Papai Sumi
Junior é um menino esperto e levado que decide fazer uma travessura diferente: sumir por um tempinho só pra ver se sua família realmente o ama. Enquanto ele se esconde atrás do galinheiro, o sítio vira um alvoroço — tem irmão desesperado, mãe aflita, vô Chicó contando causos de mula sem cabeça e até oração no final. Mas quando Junior reaparece, o susto vira abraço, e a família mostra que o amor é maior que qualquer brincadeira.
“Papai Sumi” é um conto curto, divertido e cheio de afeto, com sotaque caipira e clima de roça, ideal para todas as idades. Uma história sobre travessuras, folclore e o valor da família.
História criada escrita por Edivaldo Lima.
História de Contos Curto.
Gênero: Comédia, Dramédia, Infantil
personagem principal: Junior personagens secundários:Mãe Carolaine,pai Brito,irmão Bento,vó Nena,vô Chicó,tia Rosa,Julieta.
[Junior tava quietim, sentado debaixo do pé de jambo, lendo um livro.
Fechou o livro devagar, olhou pro céu e falou baixim:
— É... papai Brito, mamãe Carolaine, irmão Bento, vovô Chicó, vó Nena, tia querida e madrinha Rosa... vou dá uma sumidinha só pra vê se ocês me ama mesmo. Espero num deixá ninguém muito preucupado...
E saiu de finim, se escondendo atrás do galinheiro.
Já era de tarde. A família tava num alvoroço danado.
Bento, o irmão mais velho, espiava dentro do poço e gritava:
— Ô Junior! Aparece, menino! Se não, nosso pai vai me bater com espada de São Jorge!
Junior, escondido, ria baixim:
— He!... He!... He!... Agora ocê vai vê o que é bom pra tosse! Fica atrás da Julieta e num cuida de mim...
Julieta se aproxima, com a mão na cintura:
— Onde é que o Junior se enfiô, hein Bento?
— Num sei, Julieta! Só sei que o pirralho sumiu e nosso pai tá desesperado!
Lá da cozinha, a mãe carolaine grita:
— Junior! Tem manjar que a vó Nena fez! Vem comer, meu fio!
— Num adianta, mãe... Juninho sumiu do nada — responde Bento, cabisbaixo.
Seu Chicó, o vô, aparece com um sorriso maroto e fala alto:
— Hoje é dia da Mula sem Cabeça aparecê no carreadô do café... Se ele tiver lá, vai passá um sufoco!
Tia Rosa arregala os zóio:
— Isso é verdade mesmo! Ainda mais hoje, que é lua cheia. Nem as galinha cacareja, nem os galo canta! Depois que fechá a porta, nóis vai dormi com crucifixo debaixo do travesseiro!
— Cruz credo! — diz Bento, se benze. — Eu num quero vê um trem desse com fogo na cabeça, não!
De repente, Junior aparece rindo:
— Ô família! Assim fica difícil brincá de esconde-esconde! — grita Junior, aparecendo com um sorriso maroto.
Pai Brito e a mãe Carolaine correm e abraçam o menino com força.
— Ô glória! Meu fio apareceu! Ô menino levado! Obrigado, meu Deus, por trazê ele de volta! — diz Brito, emocionado.
Carolaine segura o rosto do filho com as duas mãos e fala com ternura:
— Ô fio... num faz mais isso com a mãe e o pai, não, menino. O coração da gente quase saiu pela boca!
Junior olha pros dois, sorri com os olhos brilhando e responde:
— Tá bão, mãe... tá bão, pai... num vô fazê mais isso.
Mas aí... um barulho estranho ecoa. Um tropéu. Um relincho. E então...
— Olha a Mulaaaaaa! — grita Bento, apontando pro carreadô.
Todo mundo olha.
Seu Chicó arregala os zóio:
— Vamo entrá, meu povo! Que era brincadeira, cabô virando verdade!
A família toda corre pra dentro, batendo porta e janela.
Bento, suando frio, fala:
— Ô Julieta... eu vou entrá, tá tarde...
Julieta dá um beijo no rosto dele e diz:
— Vai lá, seu medroso...
Ele se vira, e ela dá um chutinho de leve na busanfa dele:
— Toma coragem, home!
Mais tarde, a família se reúne na janta, com Junior no centro da mesa, todo sorridente.
— É, meu povo... Eu só queria vê a reação de ocês. Queria sabê se ocês me ama mesmo. Mas eu num ia ficá longe de ocês, não. Jamais!
Seu Chicó junta as mãos e diz:
— Vamo orá.
E começa:
— Querido Deus, brigado por tê trazido o Junior, esse neto levado, de volta pra nóis. Dá mais juízo pra ele, pra num fazê mais isso, porque nóis amamos ele demais.
Junior, emocionado:
— Eu amo todos ocês também. Amém.
— Agora vamo comê a coxa, que tá boa demais da conta!

