Vozes do Mar:
Em uma pacata cidade costeira, o pescador Alberto vive seus dias em harmonia com o mar — até que, em um entardecer silencioso, começa a ouvir vozes misteriosas vindas das profundezas. Intrigado, ele compartilha o segredo com seu amigo Willian, um marinheiro que, em uma cafeteria à beira-mar, cruza o olhar com uma mulher enigmática. Ela parece deslocada do mundo ao redor… e guarda um segredo ancestral.
Quando a mulher desaparece na praia e se transforma em uma sereia, os dois homens são lançados em uma jornada de mistério e encantamento. Dias depois, um menino é encontrado desacordado na areia, salvo por um aviso divino. Seu nome é Jailson — e sua ligação com o mar mudará para sempre o destino da cidade.
Entre lendas, aparições e celebrações, Vozes do Mar é um conto de fantasia e fé, onde o oceano guarda segredos que só o coração pode escutar.
História criada escrita por Edivaldo Lima.
Histórias de Contos
Gênero: Ficção, fantasia, mistério
personagens principais: Jailson, sereia Miremar, personagens secundários: Rosa mãe,Alberto pescador,marinheiro Willian,Antenor pescador,Capitão Afonso,pescadores,Prefeito Castro.
[Cidade de São Bento da Maré – 17h30
Alberto, um pescador solitário, caminhava todos os dias pela orla do mar às cinco e meia da tarde. Naquele fim de tarde, o mar estava calmo, sereno como sempre. Mas algo incomum aconteceu: Alberto ouviu vozes.
Não eram vozes conhecidas da vila — eram sons misteriosos, quase sussurros, que pareciam emergir das profundezas do oceano.
Intrigado, Alberto correu até a cafeteria para chamar seu amigo, o marinheiro Willian. Naquele momento, Willian estava distraído, observando uma mulher sentada à mesa. Ela olhava com curiosidade para cada pessoa que entrava e saía, como se tudo fosse novidade para ela.
De repente, a mulher se levantou, olhou diretamente para Willian e sorriu. Ele, surpreso, acenou com a mão em cumprimento. Movido por uma sensação inexplicável, Willian saiu atrás dela, caminhando devagar até a praia.
Ao chegar à areia, testemunhou algo extraordinário: a mulher se transformou em uma sereia. Ela se virou, acenou com um tchau ao marinheiro e mergulhou nas águas profundas. Willian, atônito, ouviu um canto suave vindo do oceano.
Pouco depois, Alberto e Willian encontraram uma correntinha com uma concha. Nela, estava gravado o nome "Miremar".
— Olha que encontrei Esse é o nome dela Miremar .
Disse Alberto admirado.
— Sim, meu amigo, muito interessante isso
— Respondeu Willian, o marinheiro, ainda pensando nela por ver na cafeteria depois entrando no mar,como uma sereia.
O Resgate de Jailson:
Dias depois, pescadores ouviram novamente as vozes misteriosas. Durante uma dessas aparições, encontraram um menino desacordado à beira-mar. Ele havia se afogado, mas foi salvo. Dentro de uma garrafa, havia um bilhete:
"Quem me alertou para te salvar foi Deus, pequeno."
Ao lerem o bilhete, os pescadores se emocionaram.
— Olhem! O menino está acordando... parece que está bem! — disse um deles, com alívio.
— É o Jailson, o filho da Rosa! — exclamou Antenor, reconhecendo o garoto.
Rosa surgiu correndo pela areia, com lágrimas nos olhos.
— Meu filho! Que bom que você está bem... achei que tinha te perdido para o oceano.
Jailson, ainda fraco, sorriu e respondeu:
— Não, mamãe. O oceano me trouxe de volta à terra firme. Muitos dizem que foi uma sereia... o nome dela é Miremar.
Rosa olhou para o mar, com o coração cheio de gratidão.
— Obrigado, meu Deus... e Miremar, você salvou meu filho
A homenagem à sereia Miremar
A cidade inteira celebrou o milagre. O menino, chamado Jailson, estava vivo — salvo das profundezas do mar por uma força misteriosa. Mas o enigma das vozes que ecoavam do oceano ainda permanecia.
Em homenagem à sereia que, segundo muitos, havia trazido Jailson de volta, uma estátua foi encomendada com o nome "Miremar" gravado em sua base. O prefeito Castro, emocionado com a história, fez um decreto: todos os anos, o mês em que Jailson foi encontrado seria celebrado como seu aniversário oficial.
— Façam uma bela estátua da sereia, bem na entrada da praia — disse o prefeito, observando atentamente o desenho feito por um artista local, inspirado no relato do Capitão Afonso.
A imagem retratava Miremar com expressão serena, envolta por ondas e conchas, como guardiã silenciosa das águas. Para o povo de São Bento da Maré, ela não era apenas uma lenda — era símbolo de esperança, fé e mistério.
Alguns anos se passou
Hoje, com 18 anos, Jailson surfa nas águas da cidade de São Bento da Maré. Dizem que o capitão Afonso também avistou a sereia. Mas o mistério... e as vozes... continuam.
"Ainda vou te agradecer, sereia Miremar, por ter me salvado das profundezas do mar" — disse Jailson, olhando para o horizonte com os olhos cheios de lembrança.

