Obsessão de Amor
Em meio à fumaça de um cigarro e ao som suave da voz de Echelen Rios no rádio, Armando mergulha cada vez mais fundo em sua perturbação. Tomado por uma paixão obsessiva, ele não deseja apenas ver a Diva no palco de Copacabana — seu plano é mais ousado: levá-la para sua casa, torná-la parte de sua vida, custe o que custar. Na noite da estreia, enquanto milhares aguardam o espetáculo, Armando prepara o ato que pode transformar o glamour em tragédia.
História criada e escrita por Edivaldo Lima.
Bras-Drama
Gênero: drama, romance, musical.
Personagens principais: Diva Echelen Rios,Armando,Caio personagens secundários: Alenor amigo,guardas Mouro e Sousa ,seu Nelson.
[Planos de Armando.
Sentado em uma poltrona gasta, Armando fumava lentamente um cigarro, enquanto deixava o ambiente se encher pela voz da Diva Echelen Rios que ecoava no rádio.
A melodia suave preenchia o quarto:
“— Se você está sozinho pensando em mim, lembre que eu estarei pensando em você, meu bem... Se você ama, pode ter certeza que também amo você... Houuu... Houuu... Amo você...”
Armando sorriu, perturbado, murmurando entre risadas baixas:
— Hehehe... Ela me ama! Tenho certeza que me ama... Por isso, Echelen, meu amor, hoje você estará ao meu lado.
Olhou para o relógio de bolso, ansioso:
— Exatamente seis e meia... Daqui a pouco minha Diva estará no Hotel Monte Palace, em Copacabana.
Com os olhos brilhando de obsessão, levantou-se e encarou o retrato de Echelen Rios pendurado na parede. Aproximou-se, beijou a imagem e começou a dançar sozinho, embalado pela música que continuava a tocar.
— Hoje é o grande dia... — murmurou, enquanto o cigarro queimava entre seus dedos. — Hoje, finalmente, você será minha.
Hoje é seu grande dia, Diva.
Caio terminava de dar os últimos ajustes no vestido encomendado por Echelen Rios, enquanto o rádio de válvulas transmitia o anúncio que ecoava por toda Copacabana:
— Meus queridos ouvintes da Rádio Copacabana FM, em breve, na praia de Copacabana, a Diva Echelen Rios estará cantando seus maiores sucessos do LP. Estejam presentes e aproveitem este grande espetáculo!
O rádio continuava a tocar, preenchendo o quarto com a voz suave da cantora:
“— Lembra lá na praia onde te encontrei... Foi lá que nasceu o amor que hoje vivemos nos amando. Sei que eu te amo, você me ama... Tharaaa!... Tharaaaa!... Quando eu sorri, você também sorri por estar perto de mim... Tharaaa!... Tharaaaa!...”
Caio, ouvindo, sorriu com entusiasmo:
— Hahaha! Hoje o público vai ao delírio. Echelen Rios, a grande Diva... Eu estarei lá, testemunhando esse momento histórico.
Hotel Monte Palace, 19:30 da noite
A noite caía sobre a cidade de Copacabana. Era novembro da década de 1930. No luxuoso Hotel Monte Palace, acabara de chegar de Nova York a famosa cantora Diva Echelen Rios, que se apresentaria em breve na praia de Copacabana.
— Não vejo a hora da estreia do show, Caio. Espero que minha voz alcance milhares de corações apaixonados.
O estilista Caio, fiel amigo e confidente, aproximou-se trazendo o vestido que havia criado especialmente para ela.
— Sim, Echelen Rios. Copacabana inteira estará no seu espetáculo. Muitos esperam ouvir sua voz, mulher.
Avenida Copacabana, 8h00 da noite.
Do lado de fora, escondido na sombra e observando pela janela com um binóculo, estava Armando, um jovem tomado por uma paixão obsessiva pela diva. Seus olhos brilhavam de desejo e loucura.
— Você será minha... completamente minha esta noite, Echelen Rios. Meu amor.
Armando se disfarça ao ver os guardas Mouro e Sousa se aproximarem.
— Ei, rapaz! O que você faz aí escondido? Está em fuga? Roubando alguém? — perguntou Mouro.
Armando sorriu, irônico:
— Que nada, seu guarda. Não sou de roubar nem de matar... apenas de me apaixonar por mulheres. Quero realmente me apaixonar.
Mouro e Sousa sorriram, divertidos.
— Esses jovens bagunceiros... temos que ficar de olho, Sousa. — disse Mouro.
Sousa olhou para o rapaz Armando e advertiu:
— Cuidado, rapaz. Se tiver intenção de roubar, vai passar a noite na cela.
Armando olhou para os guardas, saiu correndo e tropeçou pelo caminho.
— Eu nunca irei para a cela... nunca irei para a cela! — gritou, ofegante, enquanto desaparecia no beco, na escuridão.
Sequestro pelo Amor.
Caio, o estilista, saiu do apartamento feliz por ter conseguido arrumar a tempo o vestido da diva Echelen Rios.
— Está linda, a Diva... pronta para tocar os corações apaixonados com sua voz.
De repente, Armando surgiu caminhando apressado. Seus passos eram firmes, mas carregavam uma ansiedade inquieta. Ao trombar em Caio, fingiu um descuido qualquer, mas com a destreza de quem já havia planejado o ato, deslizou a mão até o bolso do estilista. Num movimento rápido e quase imperceptível, retirou dali a chave — o objeto que poderia abrir o caminho para seu plano insano.
Caio se virou, irritado:
— Ei, rapaz! Não olha por onde anda? Não presta atenção!
Armando deu uma risada debochada:
— Foi mal, senhor... só preciso agora encontrar meu amor, entendeu? Encontrar meu amor.
Caio sorriu, desconfiado:
— Deve estar bêbado... só pode. Repetindo duas vezes a mesma coisa.
Enquanto esperava o bonde passar, Caio olhou para o relógio e colocou a mão no bolso.
— Uai... cadê a chave que a Diva Echelen Rios me emprestou? Pela Santa Monalisa, será que eu perdi essa chave?
Horas depois:
Caio se vira e vê Armando entrando apressado no Hotel Palace.
— Não pode ser... está claro que aquele rapaz pegou minha chave! — pensou, aflito. Logo em seguida, chamou por ajuda:
— Alenor! A Diva Echelen Rios está em perigo. Vamos salvá-la agora mesmo!
Alenor, sem entender direito o que estava acontecendo, respondeu confuso:
— Como assim, Caio? O que está acontecendo? Não há segurança com a Diva Echelen Rios?
Caio, assustado e tentando se lembrar, balbuciou:
— Eu não vi ninguém na porta... se havia, não prestei atenção, meu amigo.
Alenor, refletindo rapidamente, concluiu:
— Vamos depressa! Talvez ela esteja mesmo em perigo.
Caio, já chorando de nervoso, explicou:
— Um rapaz passou, trombou comigo e pegou a chave do meu bolso... a chave que Echelen Rios havia me emprestado.
Alenor olhou para Caio com seriedade:
— Só pode ser um apaixonado obsessivo por Echelen Rios.
Aqui está a versão revisada e corrigida do seu texto “Diva Surprendida”, mantendo o estilo dramático e a estrutura que você usou, mas com maior clareza e coesão:
Diva Surprendida
Armando já havia conseguido entrar no hotel, passando-se por Caio. A obsessão da paixão, que só aumentava, fez com que Armando usasse suas táticas para estar frente a frente com a diva, seu amor obsessivo.
Com um buquê de rosas nas mãos, Armando bateu na porta de Echelen Rios.
Toc!... Toc!... Toc!...
Echelen, saindo do banho e sorrindo, comentou:
— Hahaha!... Só pode ser o Caio. Mas me lembro que ele não havia esquecido nada aqui.
— Já estou indo, Caio! Por que tanta pressa? Eu te dei a chave...
Ao abrir a porta, surpreendeu-se:
— Quem é você? Que lindo buquê de rosas... Obrigada, são para mim?
Armando sorriu:
— Sim, Diva Echelen Rios. São suas. Sinta o aroma das rosas...
Echelen aspirou o perfume, mas logo se sentiu fraca e desmaiou.
Armando, sorrindo de forma inquietante, murmurou:
— Hehehe... meu amor, agora você vai para sua nova casa, ficar ao lado de alguém que te ama.
Com cuidado, ele a deitou no sofá.
— Agora estou com ela... O que devo fazer? Como vou sair com a Diva Echelen Rios?
Algumas horas depois:
Armando, meio perturbado, deixou o buquê de rosas de lado e começou a fazer carinho em Echelen Rios, cheirando seu pescoço e beijando-a com devoção.
— Não acredito... estou com minha amada Echelen Rios!
— Murmurou, tomado pela obsessão.
Do lado de fora, Caio, escondido atrás da porta, levou a mão à boca, em choque, pensando que Echelen estivesse morta.
— O que será que ele fez com Echelen Rios? Preciso agir rápido...
— Sussurrou, aflito.
Nesse instante, Alenor chegou acompanhado dos guardas Mouro e Sousa.
Alenor entrou com cuidado, tentando avaliar a situação.
Armando se virou bruscamente:
— Para trás! Para trás! Ela é minha! Vão procurar outras mulheres na avenida!
Alenor tentou acalmá-lo:
— Não vou me aproximar dela... só quero um autógrafo.
Armando, tomado pela fúria, empurrou Alenor, que caiu ao chão. Nesse momento, Caio trancou a porta e os guardas avançaram, segurando Armando com firmeza.
— Fim da linha, rapaz. Você está preso!
— Declarou Sousa!...
Armando foi levado preso à delegacia.
Seu Nelson, o porteiro, pediu desculpas por ter deixado Armando entrar, acreditando que fosse Caio.
Enquanto isso, Echelen Rios começou a recobrar os sentidos:
— Caio... o que houve? Só me lembro de ter apagado ao receber um buquê de rosas...
Caio trouxe um chá e ofereceu com cuidado:
— Beba, Diva. Você vai melhorar. Hoje é seu grande dia. Por pouco Armando não fez algo pior...
Ainda confusa, Echelen murmurou:
— Armando... foi ele quem me trouxe aquele lindo buquê de rosas...
Caio se virou, apontando para a lixeira:
— Aquele buquê, como você mesma disse, tinha um aroma forte. Armando era um rapaz tomado por uma paixão obsessiva por você, entende?
A Diva levou a mão à boca, assustada:
— Meu Deus... mas ainda bem que estou bem.
Glamour, hora do show:
Milhares de pessoas se reuniam na areia de Copacabana, sob o céu iluminado pela lua e pelas luzes dos refletores improvisados. O som das ondas misturava-se ao burburinho da multidão, que aguardava ansiosa a entrada da grande estrela da noite. Policiais e guardas mantinham-se atentos, garantindo que nada perturbasse o espetáculo da Diva.
Caio, entre o público, observava fascinado:
— Como essa mulher brilha cantando... Não é à toa que é a Diva Echelen Rios.
Quando os músicos iniciaram os acordes, o silêncio tomou conta da praia. O glamour da década de 1930 estava presente em cada detalhe: homens de terno branco e chapéu panamá, mulheres com vestidos elegantes e leques, todos hipnotizados pela presença da cantora.
Echelen Rios surgiu no palco montado sobre a areia, vestida em seda cintilante, e começou a cantar com voz arrebatadora:
“— Venha me amar, quero sentir seu carinho... Sou uma mulher apaixonada por você. Sei que você me ama e quer ser amado. Mostre-me seu carinho, mostre seu amor como bom namorado...
Ouuu!... Ouuuu!... Thuruuu!... Thuuuu!...”
A multidão acompanhava em coro, batendo palmas ritmadas, enquanto tochas e lanternas iluminavam o cenário. O espetáculo não era apenas um show: era um acontecimento histórico, um momento de glamour e paixão que marcava a vida cultural da cidade do Rio de Janeiro.

