História Código do Túmulo

Contos de Histórias
0

CÓDIGO DO TÚMULO

Em meio à névoa de um cemitério antigo em Curitiba, três ladrões — Jaime, Catarina e Ruan — descobrem um bilhete misterioso deixado pelo Barão Bento, prometendo uma fortuna enterrada com ele. Movidos pela ambição, eles decidem violar o túmulo, sem saber que estão sendo observados por uma rede secreta de justiça. O que parecia um golpe perfeito se transforma numa armadilha mortal, revelando agentes infiltrados, segredos familiares e um código que não abre baús — mas prende ladrões.

História criada escrita por Edivaldo Lima.

Uma história de Minissérie

4 capítulos

Gênero: mistério,drama,sobrenatural

personagem principal: Jaime personagens secundários: Catarina, Ruan,Detetive Carlito, delegado Simão, policiais Sousa André, mendigo Martins, Dona Lola 

[Capítulo 1: Estudando o Mapa

Na noite fria de Curitiba, 15 de setembro de 1930, no barraco velho de madeira rangente, Jaime — um ladrão em série especializado no roubo de catiçais do cemitério — estudava com atenção o mapa amarelado do Cemitério Municipal da Luz Eterna. Ao lado dele, sua cúmplice e noiva, Catarina, contava o dinheiro embolsado com as vendas dos catiçais roubados dias atrás.

— Esse mapa diz muita coisa... Esse cemitério é um mundaréu de túmulo. Tenho que conseguir algo mais valioso que catiçais pra essa burguesia de Curitiba querer comprar e pagar uma boa grana.

Catarina, olhando pro noivo com olhos atentos:

— Mas toma cuidado, meu amor... O jovem detetive Carlito tá no teu pé.

— Eu sei, Catarina... Mas acredito que logo, logo a gente vai tá com uma fortuna gorda. Vamos sair de Curitiba casados, vivendo numa mansão de luxo.

Nesse momento, Ruan chega sorrindo, com jeito de quem traz novidade quente:

— Ô, meus amigos do crime! Descobri uma coisa que vai levar nós direto pra riqueza!

Jaime ergue os olhos:

— O que traz de interessante, meu chapa? Qual é a solução?

Ruan se aproxima do mapa, aponta o dedo sujo pra um túmulo marcado:

— Tá vendo esse túmulo do Barão Bento? Dizem lá no bar que dentro dele tem uma fortuna, meu camarada. É só entrar no cemitério, abrir o túmulo e pegar o tesouro.

Catarina sorri, desconfiada:

— Isso tá fedendo, Ruan... Será mesmo que dentro do túmulo tem uma fortuna de presente pra ladrão esperto?

Jaime coça o queixo:

— Nada melhor que investigar e tentar. Vai que conseguimos o que queremos... Aí repartimos. Combinado?

Ruan sorri:

— Fechado! Assim tá tudo pelo certo. Hoje à noite a gente entra no cemitério.

Jaime sorri:

— Com certeza. Vamos ver o túmulo do Barão hoje mesmo.

Catarina sorri:

— Mingau tá pronto. Vamos comer.

Capítulo 2: De olho em ladrões

Já passava das dez da noite. No escritório abafado da delegacia, o delegado Simão girava o disco do telefone e chamava o jovem detetive Carlito.

— Alô, Carlito? Aqui é o delegado Simão. Roubaram mais catiçais dos cemitérios da cidade de Curitiba. Estão vendendo pra umas fábricas que revendem pra lojas. E o pior: gente da alta sociedade tá comprando como se fosse peça de luxo.

Carlito, tomando seu chá com calma, respondeu:

— Alô, delegado. Tenho certeza que é o Jaime, aquele ladrão em série. O Ruan, parceiro dele, e a noiva Catarina tão juntos nessa. Vi ela saindo de uma fábrica, toda bem vestida, parecendo madame de fachada.

Simão coçou o queixo, pensativo:

— Temos que parar esses três o quanto antes.

Carlito olhou pela janela do apartamento onde estava hospedado:

— Vou sair hoje mesmo. Pode ser que eu consiga provas mais concretas. Tô vendo um carro saindo de um barraco aqui perto. Vou seguir. Até mais, delegado. Em breve trago notícias. Quem sabe conseguimos prender os três.

— Obrigado, detetive. Fico no aguardo. Até...

Tum!... Tum!...

No caminho do Cemitério da Luz Eterna, a bordo de um carro roubado, Jaime, Catarina e Ruan seguiam com a expectativa de encontrar a tão falada fortuna do Barão Bento.

Jaime sorriu, confiante:

— Logo, logo estaremos com a fortuna nas mãos.

Catarina retribuiu o sorriso:

— Sim, amor. Em breve sairemos ricos e casados de Curitiba.

Ruan, atento ao retrovisor:

— Ricos nada... milionários! Deve ter muita grana. Jaime, tem um carro nos seguindo.

Jaime olhou rápido pelo espelho:

— Tem mesmo. Deve ser o detetive. Vou dar a volta no quarteirão e entrar pelos fundos do cemitério.

Catarina piscou:

— Se quiser, eu engano esse detetive com meu charme, amor...

Jaime riu:

— Melhor não. Vai que ele se apaixona.

Enquanto isso, Carlito dirigia seu carro, mas o sinal do trem apareceu, obrigando-o a parar.

— Droga... perdi eles de vista. Bem agora o trem tá vindo...

Pooooommm!... tictac... tictac... Pooooommm!... tictac... tictac...

Jaime sorriu:

— Agora podemos ir tranquilos. O trem parou o detetive Carlito.

Horas depois, já dentro do cemitério, Jaime observava o mapa com atenção:

— Vamos entrar. Quem sabe hoje mesmo levamos essa fortuna.

De repente, surge o mendigo Martins, cambaleando, embriagado, mas cheio de pensamentos:

— Ora, o que fazem aqui? Querendo incomodar quem já passou dessa pra melhor? As almas querem paz... descanso eterno. Já conversei com algumas. Me disseram que há guardiões.

Jaime mostrou o mapa:

— Onde fica esse lugar, Martins? Leva a gente lá. Depois te pago umas cachaças.

Martins sorriu:

— Esse lugar guarda um mistério... Sigam-me.

Jaime, Catarina e Ruan seguiram Martins, que ia conversando com os mortos como se fossem velhos conhecidos.

Catarina cochichou:

— Será que o Martins vê eles de verdade?

Jaime respondeu:

— Não sei, meu amor. Só sei que ele conversa.

Ruan comentou:

— Estranho isso... Ele caminha pedindo licença.

Ao chegarem no túmulo do Barão Bento, Martins bateu na lápide. Um bilhete caiu. Ele pegou e entregou a Jaime.

Jaime leu em voz baixa:

“Olá, seja quem for que abrir este túmulo e encontrar a fortuna, lembre-se de repartir com os pobres moradores de rua e instituições. Caso contrário, jamais terá sossego em vida.

O código do baú é: 45XV55.”

Ruan arregalou os olhos:

— É agora, Jaime. Vai encarar e abrir?

Catarina olhou séria:

— Vai fazer isso, amor?

Jaime encarou o bilhete:

— Tenho que pensar... Vou levar o bilhete. Vamos sair rápido.

Enquanto isso, o detetive Carlito, já dentro do cemitério, tirava fotos escondido atrás de uma lápide.

— Será que ele vai ter coragem de roubar essa fortuna...? Haaa...

Capítulo 3 – Penúltimo Capítulo: Voz da Sabedoria

Catarina caminhava pelas ruas silenciosas de Curitiba, o bilhete apertado entre os dedos. Estava preocupada com o que poderia acontecer com Jaime, Ruan... e com ela mesma. A dúvida pesava mais que o frio da madrugada.

Ela parou diante de uma casa simples, com janelas de madeira e cheiro de ervas no ar. Sabia, pela vizinhança, que ali morava Dona Lola, uma senhora conhecida por guardar histórias antigas, lendas urbanas e, principalmente, por ter conhecido a família do Barão Bento.

Catarina bateu na porta. Quem atendeu foi a própria Dona Lola, sorridente, mas com o olhar atento, percebendo a aflição da moça.

— O que te traz aflita à casa desta velha senhora, jovem? Qual é o seu nome, posso saber?

Catarina respirou fundo:

— Prazer, me chamo Catarina. Preciso conversar com a senhora sobre este bilhete... Encontrei no chão, enquanto lavava um túmulo. Não sei como agir.

Dona Lola a convidou para entrar. Sentou-se no sofá e estendeu a mão:

— Posso ver o bilhete, Catarina?

— Claro, senhora.

Lola leu com atenção, os olhos correndo pelas palavras como quem já as conhecia.

“Olá, seja quem for que abrir este túmulo e encontrar a fortuna, lembre-se de repartir com os pobres moradores de rua e instituições. Caso contrário, jamais terá sossego em vida.

O código do baú é: 45XV55.”

— Este é o código da fortuna do Barão Bento. Antes de morrer, ele pediu que enterrassem sua riqueza junto com ele. Mandou deixar esse bilhete como aviso. A família contou que o Barão dizia: “Fortuna pode ajudar, mas também pode amaldiçoar.” Ele acreditava que a ganância destrói. Por isso, pediu que quem encontrasse o tesouro repartisse com os pobres e instituições. Caso contrário... jamais teria sossego em vida.

Catarina ouviu em silêncio, absorvendo cada palavra.

— Entendo, Dona Lola. Muito obrigada por me ouvir. Preciso ir agora.

Catarina se despediu e saiu. Assim que a porta se fechou, Dona Lola caminhou até o telefone antigo, girou o disco e falou com voz firme:

— Alô, delegado Simão? Morderam a isca.

— Obrigado por me avisar, Dona Lola — respondeu a voz do outro lado da linha.

No barraco, horas depois...

Jaime e Ruan jogavam truco sobre uma mesa improvisada.

— Truco! Seis de copas! Ganhei de novo, Ruan. Vai ter que melhorar, hein!

— Eu vou melhorar, Jaime... no truco e no cassino! Hahaha!

Catarina entrou, observando os dois com um leve sorriso.

— Vamos hoje pegar a fortuna... e dividir com os pobres.

Jaime olhou para ela, decidido:

— Vamos sim. Hoje à noite. Ruan, conseguiu as armas e as ferramentas?

Ruan sorriu, confiante:

— Com certeza. À meia-noite entramos em ação.

— Então vamos nos preparar. Já está escurecendo...

Jaime, Catarina e Ruan estavam prestes a colocar as mãos na fortuna do Barão Bento. E, ao menos por enquanto, acreditavam que seriam como Robin Hood — ladrões com causa, prontos para ajudar os pobres.

Mas o que os esperava no Cemitério da Luz Eterna... era mais do que ouro.

Era um julgamento.

Capítulo 4 – Final: O Código que Prende Ladrão

A madrugada envolvia o Cemitério da Luz Eterna em silêncio e névoa. Escondidos entre lápides e ciprestes, o detetive Carlito, os policiais Sousa e André, o delegado Simão e o restante da corporação aguardavam o momento certo para fechar o cerco.

Martins, o velho mendigo que todos julgavam bêbado, caminhava entre os túmulos, murmurando para os mortos. Seu teatro estava prestes a chegar ao clímax.

Carlito, atento, sussurrou:

— Logo eles entram. Fiquem todos prontos.

Sousa apertou o coldre:

— Tô atento. Hoje a casa cai.

André sorriu:

— Não vejo a hora de fechar esse cerco.

Simão, com os olhos fixos no portão do cemitério, murmurou:

— Amanhã isso vai estampar a primeira capa do jornal.

Jaime, Catarina e Ruan entraram sorrateiros no cemitério.

Jaime apontou:

— Olha o Martins... pode ser útil pra gente.

Ruan cochichou:

— Se der ruim e aparecer polícia, a gente faz ele de refém.

Catarina olhou em volta, nervosa:

— Temos que ser rápidos. Pegar o ouro e sumir daqui.

Martins sorriu, fingindo embriaguez:

— Olá, amigos... vieram buscar o ouro? Lembram do caminho?

Jaime respondeu:

— Leva a gente lá, Martins.

— Pode deixar, Jaime — disse Martins, cambaleando.

Catarina riu:

— Ele sempre anuncia nossa chegada sem perceber.

Ruan comentou:

— O álcool faz delirar...

Chegaram ao túmulo do Barão Bento. Martins ajudou a abrir a entrada secreta.

— Podem entrar, amigos... qualquer coisa, dou o sinal — disse ele, piscando discretamente para Carlito à distância.

Dentro do túmulo, com lanternas em mãos, Jaime, Catarina e Ruan encontraram o baú.

— Agora é só digitar o código — disse Jaime.

— Vamos rápido — apressou Catarina.

Ruan se aproximou:

O código é 45XV55... vou falar.

Jaime girou o cadeado. Um clique. O baú se abriu.

— Consegui... mas... tem algo errado. Está vazio.

Dentro, apenas um bilhete:

“A ganância é o código que prende ladrões espertos de catiçais.

Isto é uma armadilha.

Vocês estão presos.

Assinado: Delegado Simão, Detetive Carlito e Agente Martins — o falso bêbado. Haaaa!”

Eles se viraram, em choque.

Martins, agora sério, apontava uma arma:

— Saiam devagar. Sem movimentos bruscos. O cemitério está cercado.

Jaime gritou:

— Fujam!

Ele saiu do túmulo e tentou atirar em Martins. Pá! Pá! — mas errou. Foi contido por dois policiais.

Ruan tentou correr:

— Eu não vou preso! Toma! Pá! Pá!

Martins se protegeu e atirou na perna de Ruan. Pá! Pá!

Catarina tentou escapar, mas foi agarrada por uma policial e algemada.

O delegado Simão se aproximou, satisfeito:

— Bom trabalho, Detetive Carlito. Agente Martins... E Dona Lola... aceita jantar comigo?

Ela sorriu:

— Aceito, delegado Simão.

Catarina, algemada, olhou surpresa:

— Dona Lola... foi informante esse tempo todo?

Dona Lola se aproximou, serena:

— Sim, minha querida. Detetive Carlito é meu filho. E uma mãe faz de tudo por um filho.

Carlito sorriu:

— Até virar uma agente infiltrada.

No outro dia pela manhã as banca de jornais dava a notícia.

Na capa do jornal:

“Código do Túmulo: a armadilha que desvendou a rede de ladrões de catiçais em Curitiba”

Agradeço a todos que acompanharam a essa história]



Postar um comentário

0Comentários

Postar um comentário (0)
To Top