Os Graxas ( para ler )

Contos de Histórias
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Os Graxas

Na recém-aberta Oficina Os Graxas, em plena avenida de Osasco, personagens icônicos do humor se encontram para viver trapalhadas inesquecíveis. Entre quedas, piadas debochadas e confusões, Charlie Harper aparece com uma Kombi misteriosa, entregue por um rapaz conhecido como Mureta. O que parecia ser apenas um trabalho de reforma se transforma em uma grande encrenca: a Kombi havia sido roubada da paróquia e seria usada para fins nada santos. Agora, Seu Madruga, Alan, Julius, Maicon e Charlie precisam decidir entre o dinheiro fácil e a boa ação, tudo isso com muito humor besteirol e situações absurdas típicas de uma sitcom.

Observação: Está história de Conto Sitcom é uma história recomendada para maiores de 16 anos.

Contém linguagem sugestiva, humor irreverente e situações voltadas ao público juvenil-adulto.

História criada e escrita por Edivaldo Lima.

Conto Sitcom

Kombi encontrada e a boa ação.

Gênero: comédia besteirol,dramédia

Personagens dessa história: Charlie Harper,Alan Harper,seu madruga,Maicon,Julius,Dona Filomena,Padre Apolo,vugo jovem Mureta,policiais.  

[Oficina Os Graxas 7h00 da manhã:

Amanhecia mais um dia em Osasco. Seu Madruga abria a oficina Os Graxas.

— Bem que hoje poderia ser feriado… Estou com uma dor nas costas. Deve ser o sofá em que dormi esta noite. O cachorro estemiliqui rosnou, quis dormir com a Chiquinha na minha cama... Ah, o que um pai não faz por uma filha sem colchão.

Alan chega de bicicleta, buzinando:

Dlim! Dlim!

— Fala, Seu Madruga! Pronto para o trabalho? Hoje o dia promete, rapaz!

Seu Madruga, sentado no sofá:

— Pronto eu estou, Alan... mas clientela que é bom, nada! Se estivesse em casa jogando dominó com minha filha, já seria um bom entretenimento.

Alan puxa uma cadeira, escorrega na graxa:

Ops!... Thabulll!

— Caramba, Seu Madruga! Deixar graxa no chão é problemão, hein? Acho que ninguém me viu cair...

Seu Madruga sorri:

— Não só eu, jovem Alan... assim como o ônibus lotado de Osasco, tirando foto e rindo!

Alan se levanta, rindo:

— Hehehe... Um cafezinho vai bem. Faz um novo pra nós, com sabor do México!

Seu Madruga sorri:

— Se eu fizer, taco pimenta pra ficar picante!

Alan ri:

— Melhor não... pimenta dá umas hemorroidas!

Horas depois:

Avenida das Flores Osasco 7h30 da manhã

Julius chega de ônibus. Ao atravessar a rua, pisa numa poça de água.

Julius:

— Caramba! Se a Rochelle ver essa sujeira, me faz dormir pra fora hoje, vai ser por causa desse macacão sujo...

Ele vê uma senhora tentando atravessar.

Julius:

— Bom dia, senhora! Filomena, precisa de ajuda pra atravessar?

Senhora Filomena olha desconfiada.

Filomena:

— Julius, você tá me paquerando? Quer minha aposentadoria? Eu tô mais pra ser sua mãe... te coloco no chão com o chinelo, grandalhão!

Julius sorri, sem graça.

Julius:

— Hehehe... Começo bem o dia. Tenha um bom dia, senhora Filomena.

Julius sai andando. Filomena dá um chute na bunda dele.

Poof!

Julius se vira, indignado.

Julius:

— Caramba, velhinha doida!

Filomena mostra a língua e o dedo do meio.

Filomena:

— Aqui é Osasco, mano! Rock and Roll!

Ela começa a rir, mas engasga.

Filomena:

— Hahaha!... Coff! Coff!... Que tosse da lasqueira é essa?!

Maicon chega de Uber e olha para Seu Madruga.

Maicon:

— Seu Madruga, tem quatro reais em trocado pra me emprestar? Depois eu te pago.

Seu Madruga abre a carteira, resmungando.

Seu Madruga:

— Caramba, Maicon... lembrei que usei a grana pra comprar ração pro cachorro Estremiliqui.

Maicon sorri, hehehe.

Maicon:

— Entendo, Seu Madruga. Meu filho Júnior fez um Pix, já acertou a corrida. Mas esse cachorro aí... será que não tem alguma coisa?

Alan chega da padaria com pães de presunto e mussarela e uma garrafa de café.

Alan:

— O cachorro do Seu Madruga deve ter pisado num fio desencapado de telefone... capaz dele fazer até chamada: Tlim! Auuu! Tlim! Auuu!

Maicon ri.

Maicon:

— Mas acredito que ele é mansinho. Vacinado, não é, Seu Madruga?

Seu Madruga se vira.

Seu Madruga:

— Ele é mansinho... só rosna quando não deixo ele ficar em cima do sofá. E foi vacinado contra tétano, quando pisou num parafuso velho. Seu filho gosta de trabalhar em oficina, né?

Maicon folheia uma revista de rap nacional, fazendo movimentos de break.

Maicon:

— Júnior gosta mesmo é de ser DJ. Tem mais dinheiro no bolso que eu, que sou pai de família!

Alan, comendo pão.

Alan:

— Filhos crescem e dão trabalho... Jack só quer estudar, dormir e curtir baladas. Eu queria que ele namorasse, mas não pegasse exemplo do tio Charlie, mulherengo!

Alan olha para Maicon, rindo hehehe.

Alan:

— Olha, Seu Madruga... o Maicon tá igual ao Estremiliqui!

Seu Madruga ri, debochado hahaha.

Seu Madruga:

— Se meu cachorro fizesse isso, eu colocava ele na Praça da Sé. Eu seria o DJ Madruga!

Maicon sorri, hehehe.

Maicon:

— O cachorro seria b-boy, cão do momento, mano!

Alan olha para a bicicletaria ao lado.

Alan:

— Estamos com concorrência... a bicicletaria do Jonas tem mais clientes de bicicleta do que a nossa oficina sem carros.

Julius, tomando café, comenta sério.

Julius:

— Logo aparece trabalho. Carro quebrado sempre chega... e precisamos de dinheiro.

Algumas horas depois – 8h15 da manhã

Charlie chega buzinando com uma Kombi velha.

Charlie:

— Biiii!... Biiiii!... Bom dia, pessoal! Agora podemos trabalhar. Vamos fazer uma reforma nessa caranga. O cliente quer usá-la num evento chamado “Viva a Transa com Uísque”.

Todos olham para a Kombi caindo aos pedaços, incrédulos.

Maicon olha para a Kombi como se fosse uma Ferrari.

Maicon:

— Podemos pintar ela de vermelha, colocar uns neon... além disso, mudar o estofado pra deixar mais atraente e bom pro momento da transa.

Alan observa, desconfiado.

Alan:

— Tem certeza, Charlie, que essa Kombi é de um pervertido em série?

Caharlie sorri hehehe!...

Charlie:

__Relacha Alan está Kombi de um tal rapaz, vugo mureta, ele comprou faz uma semana.

Seu Madruga, com a mão no queixo, sonhador.

Seu Madruga:

— Eu, com uma belezura dessas reformada e cheia de gasolina, seria o garanhão da Avenida Augusta!

Julius olha, sério.

Julius:

— Eu usaria ela pra Rochelle, meu amor, vender tapetes.

Charlie, tomando café, animado.

Charlie:

— Já eu faria essa Kombi virar a Kombi do Amor com Charlie!

De repente, o Padre Apolo aparece!

Padre Apolo:

— Graças a Deus encontrei minha Kombi! Vocês vão reformá-la, meus filhos. Deus vai abençoar cada um de vocês e este lugar, a Oficina Os Graxas.

Alan olha para o padre, desconfiado.

Alan:

— Seu padre, olá, tudo bem? Qual é o seu nome? Tem certeza que essa Kombi é da paróquia? Porque foi um tal de “Mureta” que pediu pra fazer a reforma.

Seu Madruga, bebendo café.

Seu Madruga:

— Ele disse que iria pagar à vista a reforma da Kombi.

Charlie, encostado na geladeira velha.

Charlie:

— Ele comprou pra um evento que iria fazer: “Viva a Transa com Uísque”.

Padre Apolo sorri, balança a cabeça.

Padre Apolo:

— Me chamo Padre Apolo. Deve haver algum engano, meus filhos. Nessa Kombi, eu carrego o terço — ela não pode ser usada para o pecado da vadiagem. Essa Kombi é da Paróquia São Judas. Qual é o nome de vocês, filhos abençoados?

Julius, secando o suor com um pano de graxa.

Julius:

— Que Deus nos ajude, Padre Apolo! Íamos cometer um pecado... Enfim, eu me chamo Julius. Esse é o Charlie, aquele é o Alan, o Maicon e o Seu Madruga.

Maicon sorri, meio sem graça.

Maicon:

— Logo agora que íamos ganhar um trocado... Bom, vamos fazer uma boa ação.

Charlie mostra a foto do jovem Mureta para o padre e para todos.

Charlie:

— Seu Padre Apolo, esse é o tal Mureta. Foi ele quem pediu pra reformar a Kombi.

Padre Apolo olha a foto, indignado.

Padre Apolo:

— Esse é o ladrão pecaminoso, meus filhos! Roubou minha Kombi faz uma semana. Mas, graças a Deus e a vocês, ela está em boas mãos agora.

De repente, o jovem Mureta aparece na porta, ofegante.

Mureta:

— Ops!... Errei de oficina. Não quero ser preso, tenho mais “muretas” pra pular e furtar!

Todos se viram rapidamente para ele.

Todos (em coro):

— Pega esse ladrão antes que ele fuja!

Julius sai correndo atrás dele. Mureta pula sobre um carro, mas escorrega. Julius consegue segurá-lo pelo braço.

Julius (gritando):

— Peguei o Mureta, pessoal!...

Mureta (tentando se soltar):

— Calma aí, grandão! Você pegou a pessoa errada!

Julius sorri, firme, segurando o ladrão.

Julius segura firme o Mureta, ainda ofegante da perseguição.

Julius:

— Vem pedir bênção pro padre... pra depois ir direto pra cadeia, rapaz!

Nesse momento, chegam os policiais com a viatura, sirene desligada.

Policial Alexandre:

— Bom trabalho! Você daria um ótimo policial na corporação, grandalhão.

Policial Augusto:

— É verdade. Sempre tem curso, tenta fazer um... vai que passa!

Julius sorri, imaginando-se como policial.

Julius (rindo):

— Hehehe... Eu só quis ajudar, senhores policiais. Mas vou pensar nisso.

Seu Madruga, tomando café, comenta com ironia.

Seu Madruga:

— Ficar sem um combatente na oficina é como perder uma roda do carro... aí ele não anda.

Maicon, orgulhoso, começa a fazer uns katas de artes marciais.

Maicon:

— Se quiser, eu também faço o curso. Já treinei artes marciais com Jean-Claude Van Damme!

Alan sorri, debochado.

Alan:

— O Julius é o segurança da Oficina Os Graxas. Aqui, senhores policiais, os cartões... se precisarem de uma reforma, o carro de vocês está em boas mãos.

Charlie, comendo pão, entra na conversa.

Charlie:

— Eu também mereço parabéns! Me passei por James Bond disfarçado e recuperei a Kombi do Padre Apolo.

Os policiais levam o jovem Mureta algemado até a viatura. Padre Apolo se aproxima para dar a bênção.

Mureta (implorando):

— Seu padre, eu não queria roubar a paróquia... só queria uma Kombi pra trabalhar.

Padre Apolo (sereno):

— Vai com Deus, meu filho. Leia a Bíblia quando estiver na cela e se arrependa dos seus pecados.

Enquanto os policiais conduzem Mureta até o carro, Charlie mastiga pão e olha para a câmera imaginária.

Charlie (filosófico e debochado):

— A vida é assim: quem rouba vai preso. Mas quem trabalha com honestidade recebe bênção, ganha seu dinheiro... e ainda nos finais de semana pode tomar um bom uísque, beber uma boa cerveja, conhecer uma bela mulher e cair na transa no pagode.

Padre Apolo se despede, sereno.

Padre Apolo:

— Agora vou embora. Fiquem todos com Deus. Quando a Kombi estiver reformada, eu volto para buscar.

Todos respondem em coro, animados:

Todos:

— Pode deixar, padre! Vai ficar a Kombi mais bonita da cidade!

Seu Madruga, tomando café, comenta com ironia.

Seu Madruga:

— Ei, Charlie, vamos trabalhar... porque agora tem serviço de verdade.

Charlie, ainda olhando para a rua, suspira ao ver uma mulher passar.

Charlie (distraído):

— Já vou, Seu Madruga... deixa eu só admirar a beleza da avenida.

Agradeço a todos que acompanharam essa história.]




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