente e situações voltadas ao público juvenil-adulto.

Apê da Confusão:

primeira temporada

4 Capítulos

História criada é escrita por Edivaldo Lima.

História de Dorama

Gênero: comédia besteirol,dramédia,adultojuvenil

personagens principais: Mari-chi,Lisa-Kaichi,Susa-kichi personagens secundários:Kin-chi,Roberto Boladão,Dona Conceita,

[Capítulo 1: A Viagem

Amanhecia na segunda-feira, 20 de novembro de 2025. Mari-Chi, Lisa-Kaichi e Susa-Kichi estavam terminando de arrumar as malas para pegar o voo com destino a São Paulo, Brasil.

Roberto Boladão, neto da senhora Conceita — dona do famoso Apê da Confusão — ficou encarregado de receber as três moças de Hong Kong, que iriam morar no apartamento.

Mari-Chi olhava para o Apê pelo vídeo:

— Ei, Lisa-Kaichi e Susa-Kichi… será que Dona Conceita, com todo respeito, essa senhorinha de 80 anos, não está querendo dar um golpe na gente?

Lisa-Kaichi, escovando os dentes, respondeu:

— Claro que não! Achei ela tão simpática por áudio e vídeo. Mas confesso que fico com o pé atrás com o neto, Roberto Boladão.

Susa-Kichi, dobrando uma camisa, comentou:

— Lembrem-se: jamais julgar os idosos de 80 anos. Agora… esse apelido “Boladão” me deixa curiosa. Será que ele é chefe do crime?

Mari-Chi se virou:

— Menos, meninas! Só vamos conhecer eles de verdade quando estivermos no Brasil. Que horas sai o voo?

Lisa-Kaichi olhou no relógio:

— Ao meio-dia em ponto. Hong Kong não será mais a mesma sem nós!

Mari-Chi deu risada:

— Verdade! Aprontamos muito aqui… só não casamos e nem ficamos grávidas.

Susa-Kichi, sentando e levantando da cadeira, brincou:

— Mas no Brasil, se a gente não se comportar, é perigoso aprender a fazer quadradinho com nossa bunda chinesa atraente… e ir até o chão! Chão! Chão! Rebolando o bundão!

Dim Dom!

Mari-Chi abriu a porta:

— Olá, tudo bem?

Kin-Chi, segurando uma pizza, respondeu:

— Eu vou bem, senhorita. Mas sua amiga parece a Anitta dançando funk, aquela do Brasil… do bundãããã!

Lisa-Kaichi olhou séria:

— Se comporta, Susa-Kichi! Olha o rapaz quase babando.

Kin-Chi pegou a gorjeta e disse:

— Foi a melhor entrega da minha vida… ver uma chinesa dançar até o chão!

As horas da manhã passaram rápido. Depois de comer a pizza, seguiram para o Aeroporto de Hong Kong. Ao descer do táxi, foram fazer o check-in para o embarque. Os chineses olhavam as três amigas de cima a baixo.

Mari-Chi perguntou:

— O que está acontecendo? Por que todos os irmãos chineses estão nos olhando?

Susa-Kichi sorriu:

— Sei lá… só sei que estou achando estranho.

Lisa-Kaichi, pensativa, disse:

— Já sei o que é, meninas!

Mari-Chi e Susa-Kichi sorriram:

— O quê? Estamos vermelhas igual tomate da feira?

Lisa-Kaichi olhou para si mesma e depois para as amigas:

— Estamos todas iguais, com a camiseta escrita: “Não parece, mas somos brasileiras”.

Todas caíram na risada, enquanto os chineses olhavam confusos, pensando: “Essa geração…”.

Assim que o avião chegou, elas embarcaram rumo ao Brasil, torcendo para que tudo desse certo e que não ficassem sem teto.

Capítulo 2: O Voo, Turbulento

O voo seguia tranquilo. Mari-Chi, com o dicionário Aurélio em mãos, tentava aprender mais palavras em português. Ela não queria se perder na padaria sem conseguir pedir um pão de queijo, nem na farmácia sem saber falar corretamente o nome de um absorvente íntimo — afinal, não queria passar vergonha com “mal cheiro na perseguida”.

Mari-Chi virou a página do dicionário e murmurou:

— Nossa, eu pensei que sabia português do Brasil, mas tem palavras com pronúncia totalmente diferente. Imagina só: ir a um restaurante e querer pedir “panque”, mas acabar falando “bisteca”!

Enquanto isso, Lisa-Kaichi olhava para o senhor ao lado, que roncava alto:

Ronk!... Ronk!...

— Da próxima vez vou querer voo de primeira classe. Quem sabe não encontro como companhia o astro coreano Dylan Wang? Assim ele fala minha língua e eu a dele… porque ronco ninguém merece!

Susa-Kichi, olhando pela janela, suspirou:

— Nesse avião não somos nada perto da mão de Deus. Tomara que Ele segure qualquer turbulência. Essas nuvens parecem algodão doce… mas de doce é só imaginação.

De repente, Dona Cristina, uma senhora sentada próxima, cutucou Susa-Kichi:

— Ei, moça… minha dentadura está com alface?

Susa-Kichi sorriu:

— Não, senhora, está tranquila. Mas por que a pergunta?

Dona Cristina respondeu animada:

— É que, ao chegar no Brasil, vou beijar o Gerson no motel!

Susa-Kichi caiu na risada:

— Eita, vai ser só love… só love… lepo, lepo!

De repente, o avião sacudiu forte:

Zooooowwww!

Susa-Kichi se agarrou ao assento:

— Ai, meu Deus, não quero morrer virgem!

Dona Cristina tentou acalmá-la:

— Fique tranquila, você não vai morrer não!

Mari-Chi gargalhou:

— Haaaaa! Meu Deus, que loucura esse voo para o Brasil… só falta o piloto começar a falar português!

Lisa-Kaichi, assustada, olhou para o senhor roncando ao lado:

— O monge me dê paciência… nem com turbulência esse velho acorda. Dorme como uma pedra!

Após alguns minutos, o voo voltou ao normal. As meninas respiraram aliviadas e seguiram viagem até o Aeroporto Santos Dumont, “o pai da aviação”, como brincou Susa-Kichi ao desembarcar.

Capítulo 3: Bem-vindas ao Brasil

Ao descer do avião no Aeroporto Santos Dumont, elas jamais esperavam ser recebidas por ninguém menos que Roberto Boladão, segurando uma placa de papelão improvisada, retirada do mercadinho do Sr. Juca, onde estava escrito:

“Sejam Bem-vindas, Patricinhas de Hong Kong.”

Mari-Chi sorri:

— Olhem, meninas, nosso chofer exclusivo do Brasil!

Susa-Kichi dá risada:

— He!... He!... He!... Estamos bem com esse chofer, hein? Será que vai nos levar para algum motel cinco estrelas?

Lisa-Kaichi sorri também:

— He!... He!... He!... Calma, meninas. Robertão Boladão não é tarado, é apenas nosso chofer exclusivo. Vamos confiar, mas se ele vier com mão boba, usamos o Golpe do Dragão do mestre Shio. Lembram o que ele dizia? “Seja simpática, conheça mais… mas se desrespeitarem vocês, uma joelhada no biguilin faz a diferença.”

Elas se aproximam, confiando mas ainda desconfiadas:

— Oláaaa, Robertão Boladão! Dona Conceita não quis vir?

Roberto Boladão responde:

— Ficou assistindo a novela das sete.

Confiante como um galã, ele distribui rosas como Roberto Carlos no especial de Natal:

— Essas rosas são para vocês, Mari-Chi, Susa-Kichi e Lisa-Kaichi. Sejam bem-vindas! Espero que confiem em mim, vou levar vocês para o Apê.

Elas falam cheirando as rosas:

— Obrigada, Robertão Boladão. Mas por que esse nome “Boladão”? Você fica bolado com as mulheres brasileiras?

Roberto Boladão sorri:

— Haaaaaa!... Não, mulherada. É porque sou MC Boladão nos finais de semana. Entro no carro, não é quatro portas, mas tem motor, buzina… e dá até pra transar. Brincadeirinha!

Elas sorriem juntas:

— Haaaaaa!... Pensamos que iria nos levar a um motel safado como boas-vindas.

Enquanto coloca as malas, Robertão comenta:

— Não quero perder meu bilal por uma joelhada.

No caminho para o Apê

As patricinhas observam o movimento, vendo como as pessoas correm sem parar.

Mari-Chi observa:

— Nossa, Robertão, as pessoas andam assim com medo de ser assaltadas?

Robertão sorri:

— Às vezes é por causa da chuva, ou pra pegar o metrô. Ser assaltada também… bem-vindas ao Brasil!

Susa-Kichi aponta com o dedo:

— Olhem, meninas, quantos vendedores ambulantes! Inclusive quem vende guarda-chuva… poderia ter quem vendesse colete à prova de bala com capacete.

Lisa-Kaichi olha os enfeites natalinos:

— No metrô, na multidão, a confusão come solta. Se vier encrenqueiro, é golpe do Dragão. Mas se mostrar paz, eu digo: tudo bem, sou da paz.

Roberto Boladão vira a esquina e sorri:

— Aquela é a mansão de vocês.

Mari-Chi olha surpresa:

— Pensei que fosse alto… só três andares. Achei que teria vaga para helicóptero.

Lisa-Kaichi observa o bairro:

— Temos segurança no Apê, Robertão?

Robertão responde:

— Tem o guarda que vive roncando, porque bebe demais.

Susa-Kichi coloca a mão no rosto, desanimada:

— Meninas, aqui é bairro simples, não é como Tai Tam em Hong Kong. Se quisermos segurança, vamos ter que contratar do shopping.

Chegada ao Apê

Ao chegar, Roberto Boladão chama sua avó. Dona Conceita aparece com uma torta de limão de boas-vindas.

— Boa noite, meninas Mari-Chi, Susa-Kichi e Lisa-Kaichi. Como foi a viagem de vocês?

Mari-Chi:

— Foi boa, Dona Conceita. Tivemos até chofer no aeroporto.

Susa-Kichi sorri:

— Fora a turbulência… uma senhora me perguntando se a dentadura dela tinha pedaço de alface. Mas tranquilo. Nossa, como as pessoas aqui andam rápido, hein!

Lisa-Kaichi observa a torta:

— Isso é verdade. As pessoas aqui correm muito. No voo tinha um senhor que roncava mais alto que turbina de avião.

Dona Conceita sorri:

— Haaaaaa!... Lembra meu finado Everaldo. Pensa num velho que roncava! Só não separei porque amava ele… e porque tinha dinheiro.

Dentro do Apê

Horas depois, as patricinhas observam a decoração.

Mari-Chi tenta parecer especialista:

— Dona Conceita, a senhora nos daria oportunidade de decorar a casa?

Dona Conceita:

— Vocês pagando aluguel podem até colocar pôster de pornochanchada como decoração.

Susa-Kichi curiosa:

— O que é pornochanchada, Dona Conceita? Algum pôster decorativo sensual?

Dona Conceita:

— Pôster de boa transa, minha filha! Eu tenho umas revistas de quando tinha 18 anos. Fui ex-modelo da xanxada… a revista era “Musa Xanxadona”!

Lisa-Kaichi se abana com o leque:

— Nossa, que calor é esse em São Paulo! Tem ar-condicionado? Colocar pôster na rua frita!

Dona Conceita corta a torta de limão:

— Frita também, minha filha. Colocar ovos velhos tarados… Ar-condicionado não tem, mas tem ventilador dos anos 90.

Roberto Boladão sai do banheiro:

— Tentei arrumar o chuveiro pra vocês, mas não consegui.

Mari-Chi:

— Nossa, como vou tomar meu banho na banheira com ervas e espuma?

Dona Conceita sorri:

— Banho de vocês vai ser na canequinha. Ou lá em casa, amanhã mando eletricista vir arrumar.

Susa-Kichi olha para o banheiro:

— Nossa, nem um bidê!

Dona Conceita mostra o pinico:

— Esse pode ser o bidê de vocês. Coloca água e lava as escondidas.

Lisa-Kaichi, comendo a torta:

— Está uma delícia, só está azeda como limão.

Dona Conceita:

— Minha filha, torta de limão é sem açúcar.

Todos caem na risada.

Capítulo 4 Final: Um Pancadão no Bairro do Apê

A noite parecia tranquila para um sono profundo das três amigas — Mari-Chi, Susa-Kichi e Lisa-Kaichi. Depois do famoso banho de canequinha, novidade cultural do Brasil, elas se deitaram satisfeitas com o arroz tropeiro preparado por Dona Conceita. Mas sabiam que, cedo ou tarde, teriam que aprender a cozinhar ou contratar uma empregada.

De repente, o silêncio dos bons sonhos foi quebrado. A rua do bairro já estava lotada de jovens, garotos e garotas mais perdidos no mundo que sacola de lixo no Rio Tietê.

— Atenção! Vai começar o pancadão! Quero ver beijo na boca, mulherada rebolando, descendo até o chão!

— Um, dois, três… Pancadão para geral!

— Chão!... Chão!... Chão!...

Era o som do pancadão.

Mari-Chi acorda e olha pela janela:

— Ai, minha cabeça! Que loucura é essa? Esses rapazes e moças dançando até o chão a essa hora!

Susa-Kichi acorda já dançando, fazendo quadradinho:

— Para de ser oriental velha, mulher! Entra no clima do pancadão, rebola, vai até o chão!

Lisa-Kaichi, bebendo suco calmamente:

— Será que todo final de semana é assim? Pancadão!... Pancadão!... Essas mulheres brasileiras têm um molejo no bundão… Nós, com essa bunda sexy oriental, vamos precisar de silicone!

Nesse momento, Dona Conceita entra na casa:

— Minhas filhas, vocês deixaram a porta do Apê aberta. Será que tem vela aqui?

Mari-Chi:

— O sono era tanto, Dona Conceita, que nem lembramos de trancar a porta. Mas pra quê vela?

Dona Conceita, pegando as velas:

— Pra rezar pra Virgem Maria acalmar o ânimo desses jovens perdidos. Quem sabe ela manda uma chuva e o silêncio volta a reinar.

Susa-Kichi, tentando ler um livro intitulado “Como ter paciência”:

— Nossa, mas sempre tem esse barulho, Dona Conceita!

Dona Conceita se vira:

— Sim, minha filha. Vão se acostumando… ou comprem fones de ouvido.

Lisa-Kaichi olha pela janela:

— Caramba, eles sacodem até os carros da polícia! Esses jovens não estão normais… estão drogados!

Dona Conceita suspira:

— Esse pancadão vai demorar. Vamos orar, Mari-Chi, Susa-Kichi e Lisa-Kaichi. Dêem as mãos, rezem forte… só assim os anjos vêm afastar esse mal.

As patricinhas pegam na mão de Dona Conceita diante de um altar improvisado.

Dona Conceita, olhando para a Virgem Maria:

— Ó mãe de todos os pecadores desse mundo, dá um jeito de acalmar o ânimo desses jovens perdidos. Manda chuva, se precisar acorda São Pedro pra fazer faxina!

Mari-Chi observa:

— Por favor, Virgem Santa Maria… só assim vou ter um sono de paz e sonhar com meu crush coreano.

Susa-Kichi, orando firme:

— Afaste esse mal do pancadão, meus ouvidos não aguentam mais!

Lisa-Kaichi suspira:

— Só quero a paz de monge, pra um bom sono.

Dona Conceita conclui:

— Amém! Daqui a pouco vai chover. A Virgem Maria sempre me escuta. Salve!... Salve!... Virgem Maria, espanta esses jovens daqui por vários dias!

Com o passar das horas, começou a trovejar e a chover. Dona Conceita, na janela , observa:

— Falei, meninas! A Virgem Maria escuta a oração. Só vejam os jovens correndo… agora é paz.

Mari-Chi já estava dormindo, sonhando com seu crush coreano.

Susa-Kichi dormia profundamente.

Lisa-Kaichi fecha a porta e comenta:

— Nada melhor que o silêncio. Vou apagar essas velas, senão esse Apê amanhece em chamas.

Ela apaga as velas, cai na cama e dorme.

Dona Conceita olha para uma câmera imaginária e conclui:

— Essas patricinhas têm muito que aprender a viver no Brasil. Espero que se acostumem… só assim vou ter bom dinheiro do aluguel.

Agradeço a todos que acompanharam essa história.]



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